Destaque

Como é lindo o nosso popular, ensinando de sua forma à viver

A esperança é a última que morre
A cavalo dado não se olha o dente
A César o que é de César, a Deus o que é de Deus
A maré não tá pra peixe
A mentira tem perna curta
A pressa é inimiga da perfeição
As aparências enganam
A união faz a força
A voz do povo é a voz de Deus
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura
À noite todos os gatos são pardos
Águas passadas não movem moinhos
Antes só do que mal acompanhado
Cachorro que late não morde
Cada macaco no seu galho
Cada um sabe onde o sapato aperta
Caiu na rede, é peixe
Cão que ladra não morde
Cortar o mal pela raiz
De grão em grão a galinha enche o papo
De mãos abanando
De médico e de louco todo mundo tem um pouco
Depois da tempestade vem a bonança
Despir um santo para vestir outro
Deus ajuda quem cedo madruga
Deus escreve certo por linhas tortas
Diz-me com quem andas e eu te direi quem és
É dando que se recebe
Em boca fechada não entra mosca
Em casa de ferreiro, espeto de pau
Em terra de cego quem tem olho é rei
Escreveu, não leu; o pau comeu
Estar no mato sem cachorro
Filho de peixe, peixinho é
Gato escaldado tem medo de água fria
Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão
Mais vale um pássaro na mão do que dois voando
Não adianta chorar sobre o leite derramado
Nem tudo que reluz é ouro
Nos menores frascos estão os melhores perfumes
O barato sai caro
Onde há fumaça há fogo
O remendo ficou pior do que o soneto
Para baixo todo santo ajuda
Para bom entendedor, meia palavra basta
Pau que bate em Chico, bate em Francisco
Pau que nasce torto, morre torto
Pimenta nos olhos dos outros é refresco
Quando a porca torce o rabo
Quem canta seus males espanta
Quem espera sempre alcança
Quem é vivo sempre aparece
Quem não arrisca, não petisca
Quem não chora, não mama
Quem semeia vento, colhe tempestade
Quem vê cara não vê coração
Roupa suja se lava em casa
Saco vazio não para em pé
Santo de casa não faz milagre
Um dia é da caça, outro do caçador

Ou no dizer de uma colaboradora do blog (*):

Isso tudo lembra Jung: “Não Freud e nem sai de cima”

(*) Luiza Matosinho

Jornal “Folha de Ourinhos” – 30 de agosto de 2009: Recordando…

José Carlos Neves Lopes foi bacharel em direito, historiador, jornalista, professor e criador do blog “Memórias ourinhenses”. Ele escreveu para este jornal de Ourinhos, SP, esta crônica sobre meu pai intitulada “O farmacêutico Edmundo de Oliveira Matosinho” que originalmente havia postado, tempos antes, em seu blog (Link abaixo).

Neves Lopes foi amante da música clássica, do jazz e da música popular brasileira e norte americana dos anos 1930 a 1970, e sempre zelou pela valorização e preservação da história e da natureza da cidade de Ourinhos. Nesse blog ele e se concentrou na divulgação das fotos de seu pai, o ferroviário Francisco de Almeida Lopes.

Esse jornal me foi enviado pelo correio por meu saudoso primo José Ângelo Silva (Fordinho).

“O farmacêutico Edmundo de Oliveira Matosinho”

Frases marotas de Bezerra da Silva e de Dicró

Esses dois sambistas da “malandragem” carioca (sendo que Bezerra é filho de Pernambuco e Dicró fluminense) souberam misturar como ninguém a sabedoria popular, o humor ácido e o retrato direto da realidade dos morros e das favelas, dizendo:

“Quando o morcego doar sangue e o saci cruzar as pernas”, ironizando a promessa de que o Brasil um dia vai se livrar da corrupção e da bagunça política, sugerindo que essa mudança está longe de acontecer.

“Otário só tem dois direitos: tomar tapa e não dizer nada!” (Trecho da música “Os direitos do otário”).

“Malandro demais vira bicho.”

“Quem defende bandido é advogado.”

