Galeria Gravura Brasileira
convida para a abertura da exposição
Gravura Quimérica
gravuras de Natali Tubenchlak
curadoria de Ana Carla Soler e Talita Trizoli
Abertura:
15 de agosto, sábado, 13-17h
Natali Tubenchlak 1975, Rio de Janeiro
Vive e trabalha entre Niterói e Rio de Janeiro Com uma produção híbrida por natureza, a prática artística de Natali Tubenchlak, em uma perspectiva feminista, evidencia que o corpo feminino nunca é apenas um corpo, supostamente neutro, mas sim um espaço de tensionamentos de linguagens e desejos, e que muitas vezes sequer chega a ser humano. São imagens em que mulheres se tornam plantas, animais e mesmo órgãos paralelos à sua corporeidade, e que materializam possibilidades outras de vivenciar a existência feminina no mundo. “É um desejo talvez de fazer mais parte da natureza do que das questões humanas”, conta a artista em entrevista no livro “Natali Tubenchlak: Ecofeminismo e pornopolítica”. Não à toa, é pela gravura, técnica pela qual a artista demonstra plena familiaridade e domínio, que é possível compreender a operação compositiva e lógica que rege a formação desses híbridos, essas quimeras contemporâneas em que o corpo feminino é matriz, eixo central, mas também terreno de mutações, desdobramentos e subversões. A justaposição necessária de diferentes matrizes para a obtenção de uma imagem, ou quando não as diversas camadas de intervenção em uma única matriz de gravura, permitem uma correlação com a interpolação de partes animais, vegetais e humanas na construção dessas entidades quase monstruosas nas gravuras da artista. A exposição percorre diferentes técnicas da gravura em metal. Da água-tinta e da água-forte, ponto de partida quando Natali retorna à Oficina de Gravura do Museu do Ingá, em Niterói, onde havia tido seus primeiros contatos com a linguagem ainda nos anos 1990, passando pela ponta seca e pela cologravura, técnica à qual tem se dedicado com mais afinco recentemente. Donna Haraway retoma e aprofunda a pergunta espinosana sobre os corpos a partir de um lugar mais situado, em “Ficar com o Problema – Fazer Parentes no Chthuluceno”, a autora desenvolve a noção de devir-com, que prolonga o devir-animal de Deleuze e Guattari ao levar a sério não apenas a potência abstrata da transformação, mas as relações singulares e específicas entre espécies reais e seus encontros, suas histórias, suas interdependências cotidianas. Ela propõe que o individualismo delimitado, a ideia de um ser humano autossuficiente e separado do mundo natural, se tornou verdadeiramente impensável. O que Haraway chama de simpoiese (fazer-com), em oposição à autopoiese (fazer-sozinho), descreve a condição fundamental de todos os seres vivos, na qual nada existe nem se constitui isoladamente. Os corpos, em Haraway, são sempre resultado de encontros, emaranhamentos e contágios entre espécies. Nesse vocabulário, as figuras de Natali Tubenchlak se tornam reconhecíveis. As mulheres na obra da artista crescem para fora de si mesmas e se infundem com o que não são, construindo parentescos com o vegetal e o animal. Entre as séries apresentadas estão, Dá-se assim desde menina, que aprofunda esse território, somando ao corpo a memória acumulada do que o mundo impõe às mulheres desde a infância. Já a série Montaria coloca em cena a longa história de representações do corpo feminino oscilando entre objeto e sujeito, em obras que transitam entre o erótico e o político, registradas com olho clínico e sarcástico. Nos trabalhos mais recentes, como as cologravuras das séries Desvairada e Mata Atlântica Dramática, a artista radicaliza a síntese entre corpo e mundo natural. As figuras se tornam mais densas e entregues à fusão. O dilema de onde termina o humano e onde começa o vegetal deixa de ser formulado, pois os corpos encontraram finalmente sua forma. Identificar-se com o animal, com a planta, com aquilo que excede a forma humana dita hegemônica é uma forma de escapar e de tornar visível as normatizações de poder impostas aos corpos – e os corpos híbridos de Natali Tubenchlak não são meras metáforas de um pensamento sobre a natureza, mas sim um pensamento propriamente matérico, encarnado e impresso. A curadoria de Ana Carla Soler e Talita Trizoli apresenta um percurso histórico e temático sobre a produção da artista, ampliando a pergunta que move o seu corpo de obra: o que é e pode ser um corpo?
