Cada um é de um jeito (fragmento)
[…]
Cada um dança como quer.
Cada qual é de um jeito diferente.
Uns são vermelhos, outros brancos.
Pretos ou amarelos.
Uns são jovens, outros velhos.
Bebês e adultos.
São todos retratos de gente.
[…]
Katia Canton (São Paulo, 1962) é psicanalista, escritora, professora e artista visual brasileira. In “O trem da história – Uma viagem pelo mundo da arte”. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2003
Muito ainda se tem a dizer
Balada de Di Cavalcanti
Carioca Di Cavalcanti
É com a maior emoção
Que este também carioca
Te traz esta saudação.
É de todo o coração
Poeta Di Cavalcanti
Que este também poetante
Te faz esta sagração.
Amigo Di Cavalcanti
Amigo de muito instante
De alegria e de aflição
Nos teus treze lustros idos
Cinco foram bem vividos
Bem vividos e bebidos
Na companhia constante
Deste também teu irmão.
Quantos amigos já idos!
Quantos ainda partirão!
Mestre pintor Emiliano
Augusto Cavalcanti
De Albuquerque: ou melhor Di
Um ano segue a outro ano
Diz o vulgo por aí
E daí? se mais humano
Fica um homem (igual a ti!)
Mesmo entrando pelo cano?
Se pode dizer: vivi!?
Viveste, Di Cavalcanti
Foste amigo e foste amante
Não há outro igual a ti
Juntos bebemos champagne
Uísque, vinho, parati
Juntos rimos e choramos
No México e em Paris
Juntos tivemos e amamos
Mulheres daqui e dali
Maria… quantas Marias…
(Fiquei mesmo por aí.)
Que bom seria, Emiliano
Se Ovalle estivesse aqui!
Que bom seria se Noemia
Braço dado
(Vê minha mão como treme… )
Viesse abraçar-te, Di!
Vinícius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 – Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980). Nos sessenta e cinco anos do pintor mais jovem do Brasil
Sentindo esse mundo
Poema essencialista
A madrugada de amor do primeiro homem
O retrato da minha mãe com um ano de idade
O filme descritivo do meu nascimento
A tarde da morte da última mulher
O desabamento das montanhas, o estancar dos rios
O descerrar das cortinas da eternidade
O encontro com Eva penteando os cabelos
O aperto de mão aos meus ascendentes
O fim da ideia de propriedade, carne e tempo
E a permanência no absoluto e no imutável.
Murilo Mendes (Juiz de Fora, Minas Gerais, 13 de maio de 1901 — Lisboa, Portugal, 13 de agosto de 1975)
Surgindo da cortina 2
Inércia
O poeta quer se locomover.
Para que bonde, navio, avião e zeppelin
Se já te encontrei e estás comigo?!
Para que,
Se tu és para mim o universo inteiro?!
Para que,
Se estamos juntos da cabeça aos pés?!
Ismael Nery (Belém, Pará, 9 de outubro de 1900 – Rio de Janeiro, 6 de abril de 1934) foi um pintor, desenhista, arquiteto, filósofo e poeta brasileiro de influência surrealista. Segundo Bernardo Lins Brandão, a sua poesia, assim como a de Murilo Mendes e a de Jorge de Lima, foram inspirados nos preceitos surrealistas e pela filosofia essencialista formulada pelo próprio Ismael nos anos 20
Luiza Maria da Silva Matosinho e o seu Facebook (2,4 mil seguidores)
“Simplesmente ame. Sem o amor é impossível ter outras virtudes.”
Pedagoga – São Paulo – SP
Criadora de conteúdos digitais
Escola Estadual Professor Fidelino de Figueiredo
PUC-SP
Suas criações de conteúdo encontrando a minha arte e dando às mãos…