“Quando tá muito ruim é porque tá perto de melhorar.”

“Nasci para sofrer, mas não nasci para ser otário.”

“Cada um na sua área, cada macaco no seu galho, cada rei no seu baralho.”

Bezerra da Silva (Recife, Pernambuco, 23 de fevereiro de 1927 – Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 2005) que usava o samba e o partido-alto como crônicas sociais para dar voz ao trabalhador e criticar com ironia as injustiças da sociedade

“Adoro a minha sogra. Se eu pudesse, eu teria 10. A minha mulher que não deixa.”

“Não tem nada pra beber aqui não? Eu tenho que beber, porque meu tipo sanguíneo é aperitivo!”

“Se eu fui pobre, eu nem me lembro.”

“Malandro é cavalo marinho, que finge que é peixe pra não puxar carroça.”

“O ponto G depende da minha conta bancária. Se estou com o bolso cheio, elas têm prazer rapidinho.”

“Se a vida fosse fácil, bebê não nascia chorando.”

“Ladrão não anda de noite porque tem medo de ser assaltado.”

Dicró, nome artístico de Carlos Roberto de Oliveira (Mesquita, Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 1946 – Magé , Rio de Janeiro, 25 de abril de 2012) em seus sambas criou frases de humor irreverente e que giravam em torno de malandragem, causos populares e, principalmente, piadas clássicas sobre sogras

Emanoel escultor

Para Emanoel Araújo

A cor não cala
e tem sua fala
na fala escultórica de Emanoel

formas se agitam
e se lançam no espaço

são lanças em chamas
são golpes de espada

na madeira ou no aço
tudo é movente
Ogum abre seu caminho

e assim caminha Emanoel
de chapéu Panamá
e terno branco de linho

Oxalá é pai Oxalá é mel

Fabio Magalhães (São Paulo, 5 de novembro de 1942) – Fábio Luiz Pereira de Magalhães é museólogo, crítico de arte e curador. Estudou história da arte no Masp e na FAAP. Frequentou também o Instituto de Arte e Arqueologia em Paris. Foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e ex-curador chefe do Masp, secretário da Cultura do Município de São Paulo, presidente da Embrafilme, presidente da Fundação Memorial da América Latina e curador de Bienais de Artes Visuais do Mercosul em Porto Alegre

Isabelle Adjani, a “outra Belle de Jour”

Ocorreu um famoso engano poético cometido pelo cantor Alceu Valença (São Bento do Una, Pernambuco, 1 de julho de 1946), que acabou dando origem a um dos maiores clássicos da MPB: a música “La Belle de Jour”. A história por trás dessa confusão é curiosa. Houve um encontro em Paris ocorrido no final dos anos 1980, e nele Alceu estava em um café no bairro de Saint-Germain-des-Prés, capital francesa, quando conversou com uma mulher belíssima de olhos azuis. O cantor acreditou piamente ter conhecido a lendária atriz francesa Catherine Deneuve (Paris, França, 22 de outubro de 1943), que protagonizou o clássico filme “Belle de Jour” (1967), dirigido por Luis Buñuel. Inspirado por esse encontro, ele escreveu a famosa canção sobre a “moça bonita da praia de Boa Viagem”, misturando o cenário de Recife com a musa do cinema francês. Algum tempo depois, houve a revelação, quando ele, ao relatar o encontro para o seu amigo e cineasta Walter Salles, descobriu que a mulher com quem conversara no café não era Catherine Deneuve, mas sim outra grande estrela do cinema francês, Isabelle Adjani (Paris, França, 27 de junho de 1955). Embora o título da música tenha permanecido como “La Belle de Jour” (em alusão ao filme de Deneuve), a verdadeira musa que inspirou o encontro físico e os “olhos azuis como a tarde” descritos na letra foi, na verdade, Adjani. Por essa razão, Isabelle ficou eternizada nos bastidores da MPB como “a outra Belle de Jour”.

Acima a impressão original da foto feita pelo amigo Edney Cielici Dias quando, lá pelos idos de 1996, usou pela primeira vez a impressora que acabara de adquirir.