Receita de tacacá

Ponha, numa cuia açu
ou numa cuia mirim
burnida de cumatê:
camarões secos, com casca,
folhas de jambu cozido
e goma de tapioca.
Sirva fervendo, pelando,
o caldo de tucupi,
depois tempere a seu gosto:
um pouco de sal, pimenta
malagueta ou murupi.
Quem beber mais de 3 cuias
bebe fogo de velório.
Se você gostar me espere
na esquina do purgatório.

Luiz Bacellar (Manaus, 4 de setembro de 1928 – 9 de setembro de 2012) foi considerado um dos poetas mais expressivos da literatura amazonense e ganhou com sua estreia literária em 1959 o “Frauta de barro”, dentro do Prêmio Olavo Bilac laureado pela prefeitura do Rio de Janeiro. Esse poema ensina o leitor a fazer o tacacá, uma refeição típica da região amazônica

A pintura brasileira na cultura popular: uma amostra

Trazendo um pouco de arte para nosso “Vivendocidade” apresento o novo vídeo da Galeria Pontes, onde trabalho, que apresenta três artistas de expressão na cultura artística de nosso Brasil. Desses dois são pernambucanos (Samico e Alcides Santos) e um é paraibano (Luiz Tananduba). O único que ainda pinta é Tananduba. Alcides Santos faleceu em 2007 e Samico em 2013. Falarei um pouco sobre seus trabalhos pictóricos.

Para introduzir nada como falar da Arte Popular Brasileira. Ela é bonita, criativa e cheia de vida. Tem um aspecto lúdico que mexe também com jovens e crianças. Encanta e surpreende. E, ao contrário da arte erudita, ela é uma produção espontânea, na qual não sobra espaço para a educação formal ou acadêmica. Quando algum tipo de transmissão de conhecimento existe, ocorre no máximo informalmente com outro artista/ artesão que funciona como iniciador.

Na arte popular há muito mais espaço para a inventividade e para o saber fazer pessoal do que na arte erudita. A imaginação é muito mais livre tanto na forma final do trabalho como nos meios que o artista inventa para resolver os problemas na confecção de sua obra. A arte popular é a viva expressão da criatividade do nosso povo. Através da sua fantasia o artista reinventa a realidade, estabelecendo íntima relação entre o real e o simbólico. 

Dos muitos pintores a galeria destaca em seu vídeo três deles:

Samico (1928 – 2013) tem sua produção marcada pela recuperação do romanceiro popular nordestino, por meio da literatura de cordel e pela utilização criativa da xilogravura. Suas gravuras são povoadas por personagens mitológicos e outros, provenientes de lendas e narrativas locais, assim como por animais fantásticos e míticos.

Alcides Santos (1932 – 2007) nasceu na Bahia e mudou-se para Mato Grosso em 1950. Acreditava que a arte era um dom de Deus. Sua pintura reflete a vida do homem, a natureza, o cultivo da terra e da pecuária, nas suas relações mútuas. Suas obras compõem o acervo de importantes museus como MAM – Rio de Janeiro – RJ – Brasil e Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera em São Paulo.

Por fim, temos Luiz Tananduba (1972) que começou a pintar em 1985, com orientação do artista plástico e seu pai adotivo, Alexandre Filho. Sua inspiração vem de uma visão idealizada e subjetiva do povoado de Caiçara, interior do estado, lugar onde cresceu e tomou emprestado seu sobrenome artístico “Tananduba”, um dos sítios da região.

Vídeo realizado pelo jornalista Adriano Ambrosio Nogueira de Sá.

Para maiores detalhes e informações acesse o site da galeria (http://www.galeriapontes.com.br/).

Artigo publicado originalmente no site “Vivendocidade”, de Carlos Correa Filho (21/08/2014)

Postal

Chovem pais e filhos sobre os campos,
terrenos de árvores húmidas, outono.
Os pais tentam sempre proteger os filhos,
essa é a natureza que corre nas árvores,
essa é a lei e esse é o sentido. É outono
e não poderia ser outra estação, começou
o frio e a fome, olho a força dos campos
pela janela submersa deste último outono
e compreendo por fim a minha idade:
chovem pais e filhos de mãos dadas.
Lá longe, sou pai. Lá longe, sou filho.

