Seminário – A cidade: sugestões para a investigação do comportamento humano no meio urbano, de Robert Ezra Park
Este paper foi publicado em 1915 e nele Park demarcava como campo de estudo as questões pesquisáveis sobre instituições e processos que pudessem ser observados imediatamente, contrapondo-se assim à tradição de estudos filosóficos abstratos.
Este texto é na verdade um programa de investigação, onde Park define a sua concepção sobre o assunto, apresenta um conceito, detalha suas teses e hipóteses e apresenta na forma de uma série de perguntas os temas a serem estudados empiricamente e que só poderiam ser respondidas a partir de uma observação de campo.
Park defende logo no início de seu estudo que a cidade é algo mais do que um amontoado de homens individuais e de conveniências sociais. Para ele, a cidade é um estado de espírito, um corpo de costumes e tradições e dos sentimentos e atitudes organizados, inerentes a estes costumes e transmitidos por essa tradição. A cidade é um produto da natureza humana.
Mostra que a cidade tem sido estudada segundo o ponto de vista de sua geografia e de sua ecologia.
A Ecologia Humana foi definida por Park como sendo “a ciência que procura isolar os fatores (forças que tendem a ocasionar um agrupamento típico e ordenado de sua população e instituições) e descrever as constelações típicas de pessoas e instituições produzidas pela operação conjunta de tais forças”.
Sua preocupação é estudar a vida urbana, nesta perspectiva ecológica, diferenciando-se da ecologia vegetal e animal. O artigo trata de uma série de elaborações teóricas do autor sobre diferentes aspectos da vida urbana e de um elenco de questões orientadoras de novas pesquisas.
Ele define os fatores primários na organização ecológica da cidade, que seriam todos as coisas que tendem a ocasionar a um mesmo tempo maior mobilidade e maior concentração de populações urbanas, como o transporte e comunicação, as linhas de bonde e os telefones, os jornais e a publicidade, as construções de aço e os elevadores.
A cidade é também uma unidade econômica, baseada na divisão do trabalho.
E, finalmente, a cidade é o habitat natural do homem civilizado.
Park destaca a importância de se estudar as cidades, quando afirma que a Antropologia tem-se preocupado com o estudo dos povos primitivos, mas o homem civilizado é um objeto de investigação igualmente interessante, e ao mesmo tempo sua vida é mais aberta à observação e ao estudo. Segundo nosso autor deveriam ser aplicados os mesmos métodos de observação dos antropólogos no estudo dos costumes, crenças, práticas sociais, e concepções gerais de vida do homem urbano.
O objetivo principal de seu artigo é definir um ponto de vista e indicar um programa para o estudo da vida urbana, ou seja, sua organização física, suas ocupações e sua cultura.
I. O plano da cidade e a organização local
A cidade está enraizada nos hábitos e costumes das pessoas que a habitam. Ela possui uma organização moral e uma organização física.
O plano da cidade – existe um limite em sua estrutura e em sua ordem moral.
Ele destaca a vizinhança, que é uma localidade com sentimentos, tradições e uma história sua, onde ocorre a continuidade dos processos históricos.
A vizinhança – base para a mais simples e elementar forma de associação, com isso passa a ser a base do controle político, sendo a menor unidade local.
A vizinhança é uma unidade social que pode ser justamente considerada como funcionando à semelhança da mente social.
Ela existe sem uma organização formal.
Colônias e áreas segregadas – a facilidade de meios de comunicação e transporte tende a destruir a permanência e a intimidade da vizinhança. O isolamento das colônias raciais e de imigrantes nos guetos e nas áreas de segregação populacional tendem a preservar e a intensificar a intimidade e a solidariedade dos grupos locais e de vizinhança.
Mostra que a mais notável das cidades dentro de cidades é East London, que se caracteriza por ser uma cidade de uma única classe: os 2 milhões de trabalhadores.
II. A organização industrial e a ordem moral
Park afirma que a competição industrial e a divisão do trabalho só são possíveis sob a condição da existência de mercados, dinheiro e outros expedientes para facilitar os negócios e o comércio.
Classes vocacionais e tipos vocacionais – Quando compara um filósofo com um porteiro comum de rua, Park afirma que a diferença de talentos veio a ser notada, e se amplia por graus, até que finalmente a vaidade do filósofo não deseja reconhecer praticamente semelhança alguma.
