Folha seca
Eu antes fugia
de quem queria,
engolia o inverno
seco
frio
Me lavava
sem água
sem escorrer
E me secava,
comia primavera
e mastigava
o que era de mim
descaminhava
a estação
e ava,
ava,
ava
Mas você verá
vocês vão ver
eu Verão.
Juliana Cajives (Goiânia, Goiás, criada em Palmas, 1002). Ontem ela foi vencedora do Prêmio Jabuti 2026 na categoria “Escritor Estreante – Poesia” com seu livro “História a que ninguém deu nome”, Editora Mormaço Editorial. A poesia de Juliana Cajives caracteriza-se por versos livres, narrativas descritivas e uma linguagem voltada ao tangível, ao concreto e ao agridoce. Sua obra explora reflexões profundas, franqueza e a observação do cotidiano. Os vencedores da 68ª edição do Prêmio Jabuti foram anunciados em 27 de outubro de 2026, em cerimônia realizada na Sala São Paulo. O grande destaque da noite foi Ruy Castro, que conquistou o prêmio de “Livro do Ano” pelo segundo ano consecutivo com a obra “Trincheira tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio”, Editora Companhia das Letras
Dois irmãos
Círculo com signos
Resignação
No silêncio das noites perfumosas
Quando a vaga chorando beija a praia,
Aos trêmulos rutilos das estrelas,
Inclino a triste fronte que desmaia.
E vejo perpassar as sombras castas
Dos delírios da leda mocidade;
Comprimo o coração despedaçado
Pela garra cruenta da saudade.
Como é doce a lembrança desse tempo
Em que o chão da existência era de flores,
Quando entoava, ao múrmur das esferas,
A copla tentadora dos amores!
E voava feliz nos ínvios serros
Em pós das borboletas matizadas…
Era tão pura a abóbada do elísio
Pendida sobre as veigas rociadas!…
Hoje escalda-me os lábios riso insano,
É febre o brilho ardente de meus olhos:
Minha voz só retumba em ai plangente,
Só juncam minha senda agros abrolhos.
Narcisa Amália (São João da Barra, Rio de Janeiro, 3 de abril de 1852 — Rio de Janeiro, 24 de julho de 1924) foi poeta, escritora, tradutora e crítica literária, foi reconhecida como a primeira mulher a trabalhar como jornalista profissional no Brasil. Escreveu na revista “A Leitura” (1894 – 1896) muitos artigos sobre o feminismo e a república. Sua obra poética também é voltada ao combate à opressão da mulher na sociedade e o regime escravista
Trançado indígena
Invenção de Orfeu (Trecho)
I
Caída a noite
o mar se esvai,
aquele monte
desaba e cai
silentemente.
Bronzes diluídos
já não são vozes,
seres na estrada
nem são fantasmas,
aves nos ramos
inexistentes;
tranças noturnas
mais que impalpáveis,
gatos nem gatos,
nem os pés no ar,
nem os silêncios.
O sono está.
E um homem dorme.
1952
Jorge de Lima (União dos Palmares, Alagoas, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi um dos poetas mais originais do modernismo brasileiro, transitando entre o regionalismo nordestino e a poesia religiosa e surrealista. Sua obra é marcada por uma linguagem rica, cheia de simbolismos e profundidade existencial. Sua poesia permanece atual porque fala de temas universais—amor, morte, fé e identidade—com uma linguagem que desafia convenções. Seus versos são viscerais, místicos e profundamente humanos, garantem seu lugar entre os maiores nomes da literatura brasileira. Nessa poesia Jorge de Lima alcança aqui o ápice de sua expressão artística, combinando densidade humana e fulgor poético para compor uma epopeia moderna da identidade brasileira. Para isso, dialoga com as grandes tradições literárias — do clássico ao vanguardista, do bíblico ao mitológico. Com audácia, integra o popular e o erudito, o místico e o surreal, sem jamais abandonar seu compromisso com as urgências sociais, denuncia desigualdades e propõe, através da arte, uma transcendência que reconcilie o homem com sua própria história
A arte brotando em Pierina
Um pouco das criações artísticas de Pierina Caneppele Ludovice de Oliveira, filha de um estimado colega dos meus tempos de USP, Flavio Ribeiro de Oliveira, professor doutor da Unicamp e coordenador de Centro de Estudos Clássicos do Instituto de Estudos da Linguagem dessa universidade. Ela é jovem, tem excelente formação acadêmica, domina línguas, em especial o francês, já fez curso técnico em Cine/ TV (Centro de Audiovisual), pós-graduação em Arte Educação (Senac EAD), e atualmente faz licenciatura em Pedagogia (IFSul de Minas), de forma semipresencial. Além disso, ela possui ampla formação complementar nas áreas de artes, cultura e educação.
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Homem com machado
Macintho
A vida de um mercenário russo é infiel pois ele luta por uma causa ganha e essa se torna uma guerra podre.
Escrito na década de 1980