Outras memórias – Valdir Sarubbi

Memoriae: Cristais de areia, 1992 – Pintura (acrílica sobre tela), 1,30 x 1,50m
Exposição Individual: De 5 a 29 de agosto de 1998 – Museu do Estado do Pará
Palácio Lauro Sodré – Praça D. Pedro II, s/n – Cidade Velha
CEP: 66020-240 – Belém – Pará – Fone: 225-3853
Sarubbi,
Do antigo Chalé de Ferro (Escola de Arquitetura), nos anos 60, onde cruzamos os passos iniciais do nosso afeto, passando pelas primeiras peripécias nas artes plásticas que nos levou, juntos, para a pré-bienal de 1970, em São Paulo, a criação do roteiro de um filme sobre o Círio que nunca foi filmado, ao último encontro num quarto de hotel, ouvindo os gemidos e lamúrias do nosso querido Didi, desconjuntado, quantos caminhos…
O velho Chalé foi desmontado e remontado em outro cenário, bem mais bonito, mas desalmado.
O filme foi rebobinado para as calendas das doces recordações. E o pretensioso aprendiz de artista plástico transformado em servidor público, aliás, com muito orgulho.
Permaneceu a admiração pelo teu talento. Um triunfo artístico sempre crescente que este teu amigo aproveita para pedir, por ter sido cúmplice e fiel torcedor, que o acolhas, cativo, nas tuas vitórias.
De resto, a honra de, por minhas mãos, redimir o Governo do Pará que nunca te fez a justa e merecida homenagem.
Fraternalmente,
Paulo Chaves Fernandes – Secretário de Estado da Cultura
Governo do Estado Do Pará
Almir Gabriel
Secretaria de Estado da Cultura
Paulo Chaves Fernandes
Museu do Estado Do Pará
Rosângela Brito
Montagem da exposição
Equipe técnica do MEP
Produção gráfica
Coordenação: Núcleo Editorial/ Secult
Projeto gráfico: Luciano Oliveira
Fotos: Luigi Stavale
Editoração eletrônica e fotolitos: Omni Graphics
Impressão: Cartopacck
Valdir Sarubbi (Bragança, Pará, 10 de outubro de 1939 – São Paulo, 8 de novembro de 2000)

Enterrado
Entre
os dedos simples cerzindo uma
blusa e as roupas balançando nos
varais o fundo da casa como um
jardim o verde que brilha o verde
cinzento o vento estufa os tecidos as
nuvens partem para longe a memória
é o encaixe imperfeito entre
peças de devoção e peças
de maldição entre o amor do
tempo e a morte entre as
roupas balançando nos varais e
o verde cinzento construído sobre
o meu jardim verde que
brilha.
Dirceu Villa (São Paulo, 12 de setembro de 1975) é poeta, tradutor, ensaísta e professor universitário brasileiro
Encarando
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“Redescobrindo” é o blog pessoal de Eduardo Matosinho, um economista, sociólogo e pesquisador de história da arte nascido em Ourinhos (SP). A página funciona como um diário cultural focado em cultura, artes plásticas, literatura, poesia, efemérides históricas, crônicas e reflexões cotidianas.
O que você encontra no site
• História da Arte e Curadoria: Matosinho atua há quase duas décadas na Galeria Pontes, espaço focado em arte popular brasileira contemporânea. O blog reflete essa bagagem trazendo reflexões e biografias de artistas plásticos.
• Poesia e Literatura: Publicações frequentes de poemas traduzidos, textos sobre vanguardas artísticas (como o modernismo e minimalismo) e comentários sobre clássicos literários.
• Memória e Sociedade: Artigos de opinião sobre fatos históricos importantes, como os registros sobre a imigração japonesa no Brasil e crônicas baseadas na observação do cotidiano urbano.
• Contato com o autor: Caso precise falar diretamente com o administrador para fins de pesquisa ou colaborações sobre arte popular, os dados listados no próprio Blog de Eduardo Matosinho são:
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Sartei de banda
Decifrando o escrito: “Mulher distendida no chão”
Medo de avião
Foi por medo de avião
Que eu segurei
Pela primeira vez a tua mão
Um gole de conhaque
Aquele toque em teu cetim
Que coisa adolescente
James Dean
Foi por medo de avião
Que eu segurei
Pela primeira vez a tua mão
Não fico mais nervoso
Você já não grita
E a aeromoça, sexy
Fica mais bonita
Foi por medo de avião
Que eu segurei
Pela primeira vez a tua mão
Agora ficou fácil
Todo mundo compreende
Aquele toque Beatle
I wanna hold your hand
Agora ficou fácil
Todo mundo compreende
Aquele toque Beatle
I wanna hold your hand
Aquele toque Beatle
I wanna hold your hand
Yeh, yeh, yeh!
Yeh, yeh, yeh!
Yeh, yeh, yeh!
Yeeeh!
Antônio Carlos Belchior, mais conhecido como Belchior (Sobral, Ceará, 26 de outubro de 1946 – Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, 30 de abril de 2017). Esse é um dos grandes clássicos da MPB e foi gravada por ele no álbum “Era uma vez um homem e seu tempo”, de 1979. Trata-se de uma canção cuja letra narra com muita poesia, ironia e leveza como o medo e a vulnerabilidade podem aproximar duas pessoas. A segunda parte da música segue com referências a “I wanna hold your hand” dos Beatles, que traduzida seria algo como: “Eu quero segurar sua mão”. Esse é o refrão e título de um dos maiores clássicos dessa banda inglesa, lançado em 1963. A expressão “I wanna” é a contração informal de “I want to” (“Eu quero”).
Miner
Três poemas curtos de Erik Satie
Pablo y Virginia
Virginia cantaba como una patita muy mona.
La canción de Virginia hacía llorar a los cisnes.
Entonces Pablo bailaba sobre un pie para no molestar a sus padres.
A Virginia le gustaba verle bailar.
Robinson Crusoe
Por la noche, se tomaban la sopa
e iban a fumar sus pipas a la orilla del mar.
El olor del tabaco hacía estornudar a los peces.
Robinson Crusoe no se divertía en su isla desierta.
“Está realmente demasiado desierta”, decía.
Su negro Viernes era del mismo parecer.
Decía a su querido amo:
“Sí, señor, una isla desierta está realmente demasiado desierta.”
Y meneaba su gran cabeza negra.
Don Quijote
¿Qué me importan estos vallecillos, estos palacios, estas chozas?
Objetos vanos cuyo encanto se ha desvanecido para mí.
Ríos, peñascos, bosques, soledades tan queridas,
os falta un solo ser y todo está despoblado
Erik Satie (Honfleur, comuna portuária no departamento de Calvados, na região da Normandia, França, 17 de maio de 1866 — Paris, França, 1 de julho de 1925) foi um compositor e pianista francês. Relevante no cenário de vanguarda parisiense do começo do século XX, foi o precursor de movimentos artísticos como minimalismo, música repetitiva e teatro do absurdo. Tradução de Ana Muela Sopeña