Adriana Coppio e a sua identidade com a Galeria Pontes

Em dois momentos: Retratando em tinta acrílica uma escultura em cerâmica do artista pernambucano Tota (1932 – 2003) adquirida por ela, que pertenceu ao acervo da Pontes intitulada “Tota e Samambaia”, e pintando um lobo-guará parecido com um de nossa galeria feito de goma elástica e visguenta, uma resina extraída do tronco da árvore balateira ou maparajuba, pelo indígena Macuxi de Roraima de nome Jaime Andre da Silva e que produz artesanato em balata, parecido com o látex da Seringueira.

Adriana Antunes Coppio, nascida em Taubaté, SP, em 1978, formada pela Fundação Armando Alvares Penteado, e com passagem pela Ecole Cantonale d’Art du Valais, Sierre- Suiça, no passado, em 25 de setembro de 2010, nos tempos da casa no bairro de Higienópolis, Adriana participou no Porão da Pontes da mostra coletiva “P”, que expôs obras em pequenos formatos, abrangendo desenho, pintura, assemblage, fotografia,gravura, objeto, moda, joalheria e grafite. Esse evento ocorreu após o sucesso de mostras como “Roupa de Domingo” e “Cinema de Moda” (Circuito SP de Moda e Arte), onde Danilo Blanco e Fernando Zelman embarcaram em um novo empreendimento: a ocupação poética do subsolo da Galeria Pontes e batizando o novo projeto como Porão da Pontes. Esta proposta, realizada em parceria com Edna Matosinho de Pontes, visou fomentar o colecionismo de arte contemporânea, principalmente por meio da aquisição de obras em pequenos formatos, reunindo diversas técnicas, materiais e suportes. Na Pontes Coppio participou também da mostra coletiva “Bicho” que foi realizada em 4 de dezembro de 2010 pela dupla Danilo Blanco e Fernando Zelman e por Luis Castañón no mesmo Porão da Pontes. Essa exposição coletiva visou revelar a relação do homem e o animal com livre interpretação reunindo desenho, pintura, assemblagem, fotografia, gravura, objeto e grafitti.

Agora, nesse mês de outubro de 2026, ela expõe pinturas em acrílica na Galeria de Ricardo Sardenberg, localizada na Travessa Dona Paula, 134, Higienópolis, SP, dentro da mostra “Estranha Natureza” onde plantas, insetos, construções e figuras humanas oferecem a proximidade de um mundo conhecido, em formas que admitem outras leituras. Um tronco sugere um corpo, um inseto se confunde com um galho, uma reunião de crianças adquire a gravidade de uma aparição. Lá estão a pintura inspirada no vaso de Tota e o retrato do lobo-guará lindamente pincelados por ela.

Kim trong’s lovesick

It’s well known that for those who are romantics,
Who can unravel the threads of love in their hearts?
Since he returned home from the chance meeting
She’s constantly in his thoughts and his feelings
His lovesickness grows and grows
Each day seems drearily slow,
Like three years compressed into a day.

Heavy drapes shroud her window like a wall of clouds
Each night, he dreams of a glimpse of her at her house
A month has already passed by
He longs to see her face,
yet nervous how to ask her for a date
His room feels cold like copper
Ink brush tips dried, lute strings out of tune
A light wind blows through the blinds, creating a nostalgic melody
Fragrance induces longing, tea induces her sweet voice
If it’s not predestined love for three lives,
Why such fortress-shaking beauty to tease one’s heart?

Nguyễn Du (Bích Câu, Thang Long, Vietnã, 3 de janeiro de 1765 – Thua Thien-Hue, Vietnã, 16 de setembro de 1820) foi um poeta e escritor vietnamita. Ele era um mandarim durante a dinastia Nguyễn. Sua obra-prima é “O conto de Kiều” (Truyện Kiều), um épico em versos que sintetiza a identidade e a língua nacional vietnamita. Narra uma história da menina bonita que vendeu-se para salvar seu pai. Hoje ele ainda é considerado como símbolo da literatura vietnamita e é amplamente considerado o maior poeta do Vietnã. In “A garden of vietnamese lyrics & verse, volume 1”. Original Poem: “Truyện Kiều”, lines: 133-170. Translated by Vuong Thanh. Nota: O Vietnã possui uma rica tradição poética que abrange desde a literatura clássica em escrita Nôm até o modernismo e a poesia revolucionária

Alberto Giacometti

Avanzan solos gris andrajo de nubes
gris pesadilla bronce herido llamaradas grises
terco pedernal de fantasmas
tierra terracota mineral
insomnes avanzan furor helado
bronce herrumbre ira petrificada
cuerpos sombras sombras cuerpos
ballet de muerte astillas de sueños
avanzan solitarios remotos
ciegos árboles andando atraviesan
puertas piedras palabras
plata roñosa paredes de espejos
lágrimas sin ojos avanzan
reclaman mendigan sueñan
otro infierno distinto
otro infierno
otro.

