Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor

Pilha de livros (https://ematosinho.com.br/?p=8473)

Nessa quinta-feira, 23 de abril de 2026, comemora-se o O Dia Mundial do Livro, data instituída pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 1995 para promover o prazer da leitura, a publicação de livros e a proteção dos direitos autorais. A data homenageia grandes autores e destaca o poder transformador dos livros como instrumentos de cultura, conhecimento e diálogo entre povos.

Os óculos escuros

Esconder. Figura deliberativa: o sujeito apaixonado se pergunta, não se deve declarar ao ser amado que o ama (não é uma figura de confissão), mas até que ponto deve esconder dele suas “perturbações” (as turbulências) da sua paixão: seus desejos, suas aflições, enfim, seus excessos (na linguagem raciniana *: seu furor).

Mme de Sevigné

1. X… saiu de férias sem mim, e não me deu nenhum sinal de vida desde a sua partida: acidente? greve dos Correios? indiferença? tática da distância? exercício de um querer-viver passageiro (“sua juventude é gritante, ele não ouve”)? ou simples inocência? Cada vez mais me angustio, passo por todos os atos do roteiro da espera. Mas, assim que X… reaparecer de uma maneira ou de outra, pois não pode deixar de fazê-lo (pensamento que deveria imediatamente tornar vã toda angústia), que lhe direi? Devo esconder dele minha perturbação? – que já passou (“como vai você?”)? Fazê-la explodir agressivamente (“Não está certo, você bem que poderia…’) ou dramaticamente (“Que preocupação você me deu”)? Ou ainda, deixar passar delicadamente essa perturbação, ligeiramente, para torná-la conhecida sem afligir o outro (“Eu estava um pouco preocupado…”)? Uma segunda angústia toma conta de mim, que é de ter que decidir sobre o grau de publicidade que darei a minha angústia primeira.

* De Racine. (N. da T.)

Roland Barthes (Cherbourg-Octeville, França, 12 de novembro de 1915 — Paris, 26 de março de 1980) foi um escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês. In “Fragmentos de um discurso amoroso” (“Fragments d’un discours amoureux”, bibliografia) / [compilado por] Roland Barthes; tradução de Hortênsia dos Santos. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora, 1981. 2ª. edição

Breve resumo da história do Brasil: A história recente

Após o golpe militar ocorrido em abril de 1964, as primeiras medidas tomadas destinaram-se a anular atos do governo anterior e reprimir aqueles que poderiam opor-se ao novo regime: revogação dos decretos de nacionalização das refinarias de petróleo e desapropriação de terras; cassação e suspensão dos direitos políticos de 378 pessoas, entre as quais três ex-presidentes, seis governadores estaduais e 55 membros do Congresso Nacional, demissão de 10.000 funcionários públicos e instauração de 5.000 investigações, envolvendo 40.000 pessoas. O movimento sindical brasileiro foi bastante atingido pelo golpe, com suas principais lideranças cassadas e intervenção nos sindicatos.

Apesar do cerceamento imposto, aos poucos, a sociedade civil foi se reorganizando após a intervenção militar. Em março de 1974, o presidente general Ernesto Geisel apresentou uma proposta de uma abertura política “lenta, gradual e segura”. A partir de 1978, o movimento sindical volta à cena política, realizando greves e manifestações no ABC paulista. Em todo o país, ressurgem, aos poucos, as organizações sindicais.

Em 1984, as gigantescas mobilizações populares em favor das eleições diretas para presidente da República tornaram clara a intenção do povo brasileiro de tomar conta de seu próprio destino, ampliando os limites do projeto político dos militares e acelerando o seu ritmo. Um cauteloso projeto de anistia política foi ampliado por uma intensa mobilização da opinião pública, a ponto de possibilitar a volta ao Brasil de praticamente todos os exilados pelo regime militar. Nos últimos tempos do regime militar ainda ocorriam intervenções nos sindicatos mais combativos, mas, frequentemente, os próprios empresários eram levados a negociar com os líderes afastados, e não com os dirigentes indicados pelo regime militar.