José Luís Peixoto (Galveias, Ponte de Sôr, Portugal, 4 de setembro de 1974). In “Gaveta de papéis”

O livro “Brás, Bixiga e Barra Funda” no ano que vem completará 100 anos

A edição fac-similar da 1ª edição de “Brás, Bexiga e Barra Funda” (1927), de António de Alcântara Machado, lembrando que esse livro foi republicado recentemente pela Editora 34 que resgatou o visual original da primeira edição, que imita o formato e o estilo de jornais das primeiras décadas do século XX.

Escrito pelo modernista Antônio de Alcântara Machado (São Paulo, 25 de maio de 1901 – Rio de Janeiro, 14 de abril de 1935) esse marcante livro fará 100 anos ao longo de 2027, pois os registros históricos apontam apenas o ano de 1927 para a sua primeira publicação, sem uma data ou mês exato documentados. Trata-se de uma coletânea de onze contos curtos que retratam o cotidiano de imigrantes italianos em São Paulo. Passa-se nos bairros paulistanos que dão nome à obra, tornou-se uma das principais referências da primeira fase do Modernismo no Brasil e uma das características dos três bairros é que ambos são muito importante na consolidação do samba paulistano que nesse ano de 2026 atraiu cerca de 17,3 milhões de pessoas para o Carnaval de São Paulo, considerando os blocos de rua e os desfiles no Sambódromo do Anhembi. Paulicéia teve um total de 627 blocos de rua espalhados pela capital e, no Sambódromo, 350 mil espectadores acompanharam os ensaios técnicos e as apresentações dos grupos Especial, Acesso 1 e Acesso 2, gerando um impacto financeiro de R$ 4 bilhões na economia da cidade, mais de 55 mil postos de trabalho (diretos e indiretos) e uma ocupação hoteleira batendo em 59% de reservas registradas durante o período.

Inspirado pela sua leitura e me baseando em pesquisas que fiz de diversas publicações durante a minha fase de assessor parlamentar, entre elas o documento “Índice de bairros“, do Legislativo Municipal de São Paulo; o livro “São Paulo: 450 bairros, 450 anos”, do jornalista Levino Ponciano; o site da Prefeitura Municipal de São Paulo, a Wikipédia, a enciclopédia livre da internet e o Google preparei esse texto. Alcântara Machado fez parte da primeira fase do Modernismo brasileiro e foi um importante escritor de nosso país. Segundo o professor e crítico literário João Ribeiro, “um dos maiores nomes da literatura contemporânea, na feição modernista que a caracteriza. Não é um exagero dizer que é um mestre sem embargo da sua florida juventude. É realmente um mestre na sua arte de observar e dizer. […] O seu método experimental a que não escapa o menor traço psicológico é realmente fora do comum.”

Brás

Esse bairro, cujo aniversário se deu em 8 de junho, teve início na chácara de José Brás, onde, no início do século XIX, foi pedida a edificação de uma capela em homenagem ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Essa chácara ficava à margem de uma estrada que levava à Penha, com um trecho do caminho conhecido como caminho do José Brás que, depois, passou a ser denominado rua do Brás, conhecida hoje como avenida Rangel Pestana. Situado na Zona Central de São Paulo, nasceu como uma região de chácaras no final do século XVIII e transformou-se no maior polo de comércio de moda do Brasil. O nome do bairro vem de um proprietário de terras português, o negociante José Brás, que morava na região às margens do rio Tamanduateí. Em 1769 (ou 1818, segundo registros paroquiais da época), ele construiu a capela do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Ao redor da igreja, formou-se um pequeno povoado conhecido como a “Paragem do Brás”. No final do século XIX, a chegada dos trens e trilhos mudou a paisagem local, transformando o Brás em um ponto estratégico de passagem de cargas e pessoas. O espaço rural deu lugar a armazéns, oficinas e grandes chaminés de fábricas, atraindo milhares de trabalhadores. O Brás virou o destino principal dos imigrantes italianos que chegavam a São Paulo no final do século XIX e início do século XX. O cotidiano era marcado por cortiços, padarias tradicionais, pequenas oficinas e forte mobilização operária. O bairro inspirou até o famoso samba “O samba do Arnesto”, de Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato (Valinhos, São Paulo, 6 de agosto de 1910 – São Paulo, 23 de novembro de 1982). A partir das décadas de 1930 e 1940, com a seca no Nordeste e a diminuição do fluxo italiano, o Brás passou a receber muitos migrantes nordestinos. Os sotaques, comércios e hábitos nordestinos somaram-se à identidade do bairro. Com o declínio das antigas grandes indústrias, galpões e fábricas foram convertidos em lojas e espaços de confecção. Hoje, o Brás virou um centro de compras e abriga milhares de lojas que atraem sacoleiros, lojistas e consumidores de todo o país em busca de roupas e tecidos no atacado e no varejo.

