Primeira mensagem | Valdir Sarubbi: “Rumo à Ítaca”

Ítaca

Quando partires de regresso a Ítaca
deves orar por uma viagem longa
plena de aventuras e de experiências.
Ciclopes, Lestrígones e outros monstros,
um Poseidon irado – não os temas!
Jamais encontrarás tais coisas pelo caminho
se o teu pensar for puro, e se um sentir sublime
teu corpo toca e o espírito te habita.
Ciclopes, Lestrígones e outros monstros
um Poseidon em fúria – nunca encontrarás –
se tu mesmo não os levares dentro da alma
ou ela não os puser diante de ti.

Deves orar por uma viagem longa.
Que sejam muitas as manhãs de verão
quando (com que prazer, com que alegria!)
entrares em portos jamais vistos antes!
Em colônias fenícias deverás deter-te
para comprar mercadorias raras:
coral e madrepérola, âmbar e marfim,
e perfumes de todas as espécies.
Compra desses perfumes quanto possas!
E vais ver as cidades do Egito
para aprenderes com os que sabem muito.

Terás sempre Ítaca no teu espírito
que chegar lá é teu destino ultimo.
Mas não te apresses nunca na viagem.
É melhor que ela dure muitos anos.
Que sejas velho já ao ancorar na ilha,
rico com o que ganhaste pelo caminho,
e sem esperar que Ítaca te dê riquezas.

Porque Ítaca te deu esta viagem esplêndida.
Sem Ítaca não terias partido.
Mas Ítaca não tem mais nada para dar-te.
Por pobre que a descubras, Ítaca não te traiu.
Sábio como és agora, senhor de tanta experiência,
terás compreendido o sentido de Ítaca.

Konstantinos Kaváfis (Alexandria, Egito, 29 de abril de 1863 – Alexandria, Egito, 29 de abril de 1933). In “Poemas”, Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1990. Tradução de José Paulo Paes

Escreveu o saudoso mestre em idos de 1998: “Caro Matosinho, agradecendo sua aula cibernética estou lhe enviando esse lindo poema do velho poeta de Alexandria, tão cheio de sabedoria. Abraço, Sarubbi.”

Gravura em metal do artista paraense Valdir Sarubbi e seu livro inédito – acervo família Sarubbi – edição póstuma

Valdir Sarubbi (Bragança, Pará, 10 de outubro de 1939 – São Paulo, 8 de novembro de 2000)

Marinha, com nuvens

I

Era novembro, em Tehuantepec,
E o marulhar do mar calou-se à noite.
Pela manhã desceu sobre o convés

Uma cor morna, como chocolate
Âmbar, como sombrinhas amarelas.
Um verde-éden suavizava a máquina

Do oceano, de uma limpidez perplexa.
Mas quem, naquela doce latitude,
Fez flores líquidas de luz se abrirem,

Mas quem de nuvens fez flores de mar,
Deitando bálsamo sobre o Pacífico?
C’était mon enfant, mon bijou, mon âme.

Dentro do mar, as nuvens alvejavam,
Flores moventes, num verde marinho
E radiante, enquanto o céu fluía

Num antiqüíssimo reflexo em volta
Dessas flotilhas. Vez por outra o mar
Vertia um íris vívido no azul.

Wallace Stevens (Reading, Pensilvânia, Estados Unidos, 2 de outubro de 1879 — Hartford, Estados Unidos, 2 de agosto de 1955). In “Harmonium” (1923/1931)

Tia Conceição cozinhando

Nessa foto vemos minha querida tia Conceição Ferreira Silva preparando o almoço ofertado pelos tios Ivorene Ferreira e Odete Devienne Ferreira no quintal de sua casa na Vila Sá às crianças do Lar Santo Antônio de Ourinhos, com meu primo Antonio Eduardo Silva (Toninho da Texaco) ao fundo. Com essa tia vivi dos meus 7 aos meus 10 anos, quando fiz o primário no centro de Ourinhos no EEPG Jacinto Ferreira de Sá (1972-1975). Sinto muito falta de sua presença, sempre solidária…

Outro poema dos dons

Graças quero dar ao divino
labirinto dos afetos e das causas
pela diversidade das criaturas
que formam esse singular universo,
pela razão que nunca cessará de sonhar
com um plano do labirinto
pelo rosto de Helena e a perseverança de Ulisses,
pelo amor que nos deixa ver os outros
como os vê a divindade,
pelo firme diamante e a água solta,
pelas místicas moedas de Angel Silésio,
por Schopeuhauer
que decifrou talvez o Universo,
pelo fulgor do fogo
que nenhum ser humano pode olhar sem um assombro antigo,
pelo mistério da rosa
(…)
pelos minutos que precedem o sonho,
pelo sonho e a morte,
esses dois tesouros ocultos,
pelos íntimos que não enumero,
pela música, misteriosa forma do tempo.

