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Nelson Rodrigues e as suas treze frases mais célebres

“Toda unanimidade é burra.”

“Só o inimigo não trai nunca.”

“Invejo a burrice, porque é eterna.”

“Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.”

“Todo amor é eterno e, se acaba, não era amor.”

“Só o cinismo redime um casamento.”

“Sem paixão não dá nem pra chupar um picolé.”

“A família é o inferno de todos nós.”

“Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida.”

“Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos.”

“O Brasil é muito impopular no Brasil.”

“O brasileiro é um feriado.”

“Os idiotas vão dominar o mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Têm muita força.”

Nelson Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912 – Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980) foi um escritor, jornalista, romancista, teatrólogo, contista e cronista de costumes e de futebol brasileiro. É considerado o mais influente dramaturgo do Brasil. Mudou-se em 1916 para a cidade do Rio de Janeiro. Ficou famoso, entre muitos de seus feitos, por suas famosas frases que revelam de forma direta e sem filtros a alma e as contradições humanas, o amor, a sociedade, a hipocrisia, o cotidiano brasileiro e o futebol, abordando com ironia e profundidade esses temas

Soneto XXIII

Enquanto que de rosa e de açucena
se mostra toda a cor neste teu rosto,
enquanto o teu olhar ardente, honesto,
acende o coração e o serena;

e enquanto o teu cabelo, que das franjas
do ouro se escolheu, com voo presto,
sobre o formoso colo branco, ereto,
o vento move, espalha e desarranja:

colhe de tua alegre primavera
o doce fruto, antes que o tempo airado
recubra de neve o formoso cume;

murchará a rosa o vento gelado.
Mudará tudo o tempo que não espera,
tão só por não mudares teu costume.

Tradução de Nelson Santander

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En tanto que de rosa y azucena
se muestra la color en vuestro gesto,
y que vuestro mirar ardiente, honesto,
enciende al corazón y lo refrena;

y en tanto que el cabello, que en la vena
del oro se escogió, con vuelo presto,
por el hermoso cuello blanco, enhiesto,
el viento mueve, esparce y desordena:

coged de vuestra alegre primavera
el dulce fruto, antes que el tiempo airado
cubra de nieve la hermosa cumbre;

marchitará la rosa el viento helado.
Todo lo mudará la edad ligera
por no hacer mudanza en su costumbre.

Garcilaso de la Vega (Toledo, Espanha, c. 1503 – Nice, França, 14 de outubro de 1536), introduziu o Renascimento italiano na poesia espanhola. Suas principais obras são éclogas e poemas de amor. Seus poemas incluem três pastorais, 37 sonetos, cinco canções, duas elegias e uma epístola em versos brancos

O Rio Paranapanema

Nasci não muito longe das barrancas do Paranapanema.
Esse rio que passa na minha aldeia, não é o Tejo e nem o Nilo,
mas também é cheio de contos, causos e cantos.
Místico que sou, sempre acreditei que os rios têm alma.
Choram, guardam segredos, sangram e sorriam.
Também pensava assim Tales de Mileto, filósofo grego,
segundo o qual a água é o elemento primeiro do universo.
Meu rio, que hoje recebe o status de “rio mais limpo do Estado de São Paulo”,
vira e mexe é alvo de interesses escusos. Estes, aliás,
sempre travestidos de um pseudo-progresso-autossustentável
como canta a canção de uma viola engajada:

“Meia dúzia de carrascos movidos pela ambição
Tentaram matar o rio com indústrias na região
O povo da redondeza fez das tripas coração
A empresa criminosa bateu com a cara no chão”

Sempre que sei de novas investidas contra o “Panema” tenho vontade de armar uma esquadra de barcos cheios de carrancas, iguais aquelas do Rio São Francisco, para espantar esses maus espíritos que se entocaiam na região.
Mas aí, há amigos que me convencem que a poesia e o canto dos violeiros locais, são a melhor cruzada para mobilizar o povo e proteger o rio. De fato, a voz e a viola de Tião Carrero e Pardinho [famosos na música sertaneja] sempre se ouve em suas águas abençoadas [e limpas na divisa entre São Paulo e Paraná]:

“O rio Paranapanema é obra do Criador
É espelho das estrelas o mundo do pescador
No livro da natureza vai entrar mais um poema
Vamos cantar a beleza do rio Paranapanema…
De nascentes cristalinas suas águas são formadas,
Matando a sede do gado e banhando as invernadas.
O rio Paranapanema deságua no Paraná
Mas toda a sua beleza deságua no meu cantar”

(Para meu pai que me levava para pescar no “Panema”)

Carlos Alberto Rodrigues Alves, de iniciais C. A. R. A. (Itatinga, São Paulo – 17 de fevereiro de 1957) é teólogo, pedagogo, Pastor evangélico e professor

Ou como nomeou alguns de seus quadros o mestre e pintor Valdir Sarubbi (Bragança, Pará, 10 de outubro de 1939 – São Paulo, 8 de novembro de 2000): “Este rio é minha rua”… (Pois nasci bem próximo das margens desse rio, na Vila Odilon, na Rua Padre Rui Cândido da Silva, que atravessa todo o bairro e termina nele e, que antes de receber o nome desse religioso, essa rua chamava-se Paranapanema)

Gentileza

Feito louco
Pelas ruas
Com sua fé
Gentileza
O profeta
E as palavras
Calmamente
Semeando
O amor
À vida
Aos humanos
Bichos
Plantas
Terra
Terra nossa mãe

Nem tudo apodrecido
De modo que se possa dizer
Nada presta
Nada presta
Nem todos derrotados
De modo que não dê pra se fazer
Uma festa
Uma festa

Encontrar
Perceber
Se olhar
Se entender
Se chegar
Se abraçar
E beijar
E amar
Sem medo
Insegurança
Medo do futuro
Sem medo
Solidão
Medo da mudança
Sem medo da vida
Sem medo medo
Da gentileza
Do coração

Feito louco pelas ruas

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, conhecido como Gonzaguinha (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1945 – Renascença ou Marmeleiro, Paraná, 29 de abril de 1991). Essa música é uma bela homenagem ao Profeta Gentileza e sua mensagem de amor, paz e respeito à natureza e ao ser humano, na qual ele narra a história real de José Datrino, o famoso Profeta Gentileza que caminhava pelas ruas do Rio de Janeiro. Na introdução falada da música, Gonzaguinha diz:”Há muitos e muitos anos atrás, uma família inteira morreu num circo em Niterói, em um incêndio. Aconteceu e morreram muitas pessoas. Eu falo nessa família em especial porque, evidentemente, o pai sobreviveu. E até hoje anda pelas ruas do Rio de Janeiro. Cabelos compridos, roupa branca e estandarte. Pregando o amor entre as pessoas, pregando atenção, pregando carinho. Seu nome é Gentileza. Dizem que é um louco, eu digo que é um profeta…” Logo em seguida, a letra cantada reforça a imagem do profeta e sua caminhada: Feito louco, pelas ruas com sua fé / Seu estandarte, sua palavra de amor…(Nota: O Profeta Gentileza também ficou imensamente conhecido na MPB anos mais tarde através da música “Gentileza”, lançada por Marisa Monte em 1994, que cita o seu famoso lema “Gentileza gera gentileza”)