Depois de um longo processo de lutas, que culminou com a elaboração de uma nova constituição, finalmente, em 1989, foi restabelecida a eleição direta para presidente.

A década de 80, no Brasil, foi um período de intensa atividade política e de grave crise econômica.
Sucessivos planos de estabilização econômica foram implementados, sem êxito. No plano sindical, deve-se destacar a crescente participação das organizações sindicais na discussão dos destinos do país e seu crescente nível de organização, inclusive com a criação das Centrais Sindicais. Foram fundadas a CUT – Central Única dos Trabalhadores, a CGT – Central Geral dos Trabalhadores e a CGT – Confederação Geral dos Trabalhadores. Nos anos recentes, foi criada também a Força Sindical.

O quadro socioeconômico do país mostra um cenário de desigualdades crescentes, com o empobrecimento e a marginalização de um vasto contingente da população. Ao longo das últimas décadas, em que pese a resistência de alguns setores da sociedade, em particular o movimento sindical, a distribuição da riqueza do país tem se tornado cada vez mais perversa e mantém-se o processo inflacionário crônico.

Em 1990, os 10% mais pobres detinham 0,8% da renda nacional, enquanto os 1% mais ricos concentravam 13,9%. Em termos da distribuição da renda entre capital e trabalho, em 1988, os rendimentos do trabalho representavam somente 38%, enquanto o capital apropriava-se de 62,0%. Em 1991, o PIB (Produto Interno Bruto) foi de US$ 418.270 milhões e a dívida externa brasileira situa-se em torno de 125 bilhões de dólares.

Dos tempos do Colégio Palmares, onde estudei de 1980 a 1982, e cujas matérias de história eram ministradas pela educadora Zilda Zerbini Toscano, fundadora dessa escola, e pelo grande mestre César Barreto, que me deu aulas de história aí e no cursinho CPV, preparatório para o vestibular da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1983.

Tiradentes

Trabalho escolar feito por mim no EEPG Dalton Morato Villas Bôas, Ourinhos – SP, durante a minha 5ª. série, abril de 1976

“Em toda a Europa, tal tipo de castigo seguido de morte reforçava a imagem de Portugal como país atrasado, na contramão das ideias iluministas que começavam a circular nas metrópoles e eventualmente chegavam às colônias. Foi um período de mudanças muito importantes: a Revolução Francesa, reis e nobres guilhotinados e abolição da monarquia francesa, independência dos EUA. Em Portugal, apesar da censura instituída, tais notícias acabavam chegando e foram sementes de ideias que mais tarde frutificaram, mas ainda é cedo para tratar disso.

Dona Maria, extremamente católica, assumiu a coroa determinada a reparar as ofensas a Deus ocorridas no reinado de seu pai com a eliminação dos padres jesuítas. Seu primeiro ato foi a demissão do marquês Pombal como ministro, por 22 anos o todo-poderoso no governo de seu pai.

O período de governo de Dona Maria de 1777 a 1799 passou à história com o nome de Viradeira por causa dos seus decretos, revogando medidas instituídas no período pombalino: as companhias de comercio criadas por ele no Brasil foram extintas e a Colônia foi proibida de manter manufaturas de tecidos (exceto as que faziam pano grosseiro para uso dos escravos). Reabilitou a nobreza destituída por ele, em especial os Távora.

Também foi ela quem ordenou a repressão dos inconfidentes mineiros e a execução de Tiradentes, que ousaram sonhar com a independência do Brasil.

Embora tenha havido atrasos para o Brasil com a revogação de algumas atividades econômicas no reinado de Dona Maria I, em contrapartida houve uma reativação das atividades agrícolas da Colônia, pelo aumento da produção de açúcar e do algodão.