As notícias e a mobilidade do grupo social – Logo no início dessa parte ele afirma que, cria-se dessa forma uma organização social na qual o indivíduo passa cada vez mais a depender da comunidade de que é uma parte integrante. Fica então a pergunta: será que é pela questão da legitimidade?
A bolsa de valores e a multidão – Para Park, momentos psicológicos podem surgir em qualquer situação social, mas ocorrem mais frequentemente numa sociedade que tenha adquirido um alto estágio de mobilidade. Ocorrem mais frequentemente numa sociedade em que a educação é generalizada e em cidades do que em comunidades menores.
III. Relações secundárias e controle social
O convívio coletivo não traz somente prejuízos às pessoas, como o vício, pode também trazer coisas boas como o aprendizado de coisas novas e melhores.
Grupos primários: caracterizados por associação e cooperação íntimas face a face. São fundamentais na formação da natureza social e dos ideais de cada indivíduo. Eles representam um “nós”.
As relações secundárias seriam todos os tipos de contatos impessoais.
A igreja, a escola e a família – Ele afirma que é importante que essas instituições sejam estudadas sob o ponto de vista do processo de reajustamento às condições da vida cotidiana.
A crise e os tribunais – Park define o termo “crisis” como aquilo envolvido em qualquer distúrbio de hábito. Qualquer tensão de crise envolve três possíveis mudanças: maior adaptação, eficiência reduzida ou morte. Biologicamente, “sobrevivência” significa ajustamento bem sucedido a crise, tipicamente acompanhado por uma modificação de estrutura.
Vício comercializado e tráfico de bebidas – Comenta que os estabelecimentos de vício surgiram como um meio de explorar os instintos e apetites fundamentais da natureza humana.
Política partidária e publicidade – No primeiro parágrafo desse ponto ele comenta que a base real parece ser o reconhecimento do fato de que a forma de Governo que tinha sua origem na assembleia da cidade não é apropriada para o Governo das populações heterogêneas e em mudanças em grandes cidades.
Propaganda e controle social – Para ele a publicidade passou a ser uma forma de controle social reconhecida, e a propaganda – “propaganda social” – se tornou uma profissão com uma técnica elaborada sustentada por um corpo de conhecimentos específicos.
IV. O temperamento e o meio urbano
A mobilização do homem individual – O efeito do isolamento é substituir as associações mais íntimas e permanentes da comunidade menor por uma relação casual e fortuita. Mostra de certa forma a relação entre pessoas que se encontram mais que não se conhecem.
A região moral – Mostra que as causas desse fenômeno são devidas às restrições que a vida urbana impõe e a permissibilidade que essas mesmas condições oferecem.
Temperamento e contágio social – Park afirma que a associação com outros de sua laia (sic) proporciona não apenas um estímulo, mas também um suporte moral para os traços que têm em comum, suporte que não encontrariam em uma sociedade menos selecionada.
Cappetti destaca essa seção em seu ensaio de 1993 “Mapas, Modelos e Metáforas: Teorias da Cidade”, pois, segundo ela, essa seção muda a atenção da cidade para o cortiço (slum). Nessa parte de seu ensaio, Park redefine a cidade como uma expressão biológica em vez de cultural.
Ele mostra que “as grandes cidades tem sido o candinho de raças e culturas. Das vívidas interações de que têm sido os centros, têm vindo mais novos híbridos e os mais novos tipos sociais”.
Diferentemente da primeira parte, Park defende agora, segundo Cappetti, à medida em que os imigrantes são transformados de “pessoas primitivas”, suas “energias latentes” são também libertadas (modelo em termos biológicos).
Nesse ponto Cappetti faz uma forte crítica ao programa de investigação de Park, dizendo que sua linguagem se torna cada vez mais conceitualmente instável e que ele tenta modificar a sua metáfora de autodestruição, ameaçando sua teoria mais geral da cidade como modernidade libertadora, caindo em uma linguagem ainda mais biológica. Ela defende que Park passa a ver a migração para a cidade moderna como um retorno a um hipotético aspecto primitivo da natureza humana (“…, mas em alguma coisa mais fundamental e primitiva que atrai muitos, senão a maioria, dos jovens homens e mulheres da segurança de seus lares no interior para a grande, explosiva confusão e excitação da vida da cidade”).