Trecho tirado de um longo poema de Jorge Luis Borges (Buenos Aires, Argentina, 24 de agosto de 1899 — Genebra, Suíça, 14 de junho de 1986), quase filosófico

Redescobrindo: 10 mil acessos

O blog “Redescobrindo”, que iniciou-se em 2005, chegou hoje à marca dos 10 mil acessos. Ele já tem 1.572 visitantes únicos, 353 posts publicados e 106 comentários aprovados. Como disse em outra ocasião, “Redescobrindo” foi o título que dei para meu livro de poesia concluído em São Paulo no ano de 2003 e que aqui já foi publicado na íntegra, juntamente com algumas pinturas minhas e matérias outras que julguei interessantes para vocês. Esse painel acima mostra um pouco das imagens por nós aqui postadas. Mais uma vez obrigado pelas visitas e pelo prestígio.

Abraços e retornem sempre,

Eduardo Matosinho

Hedva Megged: Elementos

“Depois do fechamento da Galeria Monica Filgueiras em dezembro de 2019, com a qual trabalhei por 45 anos, resolvi organizar melhor meu trabalho recente em telas para apresentar ao futuro curador que gostaria de encontrar. Aproveito para apresentar a você este meu segundo álbum “Sunrise Sunset”. Logo virão os outros.”

Hedva Megged

Série de telas da artista Hedva Megged

A natureza, com seus elementos: céu, terra, mar, lagoas, colinas, campos, bosques, caminhos do entorno urbano e pessoas movimentando e presentes nestes cenários, é a fonte de inspiração para registrar em telas os aspectos pictóricos, gráficos e caligráficos, em cores, formas, gestos, linhas e texturas.
Grande influência sobre a autora, na interpretação artística da série “Elementos”, vem do gravador japonês da era Edo (1603 – 1868) Andô Hiroshge.
As telas são de linho puro, preparadas sobre chassis de madeira de cedro, incluindo moldura fina pintada.
A técnica da pintura: pigmentos puros são adicionados aos médiuns de acrílico de diferentes espessuras; uns cintilantes, alguns opacos e outros ásperos, aplicados em muitas camadas sobrepostas, mudando assim os reflexos da luminosidade e os efeitos lustrosos, vitalizando a imagem surpreendentemente.
O projeto das telas cujo nome “Elementos” começou ainda nos anos 90 e continua sendo o tema que envolve todas as telas que tenho trabalhado desde então. A inspiração sempre vem da minha vivencia sensorial e emocional ao andar na cidade descobrindo e me surpreendendo com os novos elementos perceptivos em diferentes momentos natureza & pessoas.
Espero poder compartilhar com você sempre, a minha jornada com as artes.

Peças do vestuário-arte da minha autoria encontram-se em:

Loja Debora Quer: Rua Haddock Lobo, 937 – (11) 3086-3466 – São Paulo
Loja IT Instituto Tomie Ohtake: Rua Coropés, 88 – (11) 3554-0737 – São Paulo
Loja Obra Ipanema – Rua Visconde de Pirajá, 550, Loja 315 – (21) 9 9815-8484 – Rio de Janeiro

Hedva Megged, nascida em Israel, pós-graduada pela Escola de Belas-artes em Tel-Aviv. Aperfeiçoou seus estudos com o artista e mestre David Alfaro Siqueiros trabalhando nos seus murais no México. Realizou inúmeras exposições individuais e participou de outras tantas coletivas; Alcançou vários prêmios e foi notificada em muitas publicações. Vive no Brasil desde 1972 atuando nas manifestações e suportes das artes visuais e atualmente – desde 1990 – está engajada no movimento “Vestir-se com arte”.

Contatos:
www.facebook.com/hedva.megged
www.instagram.com/hedvamegged
hmegged@gmail.com