Apesar do nome Viradeira, dado pelo povo na época, ao final não foi uma mudança radical e em grande parte, o poder continuou nas mãos dos mesmos políticos da era pombalina, mantendo mesma política anterior.”

José Mattoso (Leiria, Portugal, 22 de janeiro de 1933 – Torres Vedras, Portugal, 8 de julho de 2023) foi um historiador medievalista e professor universitário português. In “Historia de Portugal”, coleção organizada por ele, capítulo 2, O reinado de Dona Maria I (1734 – 1816). Lisboa, Portugal: Printer Portuguesa, Ind. Gráfica , Lda., Circulo de leitores, julho de 1993

Nota: Dona Maria I (1734–1816) foi a primeira rainha reinante de Portugal e dos Algarves, apelidada de “A Piedosa” e, posteriormente, “A Louca”. Iniciou o reinado em 1777 (chamado de Viradeira) afastando o Marquês de Pombal. Seu governo foi marcado por profunda religiosidade, instabilidade mental, a transferência da Corte para o Brasil em 1808 e o seu falecimento no Rio de Janeiro.

No Mar

Les étoiles s’allument au ciel, et la brise du soir errer doucement parmi les fleurs: rêves, chantez et soupirez.
George Sand

Era de noite – dormias,
Do sonho nas melodias,
Ao fresco da viração;
Embalada na falua,
Ao frio clarão da lua,
Aos ais do meu coração!

Ah! que véu de palidez
Da langue face na tez!
Como teus seios revoltos
Te palpitavam sonhando!
Como eu cismava beijando
Teus negros cabelos soltos!

Sonhavas? eu não dormia;
A minh’alma se embebia
Em tua alma pensativa!
E tremias, bela amante,
A meus beijos, semelhante
Às folhas da sensitiva!

E que noite! que luar!
E que ardentias no mar!
E que perfumes no vento!
Que vida que se bebia
Na noite que parecia
Suspirar de sentimento!

Minha rola, ó minha flor,
Ó madressilva de amor,
Como eras saudosa então!
Como pálida sorrias
E no meu peito dormias
Aos ais do meu coração!

E que noite! que luar!
Como a brisa a soluçar
Se desmaiava de amor!
Como tudo evaporava
Perfumes que respirava
Nas laranjeiras em flor!

Suspiravas? que suspiro!
Ai que ainda me deliro
Entrevendo a imagem tua
Ao fresco da viração,
Aos ais do meu coração,
Embalada na falua!

Como virgem que desmaia,
Dormia a onda na praia!
Tua alma de sonhos cheia
Era tão pura, dormente,
Como a vaga transparente
Sobre seu leito de areia!

Era de noite – dormias,
Do sonho nas melodias,
Ao fresco da viração;
Embalada na falua,
Ao frio clarão da lua,
Aos ais do meu coração.

Álvares de Azevedo (São Paulo, 12 de setembro de 1831 — Rio de Janeiro, 25 de abril de 1852). In “Lira dos vinte anos”, volume 1 da “Coleção dos autores célebres da literatura brasileira”. Rio de Janeiro: Livraria Garnier, 1994

Breve resumo da história do Brasil: O Período Republicano

A República foi proclamada em 1889 pelo marechal Deodoro da Fonseca. Na verdade, além de pequenos incidentes, não houve reação à Proclamação da República. Também não houve grandes manifestações populares de apoio, pois o povo ficou distante, alheio ao que se passava. O movimento republicano resultou principalmente da ação de grandes proprietários, que tinham interesse em ocupar o poder através deste movimento. O exército foi utilizado como força capaz de derrubar a Monarquia, especialmente levando-se em conta sua insatisfação diante do governo.

