Chegando o Natal e já vem raiando um novo ano…

Boas festas! Tenha um ótimo Natal e que o espírito natalino preencha seus dias de luz. E que o Ano Novo traga inspiração para grandes realizações, muita prosperidade e alegrias. Feliz 2026!

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Anniversarius, João

Hoje meu filho querido completa mais um ciclo: 20 primaveras. Parabéns João: Muita saúde, sucesso e paz! Um pouco depois de seu nascimento escrevi “Bunico”. Segue um trecho…

“(…)
Um séquito de aves na praça que meu pai gostava
E onde conheci tua mãe e comecei a sonhar contigo,
Te esperam para a comitiva que te seguirá.
O pio da mata ecoou no ventre da mãe Luiza e te acalentou.
O girino, o ovo, o feto, o bebê, o homem, o ser.
A mágica da vida e a eterna música do tempo.
No belo canto do curió e do uirapurú.
A Amazônia, o Pantanal, a mata ciliar do Paranapanema,
As curvas do pai Tietê, o céu de minha terra que é São Paulo
Que a todos recebeu e que é tua também.
As veredas de um João e o os Severinos de outro.
(…)
Um João para nos ajudar a nos redescobrir.
(…)”

Leia na íntegra: https://ematosinho.com.br/?p=472

Aos nossos filhos

Perdoem a cara amarrada
Perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço
Os dias eram assim

Perdoem por tantos perigos
Perdoem a falta de abrigo
Perdoem a falta de amigos
Os dias eram assim

Perdoem a falta de folhas
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha
Os dias eram assim

E quando passarem a limpo
E quando cortarem os laços
E quando soltarem os cintos
Façam a festa por mim

E quando largarem a mágoa
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água
Lavem os olhos por mim

Quando brotarem as flores
Quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos
Digam o gosto pra mim

Digam o gosto pra mim

Ivan Lins (Rio de Janeiro, 16 de junho de 1945) / Vitor Martins (Ituverava, São Paulo, 22 de novembro de 1944). Canção brilhantemente interpretada por Elis Regina (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 17 de março de 1945 — São Paulo, 19 de janeiro de 1982)

Peleja de Manoel Riachão com o Diabo (Primeiras 3 páginas do cordel)

Riachão estava cantando
na cidade do Assu
quando apareceu um negro
da espécie de urubu
tinha a camisa de sola
e as calças de couro cru

Beiços grossos e virados
como a sola do chinelo
um olho muito encarnado
e o outro muito amarelo
esse chamou Riachão
para cantar um martelo

Riachão disse: eu não canto
com negro desconhecido
porque pode ser escravo
e andar aqui fugido
isso é da cauda a nambu
e entrada a negro enxerido

O negro – Sou livre como vento
a minha linhagem é nobre
sou um dos mais ilustrados
que o sol nesse mundo cobre
nasci dentro da grandeza
não sai de raça pobre

Riachão – Você nega porque quer
está conhecido demais
você anda aqui fugido
me diga que tempo faz?
se você não for cativo
obras desmentes sinais

O negro – Seja livre ou seja escravo
eu quero cantar martelo
afine sua viola
vamos entrar em duelo
só com a minha presença
O senhor está amarelo

Riachão – Vejo um vulto tão pequeno
que nem posso enxergar
julgo que nem é preciso
nem a viola afinar
pela ramagem da árvore
ver-se o fruto qu’ela dá

O negro – Riachão, isso é frase
de homem muito atrasado
porque são vistos fenômenos
que na terra tem se dado
uma cobra tão pequena
mata um boi agigantado

Riachão – Meu Riacho pela sêca
dá cheias descomunais
na correnteza das águas
descem grandes animais
Jiboias, sucurujubas
e monstruosos “jaguais”

O negro – O jaguar rende-me culto
a serpente a meus pés morre
no que chegar minha ira
só um poder o soccorre
digo ao rio: pare aí:
a água para e não corre

Riachão – Você não é Josué
que mandou o sol parar
e esse passou três dias
para guerra se acabar
nem Moisés com a vara
fez o mar também secar

O negro – Faça tudo o que quiser
minha força é sem limite
os feitos por mim obrados
não vejo homem que os cite
eu determino uma cousa
não há força que evite

Riachão – Salomão também fazia
o que queria fazer
por meio de mágica e química
quis novamente nascer
mas em vez do nascimento
conseguiu ele morrer

Leandro Gomes de Barros (Pombal, Paraíba, 19 de novembro de 1865 — Recife, Pernambuco, 4 de março de 1918). Foi um dos maiores poetas populares do Brasil, considerado o “Rei do Cordel”, que narrou o sertão, a seca, o cangaço, a fé e os costumes nordestinos em cerca de mil folhetos, deixando um legado fundamental para a literatura de cordel, com obras que exploram o drama, a crítica social e a religiosidade.

Cordel recomendado via mensagem no Instagram pela fotógrafo de rua, retratos e foto-documentário, escritor, dramaturgo e professor de história pernambucano Tiago da Silva Palma (@tiago_historiarte) um dia após nossa conversa na Bibli-Aspa.

Redescobrir

Como se fora a brincadeira de roda
Memória!
Jogo do trabalho na dança das mãos
Macias!
O suor dos corpos, na canção da vida
Histórias!
O suor da vida no calor de irmãos
Magia!

Como um animal que sabe da floresta
Memória!
Redescobrir o sal que está na própria pele
Macia!
Redescobrir o doce no lamber das línguas
Macias!
Redescobrir o gosto e o sabor da festa
Magia!

Vai o bicho homem fruto da semente
Memória!
Renascer da própria força, própria luz e fé
Memorias!
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós
História!
Somos a semente, ato, mente e voz
Magia!

Não tenha medo meu menino povo
Memória!
Tudo principia na própria pessoa
Beleza!
Vai como a criança que não teme o tempo
Mistério!
Amor se fazer é tão prazer que é como fosse dor
Magia!

Como se fora a brincadeira de roda
Memória!
Jogo do trabalho na dança das mãos
Macias!
O suor dos corpos na canção da vida
Histórias!
O suor da vida no calor de irmãos
Magia!

Como se fora a brincadeira de roda
Memória!
Jogo do trabalho na dança das mãos
Macias!
O suor dos corpos na canção da vida
Histórias!
O suor da vida no calor de irmãos
Magia!

Como se fora a brincadeira de roda
Memória!
Jogo do trabalho na dança das mãos
Macias!
O suor dos corpos na canção da vida
Histórias!
O suor da vida no calor de irmãos
Magia!

Como se fora brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

Como se fora brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, conhecido como Gonzaguinha (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1945 – Renascença ou Marmeleiro, Paraná, 29 de abril de 1991). Brilhantemente interpretada por Elis Regina (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 17 de março de 1945 — São Paulo, 19 de janeiro de 1982) e coro