Papoulas em julho
Pequenas papoulas, pequenas chamas do inferno,
vocês não queimam?
Vocês se mexem. Não posso tocá-las.
Meto as mãos entre as chamas. Nada me queima.
E me cansa ficar aqui olhando.
Vocês se mexendo assim, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca.
Uma boca sangrando.
Pequenas franjas sangrentas!
Há fumos que não posso tocar.
Onde estão seus sedativos, suas cápsulas que enjoam?
Se eu pudesse sangrar, ou dormir! –
Se minha boca se unisse a essa ferida.
Ou se seus licores me sedassem, nessa cápsula de vidro.
Entorpecendo e apaziguando.
Mas sem cor. Incolor.
Sylvia Plath (Boston, Massachusetts, Estados Unidos, 27 de outubro de 1932 — Londres, Inglaterra, Reino Unido, 11 de fevereiro de 1963). In “Poemas”. Organização, tradução, ensaios e notas de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça. São Paulo: Iluminuras, 1991
Martim, Tim, Nico, Nenê – Tantos pássaros
Relançamento do livro “Excelsior” com a presença de Alex Červený
Terça, 24/02, 19h, na Livraria da Travessa Pinheiros (@livrariadatravessa)
“Excelsior”, livro em parceria entre Alex Červený (@alexcerveny) e Giancarlo Hannud (@giancarlo.hannud)
Este é o primeiro livro abrangente dedicado à obra de Červený, em publicação bilíngue e com edição da Galeria Almeida & Dale e da Ubu
”Excelsior” é uma jornada visual e textual pelo universo poético de um dos artistas mais singulares da arte brasileira contemporânea.
O livro se abre com uma carta do artista ao leitor, na qual Červený apresenta de forma bem-humorada sua abordagem e oferece ferramentas interpretativas para o engajamento com suas imagens. Em seguida, uma introdução do curador e crítico de arte francês Nicolas Bourriaud situa o artista no campo expandido da arte contemporânea e da imaginação crítica, enquanto um ensaio de Giancarlo Hannud propõe uma leitura de seu repertório simbólico à luz de suas vivências sob a ditadura civil-militar, de suas viagens e deslocamentos, e de um repertório formativo que inclui desde a cultura de massa e a vida familiar até os primeiros encontros com a arte.
Livraria da Travessa Ltda. – www.travessa.com.br | Pinheiros
Rua dos Pinheiros, 513
Pinheiros, São Paulo − SP
CEP: 05422-010 / (11) 2394-6059
segunda a sábado | das 10h às 22h
domingos e feriados | das 10h às 21h
Alex Červený
Arte
studio@alexcerveny.com
almeidaedale.com.br/artistas/alex-cerveny
João, suas criações, seus amigos e nós
Pierre recitando “Do espírito das leis” de Montesquieu em francês
O ideal da Revolução Francesa e mais
1) Comente a seguinte frase: “O ideal da Revolução Francesa não era simplesmente uma mudança do sistema francês, mas sim uma regeneração de toda a raça humana”.
Sinteticamente podemos pensar a Revolução Francesa como uma erupção da modernidade, marcada por uma profunda transformação revolucionária e que teve profundas consequências para toda a humanidade em sua época até os dias de hoje. Uma forma de ver isso são os termos e vocábulos que surgiram com ela, tanto para a política liberal como para a radical-revolucionária.
Colocaria como exemplo os termos racionalismo, liberal, direita, esquerda, burguesia e proletariado e o próprio termo revolução. Ela foi essencialmente uma revolução social de massa e teve um forte cunho radical e revolucionário, alterando profundamente as relações políticas da época.
Em termos da teoria política econômica ela representava modelo clássico, pois com ela foi finalmente abolido o feudalismo e o Estado absolutista na França. Como sabemos a questão da transição do feudalismo para o capitalismo é um tema bastante polêmico e debatido no meio acadêmico.
Parece-me importante tentar entender a natureza dos Estados europeus ocidentais no século XVIII, para entender de fato a importância desse marco histórico em foco. Nessa época, predominava-se a Monarquia Absolutista e que pode ser definida, grosso modo, como uma melange entre o arcaico e o moderno. Engels nos dá a definição clássica, quando caracteriza como um Estado de equilíbrio entre a aristocracia e o a burguesia, de tal forma que possibilita uma autonomia à coroa (rei). A revolução eclode contra o Antigo Regime, que em França era marcado pela decadência lenta daquele país como potência. Ela vivia uma situação econômica frágil e complicada e reformas são tentadas, não obtendo sucesso.
Na tentativa de tender melhor o processo revolucionário daremos um sintético panorama de suas principais fases, inicialmente devido à situação de impasse gerado pela crise são convocados os Estados Gerais, que significaram uma admissão pela coroa da inviabilidade do absolutismo como sistema de governo. O terceiro Estado cresce como força política nesse processo e decide, num segundo momento reunir-se por contra própria e convocar os outros Estados, reunindo-se em Assembleia Geral. O seu grande marco foi a queda da Bastilha em 14 de Julho, pois essa simbolizava a autoridade do poder real absolutismo da França. Ela foi tomada por revolucionários em busca de armamento. A revolução deixou um manifesto formal que foi a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão.
