Heróis, deusas, deuses e semideuses da mitologia grega

14 personagens de narrativas, lendas e crenças religiosas da Grécia Antiga

“Sou José Prado, artista visual, arquiteto e psicanalista.

Paulistano por adoção, natural de Bebedouro/ SP, vivendo em São Paulo desde 1968. Iniciei meus estudos superiores na Escola Politécnica de São Paulo, mas me transferir para a FAU/ USP onde me formei arquiteto urbanista em 1976. Foi na Faculdade de Arquitetura que tive minha formação em artes visuais como os artistas/ professores Flávio Motta, Renina Katz, Flávio Império, entre outros.

Depois como professor de arquitetura ensinei desenho no laboratório de linguagem arquitetônica da FAU/ USJT.

Minha fruição da arte e contato com os grandes mestres iniciou-se no MASP Museu de Arte de São Paulo, onde eu fiz um curso de história da arte. E depois na Pinacoteca de São Paulo, onde dei aula arquitetura, na faculdade da Belas Artes, então ali localizada, por muitos anos.

Posteriormente em viagens internacionais tive oportunidade de ampliar meu repertório de arte, em estudos e observações em importantes museus da Europa, especialmente no Museu do Louvre e no Museu de Orsay, onde encontrei meu grande mestre: Henri Matisse, que fortemente me influenciou com seu desenho livre e suas cores forte e exuberantes.

Foi a pandemia com os seus isolamentos compulsórios e os atendimentos remotos de meus analisandos, que me predispôs a produção artística, primeiro com a utilização de pincéis hidrográficos e posteriormente com a técnica digital.

Meus trabalhos atuais são desenhos digitais desenvolvidos no programa PicCollage, buscando uma expressão gestual, tendo como base visual os grafites urbanos.

Utilizando em sua execução uma paleta de cores fortes, de luminosidade tropical, em linhas e planos sobrepostos.

Que para mim resultam composições expressionistas de grande carga simbólica.”

José Prado Neto – Artista, arquiteto, urbanista, contista e psicanalista

Contatos:
www.instagram.com/josepradoneto
WhatsApp: (11) 9 9846-0868

Duas vezes Manoel, o “poeta do Pantanal”: O guardador de águas IV e As bênçãos

Manoel de Barros ganhou o Prêmio Jabuti duas vezes, em 1989/ 1990 quando venceu na categoria Poesia com o livro “O guardador de águas” (publicado em 1989), e em 2002 quando venceu na categoria Livro do Ano de Ficção com “O fazedor de amanhecer”.

IV

O que ele era, esse cara

Tinha vindo de coisas que ele juntava nos bolsos –
por forma que pentes, formigas de barranco, vidrinhos
de guardar moscas, selos, freios enferrujados etc.
Coisas
Que ele apanhava nas ruínas e nos montes de borra de
mate ( nos montes de borra crescem abobreiras
debaixo das abobreiras sapatos e pregos engordam…)
De forma que recolhia coisas de nada, nadeiras, falas
de tontos, libélulas – coisas
Que o ensinavam a ser interior, como silêncio nos
retratos.
Até que de noite pôs uma pedra na cabeça e foi embora
Estrelas passavam leite nas pedras que carregava.
Vagou transpedregosos anos.
Se soube que atravessou Paris de urina presa.
Estudou anacoreto.
Afez-se com as entradas e o cheiro de ouro dos
escaravelhos.
Um dia chegou em casa árvore.
Deitou-se na raiz do muro, do mesmo jeito que um rio
fizesse para estar encostado em alguma pedra.
Boca não abriu mais?
Arbora em paredes podres.

In “O guardador de águas”, Editora Alfaguara, 2017

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As bênçãos

Não tenho anatomia de uma graça pra receber em mim os perfumes do azul. Mas eu recebo.
É uma benção.
Às vezes se tenho uma tristeza, as andorinhas me namoram mais de perto. Fico enamorado.
É benção.
Logo dou aos caracóis ornamentos de ouro para que se tornem peregrinos do chão.
Eles se tornam.
É uma bênção.
Até alguém já chegou de me ver passar a mão nos cabelos de Deus!
Eu só queria agradecer.