Juan Luis Panero (Madrid, Espanha, 1942 – Torroella de Montgrí, Comarca de Baix Empordà, província de Girona, Catalunha, Espanha, 16 de septiembre de 2013) el seno de una familia ligada a la poesía; su padre fue el distinguido poeta Leopoldo Panero, su tío era Juan Panero y tiene dos hermanos que también cultivan la poesía Leopoldo María y Michi Panero. En su juventud, Luis fue un incansable viajero, tal es así que no sólo ha deambulado por muchos países europeos sino que también ha vivido en diversos países de América Latina; esto le permitió conocer a autores como Juan Rulfo y Octavio Paz, entre otros. Su primer poemario vio la luz en 1968 y se tituló “A través del tiempo”; posteriormente publicó “Los trucos de la muerte”, “Juegos para aplazar la muerte” y “Antes que llegue la noche”. Por su obra ha recibido distinguidos galardones, entre los que se puede mencionar el prestigioso Premio Internacional de Poesía de la Fundación Loewe. En el año 2009 la Editorial Vitruvio publicó una antología con sus obras líricas completas, la misma recibe el nombre de “La memoria y la muerte”

A criança ferida

A criança ferida vai mordê-lo.
A criança ferida vai se tornar
uma criatura assustadora
e mordê-lo aí mesmo onde você está.

A criança ferida verá a pele se formar
sobre o ferimento que recebeu de você
– recebe não, porque o ferimento
não é um presente, um presente é aceito
livremente, e a criança não teve escolha.

Ela vai formar uma pele sobre o ferimento,
o ferimento acumulado, o ferimento que atravessa gerações
e que você extraiu com força de si mesmo feito uma bala
e implantou na carne da criança –
uma pele um couro um pelo
uma crosta escaldada,
e dentes afiados de peixe
como os de um bebê deformado –
e vai mordê-lo

e você vai dizer que não vale
como é o seu hábito
e haverá uma luta
porque você vai tirar a luta da caixa
com o rótulo Lutas que guarda com tanto cuidado
para as emergências, e esta é uma delas,

e a criança ferida perderá a luta
e irá cambaleando
para os subúrbios, e causará
pânico nas drogarias e estrago
nos churrascos
e eles dirão ajudem ajudem um monstro
e sairá no noticiário

e ela será caçada
com cães, e deixará um rastro
de cabelo, pelo, escamas e dentes de leite, e lágrimas
de onde foi rasgada
com vidro quebrado e coisas do tipo

e vai se esconder em canos de esgoto
em depósitos de ferramentas, debaixo de arbusto,
lambendo sua ferida, sua raiva,
a raiva que recebeu de você
e vai se arrastar até o poço

o lago o riacho o reservatório
porque tem sede
porque é monstruosa
com sua sede feroz
que parece toda coberta de espinhas

e os cães e caçadores vão encontrá-la
e ele ficará encurralada
e uivará sobre injustiças
e vão rasgar seu corpo e abri-lo

e vão comer seu coração
e todos darão vivas,
Graças a deus acabou!

E seu sangue escorrerá para dentro d’água
e você vai bebê-lo todos os dias.

Margaret Atwood (Ottawa, Canadá, 18 de novembro de 1939) é uma escritora canadense, romancista, poetisa, contista, ensaísta e crítica literária internacionalmente reconhecida, tendo recebido inúmeros prêmios literários importantes. Foi agraciada com a Ordem do Canadá, a mais alta distinção em seu país. Mundialmente famosa por seus romances distópicos (como “O conto da Aia”), Atwood iniciou sua carreira literária na poesia, aos 16 anos. Seus poemas são marcados por tons irônicos, observações lacônicas sobre costumes contemporâneos, política sexual e a relação humana com a natureza canadense. Sua poética aborda temas que vão desde o cotidiano, em reflexões políticas e sociais, até criações fantásticas, a partir do mundo dos contos de fadas e origens da mitologia. Suas principais coletâneas incluem “The circle game” (1966) e “Os diários de Susanna Moodie” (1970). Uma das principais escritoras da atualidade, destaca-se por obras que ficaram conhecidas em todo mundo a partir de adaptações para o cinema, como o livro “O conto de Aia”, de 1985, e que virou série em 2017, vencendo os mais importantes prêmios do gênero. In “A Porta”, Rocco, 2007. Tradução de Adriana Lisboa. Nota: A literatura do Canadá possui uma rica tradição poética que reflete tanto suas paisagens vastas quanto a complexidade de sua identidade multicultural e bilíngue

O jardim / Le jardin

O jardim

O jardim, a lua
A noite, e você
Fábula. Doçura
De reseda
Um beijo
Milhares de beijos
Ou recusas
Tristeza. Doçura
Ele ama, ao entardecer
Um perfume de jardim
De reseda

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Le jardin

Le jardin, la lune
Le soir, et toi
Conte. Douceur
De réséda
Un baiser
Mille baisers
Ou éconduit
Chagrin. Douceur
Il aime, le soir
Un parfum de jardin
De réséda

Marc Chagall (Vitebsk, Império Russo, atualmente Bielorrússia, 6 de julho de 1887 — Saint-Paul-de-Vence, França, 28 de março de 1985). Esse poema faz parte da coletânea “Les poèmes”, publicada em 1968 por Marc Chagall, que combinou seus textos poéticos a gravuras originais. A obra reflete o lirismo e a atmosfera onírica do artista, unindo temas como o amor, a noite e a delicadeza dos afetos em versos delicados. Ou, em inglês:  “Published in an exceptionally limited edition of just 238 sets by Éditions Gérald Cramer in Geneva, ‘Les poèmes’ exemplifies the highest level of printmaking craftsmanship, rendered in woodcut on fine Rives or Japon paper. Chagall’s ‘Poèmes’ offer an opportunity to own an intimate masterpiece of modern printmaking – luminous, poetic, and alive”