Ana Carla Soler e Talita Trizoli / curadoras
Agosto 2026
Natali Tubenchlak, 1975, artista visual, vive em transito entre Rio e Niterói. Trabalha com gravura, desenho e instalação. Seu trabalho investiga temas como ética, violência e sensualidade. Frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, posteriormente se graduou em design de produtos na Faculdade da Cidade, se especializou em produtos de cerâmica na escola de artes e ofícios em Barcelona-Espanha e em gravura na Oficina do Museu do Ingá-Niterói. Em seu processo de criação, é frequente a apropriação de imagens recontextualizadas que, frequentemente, assumem formas de paródia e tangenciam o grotesco. Manipula personagens e enredos que refletem tanto a melancolia da cultura ocidental quanto o desejo de reconciliação com a natureza.
Residências
2025 Residência artística Solar das Andorinhas. São Mateus-ES
2021 Intervalo, Casero Residência. Parque Nacional de Itatiaia-RJ
2018 Casa Tres Patios. Medellin-CO
2017 Residência Artística Mutuca 6. Serra do Espinhaço-MG
2017 Barda del Desierto#3. Contralmirante Cordero, Provincia de Río Negro, Patagonia-AR
2015 Programa Plataforma de Emergência “O Lugar do Gesto na arte Contemporânea’’. Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica. Rio de Janeiro-RJ
2014 “La Experiencia/La Pedagogia”. Córdoba-Ar
2014 J.A.C.A. Belo Horizonte- MG
Individuais
2025 Desvairadas e outros cultivos. Abapirá, espaço independente de arte, curadoria Ana Carla Soler. Rio de Janeiro
2019 Dá-se assim desde menina ou Perder a cabeça. Fábrica Bhering, curadoria Cláudio Oliveira. Rio de Janeiro-RJ
2017 Dá-se assim, na entrada, na fachada, no muro”. Canto da Carambola, curadoria Keyna Eleison. Rio de Janeiro-RJ
2017 Dá-se assim desde menina”. Projeto passagem, Parque das Ruínas, curadoria Gabriela Dottori. Rio de Janeiro-RJ
2017 Projeto escada. Dá-se assim venenosa. Saracura, curadoria Paula Borghi – RJ
2017 Ambientes Infláveis IED Rio. Ocupação das ruínas do teatro. RJ.
2016 Não provoque. Tato Galeria, curadoria Omar Porto. São Paulo-SP
2016 Goela abaixo. Centro Cultural Laurinda Santos Lobo. Rio de Janeiro-RJ
2016 Insolente. Studio488. Buenos Aires-AR
2013 Ambientes Infláveis. Casa Daros. Rio de Janeiro-RJ
2013 Ambientes Infláveis. Centro Cultural Paschoal Carlos Magno. Niterói-RJ
2012 Ambientes infláveis. Barracão Maravilha, exposição de encerramento do circuito no Estado do Rio de Janeiro, com participação do grupo “Active Ingredient”. Rio de Janeiro-RJ
2012 Ambientes Infláveis. Galeria Vendaval. Patagônia-AR
2003 Delírios de Dora. O Estúdio. Rio de Janeiro-RJ
2001 Dora sabia. Espaço Cultural CREA-RJ. Rio de Janeiro-RJ
Galeria Gravura Brasileira
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Segunda a sexta: 14h00 às 18h00 ou com hora marcada
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