Bixiga

Este pedaço da Bela Vista chegará em dia 26 de dezembro desse ano aos seus 467 anos de história, como conta Levino Ponciano em seu livro “São Paulo: 450 bairros, 450 anos”. Ele afirma que os primeiros registros referentes ao Bixiga são de 1559. Mostra que na segunda metade do século XVIII o local pertencia a Antônio Bexiga, que fora vítima da varíola, conhecida popularmente por bexiga. Em outra passagem Ponciano conta que o viajante francês August Saint-Hilaire escreveu em seu livro de viagens que a única estalagem da cidade de São Paulo era de um português alcunhado “Bexiga”, e que era imunda. Hilaire fora então pernoitar na Chácara Água Branca, em Pinheiros. O Bixiga é um território histórico e cultural localizado na região central de São Paulo, integrado oficialmente ao distrito da Bela Vista. O nome vem do apelido de Antônio José Leite Braga, antigo dono de terras na região no século XIX, que tinha o rosto marcado por cicatrizes de varíola (doença chamada popularmente de bexiga). Outra versão aponta que o local serviu para isolar doentes de varíola no passado. A área abrigou um importante quilombo urbano, de nome “Quilombo Saracura”, às margens do rio Saracura, formado por pessoas escravizadas fugitivas e negros recém-libertos. O bairro sofreu bastante influência de negros, italianos, portugueses e espanhóis. A mistura de línguas foi sintetizada bem por Adoniran Barbosa, citado acima, em suas inúmeras músicas, que mesmo não sendo do bairro é considerado o seu símbolo. Em dezembro de 1910 o Bixiga passou a se denominar Bela Vista através de um decreto municipal, mas o povo continuaria a chamá-lo de Bixiga, com “i”. O bairro é um dos berços do samba paulistano. A tradicional escola de samba “Vai-Vai” nasceu no Bixiga em 1930, originando-se de um grupo de torcedores de futebol. Em 1878, a Chácara do Bexiga começou a ser loteada, atraindo imigrantes italianos que deixavam as lavouras de café do interior. Os imigrantes moldaram a arquitetura de casas compridas e estreitas e trouxeram a fama gastronômica com cantinas centenárias, padarias e festas tradicionais como a de Achiropita. Fundado por José Celso Martinez Corrêa, o Teatro Oficina tornou-se um símbolo de resistência artística e modernidade no teatro brasileiro.Boemia: O bairro abriga dezenas de teatros, feiras de antiguidades na Praça Dom Orione e pontos históricos marcantes da vida noturna e cultural da capital.