In “O fazedor de amanhecer”, ilustração de Ziraldo, Editora Salamandra, 2014

Manoel de Barros (Cuiabá, Mato Grosso, 19 de dezembro de 1916 – Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014) e Ziraldo Alves Pinto (Caratinga, Minas Gerais , 24 de outubro de 1932 – Rio de Janeiro, 6 de abril de 2024)

Nota: O livro O guardador de águas (1989) é composto por poemas numerados em algarismos romanos que dão voz a Bernardo da Mata, um alter ego andarilho e amigo do poeta. Nele Manoel diz que poeta é quem guarda águas. Não ouro, dinheiro ou informação, mas águas. Guardar também é cuidar. As águas não são exatamente coisas, elas são fluxos. O poeta cuida de fluxos. Fluxos dentro e fora dele. Cuidar dos fluxos é deixá-los passar, ir; cuidar deles é o oposto de construir barreiras, represas, muros, obstáculos, gramáticas. Os fluxos são sempre desterritorializados e desterritorializantes. Não se pode “passar régua” sobre eles, não se pode codificá-los, estriá-los. Os fluxos são lisos, esquizos, nômades, andaleços. Só se pode guardar fluxos sendo também um. Os fluxos nascem de fluxos, não de coisas imóveis ou fixas. O rio amazonas não nasceu da geleira parada, mas da geleira devindo fluxo, pingando, correndo, fluindo. Os fluxos somente podem ser guardados em espaços abertos, horizontados; seja esse espaço horizontado o pantanal, a mente ou o coração. O horizonte guarda a paisagem, mas sem cercá-la, sem se dizer dela o dono.

O poema que dá título ao livro “O fazedor de amanhecer” apresenta a recusa do autor por invenções úteis em troca de criações poéticas e imaginárias. Nesse poema completo Manoel de Barros relata sua falta de apetite para inventar coisas úteis e cita suas criações como a “manivela para pegar no sono” e o “fazedor de amanhecer”, pode ser consultado integralmente na fonte referenciada. O olhar da infância, o apreço pelo inútil, a natureza e a brincadeira com as palavras. Também é o registro da união desses dois “maluquinhos”. Dois grandes homens que nunca deixaram de ser crianças”. Pois temos:
Como autor Manuel de Barros e como ilustrador Ziraldo

Ziraldo foi um cartunista, chargista, pintor, escritor, dramaturgo, cartazista, caricaturista, poeta, cronista, desenhista, apresentador, humorista, advogado e jornalista brasileiro.

Ziraldo, o poeta da cor e da forma e Manoel de Barros, o poeta da palavra, que pega infinito em antena de mosca, colhe flor lascada na pedra, entorta paisagens só para o amor caber nelas. Os poemas de Manoel de Barros – ele já disse mais de uma vez – não são para ninguém entender. São para a gente esfregar nos olhos, espreguiçar e acordar mais feliz. E quando Manoel escreve e Ziraldo ilustra, a poesia acorda toda arrepiada de Sol… e quem amanhece é o leitor

Helena retornando com suas personagens divertidas

Helena Pennella Rocha de Oliveira

Escreve sua mãe, Isabella Pennella: “Essa daqui é o autorretrato dela”…
Com apenas 12 anos de idade e cursando o 7º ano, a Helena tem um talento muito especial para transformar papel em branco em mundos cheios de vida. Fascinada pelo universo dos desenhos e das animações, ela usa este espaço como uma janela para compartilhar suas criações, seus estudos diários e a sua evolução constante como jovem artista.

A criatividade que vai para o papel tem uma grande fonte de combustível: Helena é uma leitora voraz. Ela é apaixonada por livros e adora colecionar e ler revistas em quadrinhos, que servem como sua maior inspiração para imaginar novos personagens, ângulos e narrativas visuais.

Mas quem pensa que ela passa o dia todo apenas na mesa de desenho ou mergulhada nas leituras está enganado! Fora do mundo das artes e das páginas, a Helena é puro movimento e adrenalina. Ela é uma aventureira que ama a velocidade de andar de skate e a diversão clássica de descer ladeiras com seu carrinho de rolimã. Essa mesma energia e dinamicidade que ela tem nas ruas estão sempre presentes nas cores e nos traços de suas ilustrações.

Disritmia

Eu quero me esconder debaixo dessa sua saia
Pra fugir do mundo
Pretendo também me embrenhar no emaranhado
Desses seus cabelos
Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração, que é tão vagabundo

Me deixa te trazer num dengo pra num cafuné
Fazer os meus apelos
Me deixa te trazer num dengo pra num cafuné
Fazer os meus apelos

Eu quero ser exorcizado pela água benta
Desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado, mas pelas retinas
Desses olhos lindos
Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia

Vem logo, vem curar seu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar seu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Eu quero ser exorcizado pela água benta
Desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado, mas pelas retinas
Desses olhos lindos
Me deixe hipnotizado pra acabar de vez
Com essa disritmia

Vem logo, vem curar seu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar seu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Vem logo, vem curar seu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar seu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Vem logo, vem curar seu nego
Que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar seu nego
Que chegou de porre lá da boemia

