Montado usando desenhos de um artista desconhecido, talvez da colega Ana Perla Levy, que encontrei em meus guardados e trazidos do Ateliê Livre onde Valdir Sarubbi ministrava um curso de pintura.
Labareda
Grafitagem (85 Es)
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Dez chamamentos ao amigo – Hilda Hilst (https://ematosinho.com.br/?p=7272)
Raspado com lápis grafite em molde de madeira
Pra quê discutir com Madame
Madame diz que a raça não melhora
Que a vida piora por causa do samba
Madame diz o que samba tem pecado
Que o samba, coitado, devia acabar
Madame diz que o samba tem cachaça
Mistura de raça, mistura de cor
Madame diz que o samba democrata
É música barata sem nenhum valor
Vamos acabar com o samba
Madame não gosta que ninguém sambe
Vive dizendo que samba é vexame
Pra quê discutir com madame?
Vamos acabar com o samba
Madame não gosta que ninguém sambe
Vive dizendo que samba é vexame
Pra quê discutir com madame?
No carnaval que vem também concorro
Meu bloco de morro vai cantar ópera
E na Avenida, entre mil apertos
Vocês vão ver gente cantando concerto
Madame tem um parafuso a menos
Só fala veneno, meu Deus, que horror
O samba brasileiro democrata
Brasileiro na batata é que tem valor
Composto por Haroldo Barbosa (Rio de Janeiro, 21 de março de 1915 — 6 de setembro de 1979) e Janet de Almeida (Rio de Janeiro, 1919 – 1945) e cantada ao vivo de forma magistral por João Gilberto (Juazeiro, Bahia, 10 de junho de 1931 — Rio de Janeiro, 6 de julho de 2019)
Da série: “Cor do cerrado”, com a técnica encáustica sobre madeira
Marlene Trouva
“Essa belezura também já encontrou o seu lar, levando consigo o perfume do mel e a força do cerrado…🥰🙏”
🐝 Pintura em encáustica
⬇️ Assista ao Documentário: https://www.youtube.com/watch?v=O8zAAG4FPTM
Marlene Trouva é uma artista visual com mais de 24 anos de carreira. Se dedica a criação de seus trabalhos em encáustica quente, fria e técnica mista; atua como professora de artes em cursos de pintura em tela no ateliê e no SESC – Rondonópolis, além de desenvolver trabalhos de restaurações de obras artísticas e peças sentimentais, para clientes em geral.
O Projeto “Marlene Trouva – Cor da arte no Cerrado”, teve incentivo da Lei Aldir Blanc, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer – SECEL/ MT, Secretaria Especial da Cultura – Ministério do Turismo, Pátria Amada Brasil – Governo Federal, que homenageiam Marlene como Mestre da Cultura de Mato Grosso. Essa exposição quis evidenciar que a obra da artista e teve por objetivo transformar, dar relevo e textura e colorir o vazio cotidiano existente com leveza, de forma encantadora, profunda e significativa. É um projeto individual e original em sua essência e expressão pois Marlene trabalha com encáustica, uma técnica de pintura conhecida como pintura a fogo, desenvolvida pelos gregos desde o século V a.C., na qual os pigmentos de cor são diluídos em cera quente. Ela também trabalha com cera fria. Os pontos fortes da técnica, os quais encantam a artista são o relevo e a textura. Em suas palavras: “A característica mais marcante em meu trabalho é a textura e o relevo produzido nos trabalhos com encáustica. Ela faz parte da minha vida! Me apaixonei por essa técnica justamente porque ela me possibilita criar uma gama de texturas e relevos na tela, de forma que eu consigo representar, do meu jeito, explorando o colorido do cerrado mato-grossense.” Quando fez o curso, os principais pontos que chamaram a atenção da artista foram: o desvendar de uma técnica milenar, o efeito produzido por ela e o fato de a cera de abelha ser uma matéria prima orgânica. O fato de criar suas próprias obras, restaurar peças sentimentais, entre outras e ministrar cursos de pintura em tela para alunos em seu ateliê e no SESC-Rondonópolis, Trouva evidencia seu compromisso e cuidado em manter e preservar a cultura regional. O evento pandêmico despertou Marlene quanto a inserção de cores, habilidades e técnicas sobre a tensa realidade do panorama atual, e para tanto, tem se superado e desdobrado criatividade sobre telas e painéis, tornando suportável, o momento vivido. A ideia dessa proposta vem da efervescência criativa em meio ao isolamento social e a originalidade e caráter pictórico único dessa artista, no centro de uma crise sem precedentes na História, vem impactar a cena cultural de Mato Grosso e Rondonópolis e atrair o interesse público para uma forma de expressão artística milenar.
