Mês: maio 2026
Floripes 2
Maracujá interrompida (trecho)
a palavra é a consanguinidade divina
ininterrompida
na persistência de uma miragem
melancólica
antagônica
e cubista
o que vejo agora são
as palavras no espelho
folhas vestidas
de verdes intensos
renascendo ao corte
rente ao chão
porque a vida
sempre vence
mãe
a vida nunca se põe
Luis Osete (Cardeal da Silva, Bahia e radicado em Petrolina – Pernambuco). In “Maracujá interrompida”, Recife: Companhia Editora de Pernambuco – Cepe, 2025. Foi o vencedor do Prêmio Jabuti 2025, na categoria Escritor Estreante – Poesia, do Eixo Inovação e essa obra foi também a grande vencedora do 8º Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura. Trata-se de “um longo poema sobre a suspensão e a elaboração do luto materno, em que o eu lírico observa a grande perda refletida na paisagem, travando um diálogo com a ausência presente”
Mamis
Mama Mundi (Fazendo referência ao Mestre Vitalino, ceramista)

Mama Mundi
Índio oriundi
Desse mundão sem porteira
Tem a flecha certeira
Mas tudo move e muda
Mudar me ajuda
Mas me confunde
Mama Mundi
Chamo e responde
Mas ainda esconde seu leite
Mama eu peço que aceite
Flores na minha cantiga
E mais me diga
E mais me aponte
O mapa que traço agora
É amor de menino
Mama Mundi me ensina
Pra onde seguir
Mãe de gagarin
Mãe de Mestre Vitalino
Me nina, Mama Mundi
Chico César (Catolé do Rocha, Paraíba, 26 de janeiro de 1964) é um cantor e compositor brasileiro, conterrâneo de Chico Ferreira, ceramista divulgado pela Galeria Pontes, onde trabalho
Quando da passagem do centenário do nascimento do artesão, a 10.07.2009, a Prefeitura de Caruaru – PE, fincou ao lado do Museu Mestre Vitalino, uma placa fundida em metal, com esta mensagem:
“No princípio, o barro adormecido.
Em Vitalino às mãos do criador.
O barro desperta, se faz beleza.
Retrata a vitalidade de um povo.
Vitalino é o artista.
E a arte ganha um mestre, para a eternidade…”
Fonte: “Facetas culturais – Música, literatura, sociedade”, site de Francisco Gomes, professor efetivo da rede estadual de ensino (AM) e advogado e de Winnie Barros, filha de Francisco Gomes e psicóloga.
À la Alex
Alegre menina
O que fizeste, sultão, de minha alegre menina
Palácio real lhe dei, um trono de pedraria
Sapato bordado a ouro, esmeraldas e rubis
Ametista para os dedos, vestidos de diamantes
Escravas para serví-la, um lugar no meu dossel
E a chamei de rainha, e a chamei de rainha
O que fizeste, sultão, de minha alegre menina
Só desejava campina, colher as flores do mato
Só desejava um espelho de vidro prá se mirar
Só desejava do sol calor para bem viver
Só desejava o luar de prata prá repousar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar
No baile real levei a tu alegre menina
Vestida de realeza, com princesas conversou
Com doutores praticou, dançou a dança faceira
Bebeu o vinho mais caro, mordeu fruta estrangeira
Entrou nos braços do rei, rainha, mas verdadeira
Entrou nos braços do rei, rainha, mas verdadeira
Dori Caymmi (Rio de Janeiro, 26 de agosto de 1943), Jorge Amado (Itabuna, Bahia, 10 de agosto de 1912 – Salvador, Bahia, 6 de agosto de 2001). Música maravilhosamente interpretada por Djavan (Maceió, Alagoas, 27 de janeiro de 1949)
Encosto de cadeira
Cada um é de um jeito (fragmento)
[…]
Cada um dança como quer.
Cada qual é de um jeito diferente.
Uns são vermelhos, outros brancos.
Pretos ou amarelos.
Uns são jovens, outros velhos.
Bebês e adultos.
São todos retratos de gente.
[…]
Katia Canton (São Paulo, 1962) é psicanalista, escritora, professora e artista visual brasileira. In “O trem da história – Uma viagem pelo mundo da arte”. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2003