Martinho da Vila (Duas Barras, Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 1938)

Senhora das águas

Carijós, Canindés, Taperaguases,
Caboclo Tupy, Tapirapés,
Caboclinhos Tabajaras,
É ela a mulher, Senhora das Águas,
É ela a mulher, Ôô ô Iara…

Vem lá do Norte
O negro dos olhos
Cabelos e lábios de mulher
Deusa tão forte
Nas águas escuras
Caboclo se entrega aos seus pés

É guardiã
Dos rios, da mata,
Se enfeita com a flor do mururé
Ela é irmã
Do fogo que arde
No sangue da presa que lhe quer

Sirena chamou
Marujo sumiu
Sereia cantou
Iara levou
O tapuio pro rio

O canto que essa mulher detém
Toda floresta não será capaz
De suportar, de tanta magia,
Aracuã vadia, já não canta mais

Quando ela sai, leva mil reféns
No igarapé, sobressalta a paz,
Céu escurece e o vento esfria
Jassanã se avia, capiuara atrás

Iara é lenda que do povo vem
Mora na fé de todo rapaz
De se perder nessa febre estranha
Da pele castanha que a morena traz

Dalva Torres, conhecida como a “diva do choro” (Pernambuco, por volta de 1941 ou 1942) e João Araújo ou João Poeta (Recife, Pernambuco, 13 de março de 1975). Esta música é um caboclinho (gênero musical e folguedo carnavalesco de Pernambuco). Foi premiada em festivais de frevo e cultura carnavalesca de Recife (como o Recifrevo). Este gênero musical evoca a cultura indígena brasileira, o rufar dos taréis/ curimbas e o som característico da preaca (arco e flecha usados como instrumento percussivo). A letra faz referência direta a tribos e nações indígenas — como Carijós, Canindés, Taperaguases e Tabajaras — e mescla essa ancestralidade com a figura mitológica da Iara (a mãe-d’água, a deusa dos rios e igarapés da região norte/ amazônica que também habita o imaginário popular nordestino). A canção descreve a força mágica da natureza, os encantos das matas e das águas escuras dos rios

A carta de Pero Vaz de Caminha – Primeiro relato oficial sobre a existência do Brasil

“Senhor:
Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que — para o bem contar e falar — o saiba pior que todos fazer.
Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.
Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse cuidado. Portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo:
A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de março. Sábado, 14 do dito mês, entre as oito e nove horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grã- Canária, e ali andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, ou melhor, da ilha de S. Nicolau, segundo o dito de Pero Escolar, piloto.
Na noite seguinte, segunda-feira, ao amanhecer, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nau, sem haver tempo forte nem contrário para que tal acontecesse. Fez o capitão suas diligências para o achar, a uma e outra parte, mas não apareceu mais!
E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, estando da dita Ilha obra de 660 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam fura-buxos.

(…)

Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.
E que aí não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute, bastaria. Quando mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa santa fé.
E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza do que nesta vossa terra vi. E, se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, que o desejo que tinha, de Vos tudo dizer, mo fez assim pôr pelo miúdo.
E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que leva, como em outra qualquer coisa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há-de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer graça especial, mande vir da ilha de S. Tomé a Jorge de Osório meu genro – o que d’Ela receberei em muita mercê.
Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de Maio de 1500.”

Pero Vaz de Caminha

(E adaptada por Jaime Cortesão, sendo que este foi um projeto realizado para a Folha de S. Paulo pela Publifolha, em parceria com a Comissão Nacional para as Comemorações do V Centenário do Descobrimento do Brasil).

Projeto gráfico: Ettore Bottini
Textos:
Apresentação: Carlos Rosa
A Carta Magna do Brasil: Eduardo Bueno
Revisão: Carla C. C. S. Mello Moreira
Capa: reprodução da primeira página do original da Carta de Pero Vaz de Caminha
Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, Portugal.

© 1999 Empresa Folha da Manhã S.A. para a presente edição, sob licença da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, Portugal

Notas:

Ocorreu às vésperas das comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil (celebrados em 2000) e essa coleção integrou a série de publicações históricas e paradidáticas do jornal. Seu objetivo foi tornar o documento histórico mais acessível ao público geral, trazendo notas explicativas e contextualização da época.

Sobre a obra original

Autor: Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral
Data original: Escrita em Porto Seguro entre 26 de abril e 1º de maio de 1500
Destinatário: Rei Dom Manuel I de Portugal
Conteúdo: Descreve a viagem, o primeiro contato com os povos indígenas, a fauna, a flora e as impressões iniciais sobre a nova terra