Proponente: Regina Maslem
Realização: Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso
Secretaria Especial da Cultura
Ministério do Turismo
Governo de Mato Grosso
Contatos:
www.instagram.com/marlenetrouvaar
arte.mtrouva@gmail.com
WhatsApp: (66) 9 9988-3380
https://cordaartenocerrado.wixsite.com/my-site
Artista indicada para o blog pela prima Celize Mattosinho Davanso, que comenta: “Boa tarde, Eduardo, tudo bem? Quero te falar da minha professora Marlene Trouva que faz trabalhos lindos em encáustica. Dê uma olhada no Insta dela”.
Letras pércias 2
Decifrando o escrito: “Esse sonho é um barato”
Letras que flutuam
O “Instituto Letras que Flutuam” é uma associação sem fins lucrativos fundada a partir de 15 anos de pesquisas e ações em parceria com os abridores de letras de barcos da Amazônia. Sua trajetória é feita de encontros com mestres que, com tinta, traços e ancestralidade, colorem os rios da Amazônia.
Com eles foram desenvolvidos projetos de mapeamento, oficinas de formação, exposições, geração de renda, capacitação para o mercado e dois documentários que registram esse saber em movimento.
Trabalham para que a letra decorativa amazônica seja reconhecida como patrimônio cultural imaterial, não apenas pelo valor estético, mas pelo que ela representa: um modo de existir, um ofício tradicional, um fazer ancestral profundamente ligado ao território.
De 2008 a 2022, realizaram oficinas, residências, exposições, ciclos de escuta e ações de valorização em Belém, na Ilha do Combu, no Marajó e em outras regiões ribeirinhas. O projeto cresceu e virou Instituto em 2024, mantendo seu compromisso com os mestres abridores e ampliando suas frentes de atuação. Desde 2023, desenvolveram uma linha de produtos em parceria com os abridores de letras, integrando os saberes desses mestres com outras tradições amazônicas, como o artesanato de Miriti. O objetivo é claro: fortalecer redes, ampliar renda e manter os mestres em seus territórios.
A Amazônia, rica em tradições fluviais, é marcada por milhares de embarcações adornadas com caligrafias coloridas criadas por artistas conhecidos como abridores de letras. Para fortalecer e preservar esses saberes populares, nasceu este instituto, o primeiro dedicado à cultura ribeirinha no Brasil.
A imprensa noticiou que “Região das águas, a Amazônia tem forte tradição fluvial. Milhares de embarcações cortam rios, igarapés e furos floresta adentro. Cada uma delas é marcada por belas e singulares caligrafias coloridas, criadas pelos abridores de letras. Imbuído do propósito de fortalecer os saberes desses artistas populares, nasce o “Instituto Letras que Flutuam” – um marco histórico por ser o primeiro instituto voltado à cultura ribeirinha no Brasil.” E que “A tradição, que surge na região por volta de 1930 e se estabelece em 1960 com a obrigatoriedade de identificação dos barcos, diz respeito a todo um universo que se capilariza por rios, furos e igarapés.”
E no dizer de Fernanda Martins, diretora geral e pesquisadora de lá: “O homem amazônico que vive na beira, vive um mundo que a natureza impõe o verde, marrom e azul, e para se sobrepor a este regime, ao fazer cultura ele traz o colorido, o caqueado, seja nas suas casas, que têm paredes multicoloridas, seja nas roupas e nos barcos”. E também que “A difusão desse vocabulário imagético ribeirinho o fez reconhecido em todo o Brasil. Isso se comprova pela enorme quantidade de produtos que estão utilizando as letras decorativas da Amazônia, sem contar produtos publicitários e marcas de empresas.” Porém, alerta Fernanda, “isso não se refletiu na ampliação do mercado de trabalho aos abridores de letras, que são, originalmente, os autores dessa obra singular, mas permanecem invisíveis.” E acrescenta que “Vemos com frequência designers e publicitários copiando o trabalho destes artistas, então o debate sobre direitos autorais é fundamental. Esta é a grande urgência do “Instituto Letras que Flutuam”: torna-se necessário não apenas divulgar este saber, como anteriormente foi feito, mas buscar novas formas de reconhecimento e geração de renda para os verdadeiros detentores do saber de abrir letras em barcos na Amazônia”.