O impulso desse movimento passa a ser biológico: impulso para migrar; efeito da cidade sobre os novos imigrantes e sobre as pessoas que livremente “se movimentam” em seu interior. Pela ótica da “moralidade em biologia”, Park capta a esquizofrenia cultural do imigrante que, vivendo no interior de culturas distintas e algumas vezes incompatíveis, torna-se um etnógrafo e relativista, tanto cultural como moralmente. Esses tipos são visíveis no contraste entre a cidade e a pequena comunidade, a cidade pequena e a aldeia. Exemplifica dizendo que o que a aldeia apenas tolera, a cidade (e o slum) recompensa.
Alunos: Eduardo Alexandre Ferreira Matosinho e Silene Flose Reimberg (27/04/2005)
Artigo para seminário feito durante a minha estadia na Universidade De São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, como aluno especial, para o curso do Programa de Pós-Graduação em Sociologia para a matéria FLS5080-1 – A Teoria Social de William Thomas e a Escola Sociológica de Chicago, ministrada pelo Prof. Dr. Mário Eufrasio.
Desabrochar
Ode a um príncipe desaparecido: Variação
Pi ca no
Seu nome reluz, é ouro
De transumais leves traços
Que nem pra vã ou viu tudo como dito
Cuja “persona” és mui atroz:
“No entanto a tua
Presença é qualquer
Coisa como a
Luz e a vida”
Citando na segunda estrofe o poema “Ausência”, escrito no Rio de Janeiro em 1935 por Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 – Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980)
Diacuí
Viva as mulheres pelo seu Dia!
Hoje é o Internacional da Mulher. A história mostra que há 51 anos, ou seja, desde 1975, as Nações Unidas decidiram referendar o dia 8 de março como “Dia Internacional da Mulher”. Em 1910, já havia sido decidido na Dinamarca, em uma conferência internacional de mulheres, de se comemorar neste dia o “Dia Internacional da Mulher” em homenagem às americanas mortas há 169 anos atrás, como veremos. Nessa ocasião elas reivindicavam, além do direito de voto e de participação pública, o direito de trabalhar, de treinamento vocacional e do fim da discriminação no trabalho.
Essa data marca uma das mais importantes lutas políticas travadas pela humanidade. A emancipação da mulher e sua inserção plena na sociedade são alguns dos pilares que demarcam a transição para o mundo moderno. Uma conquista obtida com muita luta. No dia 8 de março de 1857 as operárias têxteis americanas de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve e ocuparam a fábrica, para reivindicarem uma redução da jornada diária de trabalho de mais de 16 horas para 10 horas, sendo que na época elas recebiam menos de um terço do salário dos homens. Como represália a este movimento elas foram fechadas na fábrica, que acabou pegando fogo e matando mais de 130 mulheres queimadas.
Como marco das conquistas das mulheres brasileiras temos a data de 24 de fevereiro de 1932, quando foi instituído o voto feminino. Desta forma, as mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no Executivo e Legislativo. Como vemos, esta é uma data que merece justas homenagens às mulheres que tanto lutaram pelos seus direitos e que hoje comprovam com brilhantismo que esta luta não foi em vão.
Há muito por fazer. Na representação política, no Brasil, a presença das mulheres precisa crescer. Uma presença marcante que quanto mais cresce mais acrescenta qualidade, sensibilidade e foco nas questões relevantes para a vida de nossa gente.
Fundo de papelão (Recém emoldurado)
Sonnets
XCI
Some glory in their birth, some in their skill,
Some in their wealth, some in their body’s force,
Some in their garments though new-fangled ill;
Some in their hawks and hounds, some in their horse;
And every humour hath his adjunct pleasure,
Wherein it finds a joy above the rest:
But these particulars are not my measure,
All these I better in one general best.
Thy love is better than high birth to me,
Richer than wealth, prouder than garments’ cost,
Of more delight than hawks and horses be;
And having thee, of all men’s pride I boast:
Wretched in this alone, that thou mayst take
All this away, and me most wretched make.
LII
So am I as the rich, whose blessed key,
Can bring him to his sweet up-locked treasure,
The which he will not every hour survey,
For blunting the fine point of seldom pleasure.
Therefore are feasts so solemn and so rare,
Since, seldom coming in the long year set,
Like stones of worth they thinly placed are,
Or captain jewels in the carcanet.
So is the time that keeps you as my chest,
Or as the wardrobe which the robe doth hide,
To make some special instant special-blest,
By new unfolding his imprison’d pride.
Blessed are you whose worthiness gives scope,
Being had, to triumph; being lacked, to hope.
William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, Reino Unido, 1564 (batizado a 26 de abril) — Stratford-upon-Avon, Reino Unido, 23 de abril de 1616)