Barra Funda

A Barra Funda nasceu como um bairro operário e ferroviário na várzea do Rio Tietê e tornou-se um importante berço da cultura e do samba paulistano. O seu nome surgiu no final do século XIX e veio de uma região alagada onde o Rio Tietê encontrava pequenos córregos (a “barra”). O trecho tinha partes fundas e difíceis de atravessar, sendo batizado de “Barra Funda”. A ocupação começou com a chegada das ferrovias para escoar o café. A Estação Barra Funda foi inaugurada em 1875 pela Estrada de Ferro Sorocabana. A São Paulo Railway chegou em 1892. Os trilhos atraíram armazéns, fábricas e imigrantes, transformando a região em um forte polo operário. Nos anos 1920, abrigou o grande complexo das Indústrias Matarazzo. Foi um dos berços do Samba e do Carnaval onde, no início do século XX, o bairro concentrou uma forte população negra. O famoso Largo da Banana virou o ponto de encontro de sambistas em 1914. No mesmo ano, nasceu o Cordão da Barra Funda (futura escola “Mocidade Camisa Verde e Branco”). O local é considerado o verdadeiro berço do carnaval de rua de São Paulo. A partir dos anos 1970, o declínio industrial esvaziou galpões mas o bairro se renovou com a inauguração do Memorial da América Latina em 1989 e do Terminal Barra Funda. Antigos galpões deram lugar a ateliês, galerias de arte, moldurarias, cervejarias e restaurantes. A região ganhou destaque internacional ao ser eleita um dos bairros mais legais e descolados do mundo pela revista “Time Out”.

Segundo a colaboradora do blog, cantora, compositora e escritora, Esmeralda do Carmo Ortiz, nascida em 4 de agosto de 1979 no bairro de Vila Penteado, Zona Norte de São Paulo, temos vários baluartes do samba paulistano, e os ligados a esses 3 bairros são:

  • Antônio Carlos dos Santos Borges (Ka) foi o presidente e figura histórica da escola de Colorado do Brás, tradicional agremiação ligada ao bairro do Brás e do Centro de São Paulo
  • Geraldo Filme, que foi um compositor, cantor e militante negro brasileiro, que ficou também foi conhecido como “Geraldão da Barra Funda” e foi o compositor do clássico “Tradição (Vai no Bixiga pra ver)”, onde diz “Lembranças eu tenho da Saracura”
  • Thobias da Vai-Vai é um sambista ligado ao bairro do Bixiga, onde fica a sede da Escola de Samba Vai-Vai. Embora tenha passado a infância no Jardim Peri, na Zona Norte, ele adotou e foi adotado pelo Bixiga devido à sua forte ligação com a agremiação
  • A cantora e sambista Negra Dija é ligada à escola de samba Vai-Vai, tradicional agremiação do bairro do Bixiga
  • Osvaldinho da Cuíca nasceu no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, mas construiu sua trajetória e forte ligação com os cordões e batuques da Zona Norte (como no Tucuruvi) e com a escola de samba Vai-Vai
  • A sambista Tia Sahra (Sahra Brandão) faz parte da Escola de Samba Vai-Vai, ligada ao bairro do Bixiga
  • A sambista (e atriz) Denise é associada ao bairro do Bixiga, onde ela criou e comanda a roda de samba chamada Samba da Coxia
  • Seu Carlão do Peruche (Carlos Alberto Caetano) era ligado principalmente aos bairros da Barra Funda e do Peruche (Zona Norte de São Paulo)
  • O sambista Seu Dadinho (Eduardo Joaquim) viveu por mais de seis décadas no bairro da Vila Prado, localizado na Zona Norte de São Paulo, além de ter forte ligação com a Barra Funda por ser um dos fundadores da escola de samba Camisa Verde e Branco
  • Zezinho da Casa Verde (José Narciso Nazaré) e a família Tobias, como Inocêncio Tobias e Carlos Alberto Tobias, são grandes referências do samba ligados ao bairro da Casa Verde e também à tradicional ligação com a região do Morro da Casa Verde e do samba da Zona Norte e da Barra Funda em São Paulo

E fazemos, por fim, uma referência principal à figura de Plínio Marcos, que não era um sambista de um bairro específico de São Paulo, pois ele nasceu em Santos (litoral paulista), e se notabilizou como dramaturgo, escritor e grande divulgador da cultura popular e do samba paulistano. Sua relação com o nosso samba se deu, pois ele, defensor do samba, conviveu e registrou a obra de baluartes e compositores tradicionais de várias regiões da capital e do estado. Ele produziu o antológico disco “Plínio Marcos em prosa e samba – Nas quebradas do Mundaréu” (1974), ao lado de sambistas paulistanos como Geraldo Filme, Zeca da Casa Verde e Toniquinho Batuqueiro.