Belém – PA
Tv. Rui Barbosa 257 – Sala 3 – Reduto, Belém – PA
Contatos:
www.facebook.com/letrasqueflutuam
www.instagram.com/letrasqflutuam
www.youtube.com/@letrasqflutuam
https://letrasqflutuam.org.br/
WhatsApp / Fernanda Martins: (16) 9 9311-2323
Fumando
Parque Nacional Serra da Capivara no Piauí e a arqueóloga Niède Guidon
O Parque Nacional da Serra da Capivara, localizado no estado do Piauí, é um dos maiores e mais importantes sítios arqueológicos do mundo. Sua área tem a maior e mais antiga concentração de sítios pré-históricos da América. Criado em 1979 e administrado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) em parceria com a FUMDHAM (Fundação Museu do Homem Americano), o parque foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 1991. Seus principais destaques arqueológicos são o acervo de Pinturas Rupestres pois abriga mais de 1.000 sítios catalogados com a maior concentração de arte rupestre do planeta, retratando rituais, caça, figuras geométricas e animais da fauna pré-histórica. É um local com vários atrativos, monumental museu a céu aberto, entre belíssimas formações rochosas, onde encontram sítios arqueológicos e paleontológicos espetaculares, que testemunham a presença de humanos e animais pré-históricos. O parque nacional foi criado graças, em grande parte, ao trabalho da arqueóloga, pesquisadora e professora universitária brasileira Niède Guidon (Jaú, São Paulo, 12 de março de 1933 — São Raimundo Nonato, Piauí, 4 de junho de 2025), que, até seu falecimento, atuava como Presidente Emérita da Fundação Museu do Homem Americano, instituição responsável pelo manejo do parque.
Pesquisas lideradas por essa arqueóloga revelaram vestígios de fogueiras, ferramentas de pedra lascada e ossos que indicam a presença humana há mais de 50 mil anos, desafiando as teorias tradicionais sobre o povoamento das Américas. A arte rupestre divide-se em tradições marcantes, como a Tradição Nordeste (destacando o estilo inicial Serra da Capivara, cheio de dinamismo e movimento) e o estilo final Serra Branca (focado em elementos ornamentais e cocares). Entre os locais mais pesquisados estão a Toca do Boqueirão da Pedra Furada, o Sítio do Meio e o Baixão das Andorinhas. O acervo material escavado ao longo das décadas é exibido no Museu do Homem Americano e no Museu da Natureza, ambos localizados na região de São Raimundo Nonato e a cidade de São Raimundo Nonato serve como o principal ponto de entrada e hospedagem para visitantes e pesquisadores.

Fotos de Edna Matosinho de Pontes, que comenta: “Passei quatro dias deslumbrantes na Serra da Capivara. Já admirava a arqueóloga Niède Guidon, responsável pela criação do Parque Arqueológico da Serra da Capivara e muito mais! Mas só quando cheguei lá pude conhecer o seu enorme trabalho de inclusão social da população que já vivia naquela área. Para estruturar a Cerâmica Serra da Capivara ela convidou o ceramista Megume Yuasa do estado de São Paulo para ensinar como produzir cerâmica lá. Ele ensinou tudo sobre a argila – onde encontrar, como preparar a argila e como fazer a extração sem esgotar a fonte do barro. Renato Imbroisi, design de artesanato, que tive o prazer de conhecer foi o mentor desta viagem ao Piauí. Descobri que Niède tinha também senso estético. Esses dois enormes reservatórios de água (Imagem acima), pintados de fábrica na cor azul, foram pintados na cor que ela desenvolveu e que levam o seu nome. As trilhas e escadas do parque foram feitos de tal forma que não destroem em nada a paisagem e os sítios arqueológicos.”