A fase das Assembleias constituinte é marcada pelas radicalizações e reforma, sendo que os seus empreendimentos institucionais foram os mais duradouras. Em 1792, após a eclosão da guerra, ocorro uma Segunda revolução com a república Jacobina (marcada pelo terror) e consequentemente a era de Napoleão. A França entrou em uma guerra geral que foi ocasionada extrema direita e pela esquerda moderada.
Reforçando a Segunda parte da frase proposta para descrição (… mas sim uma regeneração de toda a raça humana”), diríamos que inclusive nessa fase; a guerra gera, significava para os franceses e para os simpatizantes no exterior uma forma de promover “triunfo universal da liberdade” de levar com grande paixão a liberdade para os povos marcados pela opressão era dever da pátria da revolução libertar os outros ovos, o que deu ao exército francês uma energia muito grande, que foi marcado por uma série de vitórias e glórias.
Com a auto dissolução da Assembleia e a vinda da Convenção o quadro vai se radicalizar, com os jacobinos assumindo o poder em 1772, Proclama-se a República, surgindo do ponto de vista ideológico a ideia de uma modificação total da existência, ocorrendo fatos simbólicos interessantes, como por exemplo, a modificação dos calendários. Temos uma ideia de recriação do mundo. Com a crise do jacobinismo temos a ascensão de Napoleão e a grande difusão da revolução pela Europa devido às conquistas militares e políticas.
2) Discuta o influência de Locke e Montesquieu no pensamento político da revolução americana
Parece-me patente e clara a influência desses dois grandes pensadores políticos na revolução norte-americana. Um reflexo claro da mesma é a obra “O Federalista” cuja discussão crítica pretendo elaborar agora.
Em sua introdução, o autor apresenta o fato, tentando apontar a insuficiência do governo federalista. Os autores (Hamilton, Madison e Jay) chamam os leitores a deliberar sobre uma nova Constituição para os EUA. A questão a ser resolvida era se os homens são capazes de se dar a si mesmos um bom governo por própria reflexão e escolha, ou se estão condenados a receberem eternamente a sua constituição política. Afirmam que esse projeto fere tanto a um grande número de interesses particulares, como a instituições e a uma série de combatentes que se movem por vistas, paixões e prejuízos contrários ao descobrimento da verdade.
Entre obstáculos que esse projeto de Constituição fere estão o interesse de certa classe de indivíduos de cada província em terem uma diminuição de seu poder e vantagens que a administração que a administração da época lhes possibilitava (eles apostavam na divisão do país em confederações particulares do que na sua reunião em um só governo). O autor pondera sobre os tipos de governo e sobre o teor do mesmo, analisando tanto os casos de um governo déspota e sem liberdade e de um governo democrático e livre. Afirma que basta consultar a história para ver qual das duas vias discutidas tem conduzido mais vezes ao despotismo. A maior parte daqueles que destruíram a liberdade das Repúblicas começaram a ser tiranos, fazendo-se demagogos e conseguindo a benevolência do povo.
Mostra, com suas observações, que o que deve mover um bom governo é unicamente a verdade. A tendência delas é no sentido de fazer-nos ver que as ideias foram ditadas por um espírito favorável à nova constituição, cuja adoção consiste o interesse pela liberdade daquele povo em foco, de seu poder e de sua felicidade.
Montesquieu claramente é um influenciador nessa obra. Basta vermos o título de um dos capítulos, que propõe examinar e explicar o princípio da separação de poderes, elaborado de forma articulada por ele.
De forma resumida, essa obra propõe-se a discutir os seguintes objetos: (a) a utilização da União à prosperidade política; (b) a insuficiência da Confederação da época para mantê-la; (c) a necessidade de um governo ao menos tão enérgico como aquele que eles propõem; (d) a conformidade da Constituição proposta com os verdadeiros princípios do governo republicano, a sua analogia com a Constituição dos estados americanos e o aumento e a segurança da manutenção desta espécie de governo, da liberdade e da prosperidade, que o projeto pretende resultar. Caso contrário, ocorre o risco da União desmembrar-se.
Artigo feito durante a minha estadia na Universidade De São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, na data de 26/04/89, para o curso de Ciências Sociais, matéria Política III, ministrada pelo professor Eduardo Kugelmas
Meu nº. USP: 5261633
Tentativa de contorcionismo
Folclírica 1
Esta noite
contei estrelas.
Amanheci
com uma verruga
de luz em cada dedo.
(seriam os anéis de saturno
alunissados na mão
da irmã da lua?…)
1976
Ilka Brunhilde Laurito (São Paulo, 10 de julho de 1925 – Corumbataí, São Paulo, 11 de dezembro de 2012) foi uma escritora, poetisa e professora brasileira. In “Sal do lírico: Antologia poética”, São Paulo: Edições Quíron, 1978