Meu lugar

O meu lugar é caminho de Ogum e Iansã
Lá tem samba até de manhã
Uma ginga em cada andar
O meu lugar
É cercado de luta e suor
Esperança num mundo melhor
E cerveja pra comemorar
Ai, o meu lugar
Tem seus mitos e seres de luz
É bem perto de Oswaldo Cruz
Cascadura, Vaz Lobo e Irajá
O meu lugar
É sorriso, é paz e prazer
O seu nome é doce dizer
Madureira, iá iá iá iá
Madureira (lá laiá) lá laiá
O meu lugar é caminho de Ogum e Iansã
Lá tem samba até de manhã
Uma ginga em cada andar
Em cada andar
O meu lugar
É cercado de luta e suor
Esperança num mundo melhor
E cerveja pra comemorar
O meu lugar
Tem seus mitos e seres de luz
É bem perto de Oswaldo Cruz
Cascadura, Vaz Lobo e Irajá
Ah, o meu lugar
É sorriso, é paz e prazer
O seu nome é doce dizer
Madureira, lá laiá
Madureira, lá, laiá laiá
Ah, meu lugar
A saudade me faz relembrar
Os amores que eu tive por lá
É difícil esquecer
Doce lugar
Que é eterno no meu coração
Que aos poetas traz inspiração
Pra cantar e escrever
Ai, meu lugar
Quem não viu Tia Eulália dançar
Vó Maria o terreiro benzer
E ainda tem jongo à luz do luar
Ai, que lugar
Tem mil coisas pra gente dizer
O difícil é saber terminar
Madureira, ai ai ai ai ai ai iá iá
Madureira, lá laiá laiá
Madureira
Em cada esquina um pagode num bar
Em Madureira
Império e Portela também são de lá
Em Madureira
E no Mercadão você pode comprar
Por uma pechincha você vai levar
Um dengo, um sonho pra quem quer sonhar
Em Madureira
E quem se habilita até pode chegar
Tem jogo de lona, caipira e bilhar
Buraco, sueca pro tempo passar
Em Madureira
E uma fezinha até posso fazer
No grupo dezena, centena e milhar
Pelos sete lados eu vou te cercar
Em Madureira
Laiá lalaiá lalaiá lalaiá
Laiá lalaiá lalala lalaiá
Laiá laiá laiá laiá
Em Madureira
Laiá lalaiá lalaiá lalaiá
Laiá laiá laiá la
Laiá lalaiá lalalalalaiá
Em Madureira
Arlindo
Em Madureira

Arlindo Cruz (Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1958 – 8 de agosto de 2025) / Mauro Diniz (Rio de Janeiro, 3 de outubro de 1952). “Meu Lugar” é um hino de amor ao bairro de Madureira e ao subúrbio carioca, lançado por Arlindo Cruz em 2007 no álbum “Sambista Perfeito”. A música foi composta por Arlindo Cruz em parceria com o também sambista Mauro Diniz, filho do célebre sambista Monarco (Hildmar Diniz), baluarte e uma das maiores vozes da Velha Guarda da Portela. A letra é uma homenagem profunda a Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, celebrando a identidade, a vivência e a resistência cultural da região. Os primeiros versos citam as divindades porque o bairro fica geograficamente localizado entre pontos de referência dessas energias (como Quintino e a igreja de Santa Bárbara em Rocha Miranda). A canção exalta o samba, os terreiros, o Mercadão de Madureira e o orgulho da herança afro-brasileira. Cita figuras históricas e baluartes do samba local, como Tia Eulália e Vó Maria, além de remeter indiretamente à força de escolas tradicionais como Império Serrano e Portela. O sucesso transformou a faixa em um verdadeiro manifesto da cultura popular e do subúrbio do Rio de Janeiro