No período inicial da República ocorreu uma substituição dos grupos dominantes. A antiga oligarquia açucareira foi substituída pela nova oligarquia do café. O novo grupo dominante consolidou-se no poder através do fortalecimento das oligarquias estaduais (coronelismo), que controlava todos os eleitores garantindo sempre a maioria dos votos. Dai, passou-se à política dos governadores, que transformou-se rapidamente em política do café com leite , segundo a qual revezavam-se na Presidência da República políticos de São Paulo e Minas Gerais. Esse período foi marcado por intensas lutas políticas com rebeliões militares e revoluções populares, que foram sempre energicamente reprimidas pelo governo.

O movimento operário brasileiro começou a se desenvolver durante as primeiras décadas do regime republicano, no começo deste século. Graças à influência dos imigrantes europeus, que vieram trabalhar como assalariados rurais e urbanos, foram divulgadas as ideias de organização operária, com destaque para os anarquistas. O movimento operário foi mais intenso em São Paulo, Rio de Janeiro e nos estados do sul do país, onde foi maior a imigração e mais avançado o processo de industrialização. A luta operária dirigiu-se, de modo especial, contra as condições de trabalho existentes, combatendo os baixos salários, excessivo número de horas de trabalho e as péssimas condições de trabalho das mulheres e dos menores. Os movimentos de maior destaque foram: a marcha dos grevistas em São Paulo nas décadas de 1910 e 1920, e a greve geral de 1917, onde participaram praticamente todas as categorias profissionais. Para cerca de 500.000 operários existentes no Brasil, em 1920, havia aproximadamente mil sindicatos, demonstrando o espírito de luta e de organização dos trabalhadores.

Terminada a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), os Estados Unidos assumem a liderança mundial. No Oriente, a revolução de 1917 na União Soviética estava construindo a primeira sociedade socialista. A partir daí, e principalmente depois da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), o mundo foi dividido em duas áreas de influência. A situação mundial passou a depender muito, em cada momento, das relações entre Estados Unidos e União Soviética.

No Brasil, parcelas da população, que até então eram simplesmente excluídas da participação política e econômica, começam a pressionar para ter maior influência nos destinos do país. Intensificaram-se, também, os movimentos operários, geralmente reprimidos à força. Por sua vez, a burguesia urbana, nascida com a industrialização anterior, e setores jovens das Forças Armadas passaram a combater as regras políticas vigentes, configuradas no coronelismo e na política do café com leite. Começam a pregar a necessidade de uma revolução. Juntando-se as esses fatores a crise econômica sem precedentes, que se intensificou na segunda metade da década de 1920, tem-se o cenário propício para as várias revoltas ocorridas na época, que culminaram na derrubada do presidente Washington Luís e na ascensão de Getúlio Vargas ao poder, em 1930.

A repressão ao movimento comunista de 1935 alimentou o autoritarismo de Vargas. Com o apoio de amplos setores do Exército e das classes dominantes, e inspirado no exemplo do fascismo italiano e do nazismo alemão, Vargas passou a conspirar para perpetuar-se no poder. Esse período ficou conhecido como Estado Novo e durou de 1937 a 1945.

A partir de 1945, tem início o processo de redemocratização. Os militares, que ajudaram a derrubar Getúlio Vargas em 1945, não ficaram satisfeitos com os governos que vieram depois e muito menos com o caminho que estava tomando o processo de redemocratização. No governo de João Goulart, esse processo tomou a feição de reformas de base, com a nacionalização das refinarias de petróleo e uma tímida reforma agrária. Contra essa tendência insurgiram-se os militares, com o apoio da classe dominante (proprietários rurais e industriais), setores das classes médias e o capitalismo internacional. No período que vai de 1945 a 1964, houve uma indefinição de rumos, além de tentativas diversas de dar contorno reais à democracia expressa na Constituição de 1946.

Dos tempos do Colégio Palmares, onde estudei de 1980 a 1982, e cujas matérias de história eram ministradas pela educadora Zilda Zerbini Toscano, fundadora dessa escola, e pelo grande mestre César Barreto, que me deu aulas de história aí e no cursinho CPV, preparatório para o vestibular da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1983.