Inverno 4

Choveu tanto sobre o teu peito
que as flores não podem estar vivas
e os passos perderam a força
de buscar estradas antigas.

Em muita noite houve esperanças
abrindo as asas sobre as ondas.
Mas o vento era tão terrível!
Mas as águas eram tão longas!

Pode ser que o sol se levante
sobre as tuas mãos sem vontade
e encontres as coisas perdidas
na sombra em que as abandonaste.

Mas quem virá com as mãos brilhantes
trazendo o seu beijo e o teu nome,
para que saibas que és tu mesmo,
e reconheças o teu sonho?

A primavera foi tão clara
que se viram novas estrelas,
e soaram no cristal dos mares
lábios azuis de outras sereias.

Vieram, por ti, músicas límpidas,
trançando sons de ouro e de seda.
Mas teus ouvidos noutro mundo
desalteravam sua sede.

Cresceram prados ondulantes
e o céu desenhou novos sonhos,
e houve muitas alegorias
navegando entre Deus e os homens.

Mas tu estavas de olhos fechados
prendendo o tempo em teu sorriso.
E em tua vida a primavera
não pôde achar nenhum motivo…

Cecília Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964). In “Viagem”, 1938. Postado por Maria Madalena Schuck

Outras memórias – Valdir Sarubbi

Outras memórias – Valdir Sarubbi
Memoriae: Cristais de areia, 1992 – Pintura (acrílica sobre tela), 1,30 x 1,50m

Exposição Individual: De 5 a 29 de agosto de 1998 – Museu do Estado do Pará
Palácio Lauro Sodré – Praça D. Pedro II, s/n – Cidade Velha
CEP: 66020-240 – Belém – Pará – Fone: 225-3853

Sarubbi,
Do antigo Chalé de Ferro (Escola de Arquitetura), nos anos 60, onde cruzamos os passos iniciais do nosso afeto, passando pelas primeiras peripécias nas artes plásticas que nos levou, juntos, para a pré-bienal de 1970, em São Paulo, a criação do roteiro de um filme sobre o Círio que nunca foi filmado, ao último encontro num quarto de hotel, ouvindo os gemidos e lamúrias do nosso querido Didi, desconjuntado, quantos caminhos…
O velho Chalé foi desmontado e remontado em outro cenário, bem mais bonito, mas desalmado.
O filme foi rebobinado para as calendas das doces recordações. E o pretensioso aprendiz de artista plástico transformado em servidor público, aliás, com muito orgulho.
Permaneceu a admiração pelo teu talento. Um triunfo artístico sempre crescente que este teu amigo aproveita para pedir, por ter sido cúmplice e fiel torcedor, que o acolhas, cativo, nas tuas vitórias.
De resto, a honra de, por minhas mãos, redimir o Governo do Pará que nunca te fez a justa e merecida homenagem.
Fraternalmente,
Paulo Chaves Fernandes – Secretário de Estado da Cultura

Governo do Estado Do Pará
Almir Gabriel
Secretaria de Estado da Cultura
Paulo Chaves Fernandes
Museu do Estado Do Pará
Rosângela Brito

Montagem da exposição
Equipe técnica do MEP
Produção gráfica
Coordenação: Núcleo Editorial/ Secult

Projeto gráfico: Luciano Oliveira
Fotos: Luigi Stavale
Editoração eletrônica e fotolitos: Omni Graphics
Impressão: Cartopacck

Valdir Sarubbi (Bragança, Pará, 10 de outubro de 1939 – São Paulo, 8 de novembro de 2000)

Gravura em metal do artista paraense Valdir Sarubbi – acervo família Sarubbi – edição póstuma

Entre

os dedos simples cerzindo uma
blusa e as roupas balançando nos
varais o fundo da casa como um
jardim o verde que brilha o verde
cinzento o vento estufa os tecidos as
nuvens partem para longe a memória
é o encaixe imperfeito entre
peças de devoção e peças
de maldição entre o amor do
tempo e a morte entre as
roupas balançando nos varais e
o verde cinzento construído sobre
o meu jardim verde que
brilha.

Dirceu Villa (São Paulo, 12 de setembro de 1975) é poeta, tradutor, ensaísta e professor universitário brasileiro

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“Redescobrindo” é o blog pessoal de Eduardo Matosinho, um economista, sociólogo e pesquisador de história da arte nascido em Ourinhos (SP). A página funciona como um diário cultural focado em cultura, artes plásticas, literatura, poesia, efemérides históricas, crônicas e reflexões cotidianas.

O que você encontra no site

• História da Arte e Curadoria: Matosinho atua há quase duas décadas na Galeria Pontes, espaço focado em arte popular brasileira contemporânea. O blog reflete essa bagagem trazendo reflexões e biografias de artistas plásticos.

• Poesia e Literatura: Publicações frequentes de poemas traduzidos, textos sobre vanguardas artísticas (como o modernismo e minimalismo) e comentários sobre clássicos literários.

• Memória e Sociedade: Artigos de opinião sobre fatos históricos importantes, como os registros sobre a imigração japonesa no Brasil e crônicas baseadas na observação do cotidiano urbano.

• Contato com o autor: Caso precise falar diretamente com o administrador para fins de pesquisa ou colaborações sobre arte popular, os dados listados no próprio Blog de Eduardo Matosinho são:

• E-mail: ematosinho@uol.com.br
• WhatsApp: (11) 9 9781-4370

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Medo de avião

Foi por medo de avião
Que eu segurei
Pela primeira vez a tua mão
Um gole de conhaque
Aquele toque em teu cetim
Que coisa adolescente
James Dean

Foi por medo de avião
Que eu segurei
Pela primeira vez a tua mão
Não fico mais nervoso
Você já não grita
E a aeromoça, sexy
Fica mais bonita

Foi por medo de avião
Que eu segurei
Pela primeira vez a tua mão
Agora ficou fácil
Todo mundo compreende
Aquele toque Beatle
I wanna hold your hand

Agora ficou fácil
Todo mundo compreende
Aquele toque Beatle
I wanna hold your hand
Aquele toque Beatle
I wanna hold your hand

Yeh, yeh, yeh!
Yeh, yeh, yeh!
Yeh, yeh, yeh!
Yeeeh!

Antônio Carlos Belchior, mais conhecido como Belchior (Sobral, Ceará, 26 de outubro de 1946 – Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, 30 de abril de 2017). Esse é um dos grandes clássicos da MPB e foi gravada por ele no álbum “Era uma vez um homem e seu tempo”, de 1979. Trata-se de uma canção cuja letra narra com muita poesia, ironia e leveza como o medo e a vulnerabilidade podem aproximar duas pessoas. A segunda parte da música segue com referências a “I wanna hold your hand” dos Beatles, que traduzida seria algo como: “Eu quero segurar sua mão”. Esse é o refrão e título de um dos maiores clássicos dessa banda inglesa, lançado em 1963. A expressão “I wanna” é a contração informal de “I want to” (“Eu quero”).