
“A primeira vez que você se hospedou lá foi em 30/12/1977, tendo saído em 01/01/1978.. Tinha 13 aninhos e simplificava o nome, Eduardo Matosinho….”
“Achei um outro registro seu e da Luiza de n° 619 em 2012…”
Edna Vieira de Carvalho
Blog de Eduardo Matosinho – ematosinho@uol.com.br – WhatsApp: (11) 9 9781-4370

Comentada no Instagram pelo curador e crítico de arte Oscar D’Ambrosio à partir de sua sugestão abaixo respondida por mim:
“Se você quiser participar [com diversas frases que buscam definir o que é arte], mande para mim uma imagem, com a fichinha técnica e com o nome do pensador citado, que converse com a frase original e com a do Oscar.”
Ficou assim a postagem feita por ele (https://www.instagram.com/p/DZqIGw4pT2D/):
Nariz de banana, s/d
Eduardo Matosinho
Nanquim diluído em água, guache Caran d’Ache e lápis grafite
31 x 21,5 cm
“É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente.”
In: Simone de Beauvoir em sete frases célebres (https://ematosinho.com.br/?p=12970)
Simone de Beauvoir (Paris, França, 9 de janeiro de 1908 – 14 de abril de 1986) foi uma influente filósofa existencialista e feminista francesa, conhecida por questionar papéis de gênero e defender a liberdade individual.
“Nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer”. In “A Idade da Razão”, 1945
In: Frases de Jean-Paul Sartre (https://ematosinho.com.br/?p=6646)
Jean-Paul Sartre (Paris, França, 21 de junho de 1905 – 15 de abril de 1980) foi um filósofo, escritor e crítico francês, conhecido como representante do existencialismo.
Um rosto é uma representação visual sempre desafiadora, pois tem como referências nós mesmos e o outro. Transformar a imagem humana constitui um exercício permanente de interpretação, pois cada mudança leva o olhar para um universo de interpretações. A imagem criada, assim, fala por si mesma e cada um a lê como acha e como consegue, utilizando a sua emoção, exigência técnica e criatividade.
Oscar D’Ambrosio (16/06/2026)
eu nunca estarei à altura dos meus poemas
eu tusso eu ofego
enquanto eles respiram livremente
eu caminho por aí de olhar fixo
eles conhecem seu próprio valor
me ridicularizam
à noite eles saem aos berros às ruas
mas de dia sentam-se comportados no escritório
batendo à mesa com um lápis dizendo
qual o seu número?
eu me decepcionei com todos eles
eu não os criei à minha imagem e semelhança?
eles deviam fazer propaganda de mim mesmo
e o que eles estão fazendo?
sorrindo com desdém
enquanto uma delegação de poetas europeus os aplaude
eu desmaio num banco de parque a cagar nas calças
quando estou doente eles vêm me ver? não
quando estiver morto
trarão flores ao meu túmulo? oh não
eles não têm órgãos internos
eles não envelhecem
eu encolho enquanto crescem
eu morro
e eles vivem com a bunda virada pra lua
Pentti Saarikoski (Pitkyarantsky District, Rússia, 2 de setembro de 1937 – Joensuu, Finlândia, 24 de agosto de 1983) foi um poeta, escritor e tradutor finlandês, figura central da poesia finlandesa do pós-guerra. A sua obra é conhecida pela sua intensidade lírica, pelas suas reflexões sobre a condição humana, a sociedade e a identidade, e pela sua experimentação formal. Saarikoski é considerado um dos poetas mais importantes da Finlândia, cuja obra continua a ressoar pela sua honestidade e profundidade. Poeta fundamental do pós-guerra, conhecido por aproximar a linguagem falada da poesia e por traduzir clássicos como A Odisseia do grego Homero e Ulisses do irlandês James Joyce e considerado um dos poetas mais importantes da cena literária da Finlândia durante as décadas de 1960 e 1970
(Em comemoração aos 6 anos da publicação de “Cartas da alteridade”)
vivo en conversación con los difuntos, y escucho con mis ojos a los muertos.
Francisco de Quevedo
e legou ao filho todos estes mundos
em tantas encadernações, aqui jazem
redivivos, doutos, planos, assombros
gentil cemitério de d. Francisco de Quevedo
abismos em espera, letra insubmissa
corre nestas veias imemoriais, remanso
de passados alheios, contidos, prensados
e meus traços tímidos a lápis, levemente
como hoje fosse este silêncio presente
Edney Cielici Dias (Piacatu, São Paulo, 14 de fevereiro de 1963): “Espaços brancos entre substantivos: diversos, verticais, humilíssimos, incandescentes”. Autor multifacetado, poeta desde sempre, pesquisador, economista, jornalista, professsor, editor, doutor em ciência política. In “Cartas da alteridade”, São Paulo: Selo Demônio Negro, 2020. Este livro consolida de forma singular quatro décadas de suas anotações poéticas. Livro de estreia de um poeta maduro, em compromisso intransigente com a criação e a depuração da linguagem, e expressa uma poética do vivido, de confronto com o transitório, resultado de um exercício de revisão do passado à luz do presente e de ressignificação do presente sob as lentes do passado. O poeta filia-se assim a uma longa tradição existencial, mas com dicção peculiar. Lançado em 22 de outubro de 2020, seu livro “Cartas da alteridade” recebeu acolhida generosa por expoentes da literatura, entre eles o poeta Armando Freitas Filho, o professor Antônio Carlos Secchin, o ficcionista maior Ivan Angelo, e também recebeu destaque no Peru, no blog acadêmico do poeta e professor Pedro Granados, autoridade em poesia hispano-americana. Autor também do livro “Languagem”, São Paulo: Iluminuras, 2024
Para adquirir:
Cartas da alteridade – 22 outubro 2020: https://bit.ly/4oqZ1bI
Languagem – 24 maio 2024: https://bit.ly/4o3fP8i
Comentada no Instagram pelo curador e crítico de arte Oscar D’Ambrosio à partir de sua sugestão abaixo respondida por mim:
“Se você quiser participar [com diversas frases que buscam definir o que é arte], mande para mim uma imagem, com a fichinha técnica e com o nome do pensador citado, que converse com a frase original e com a do Oscar.”
Ficou assim a postagem feita por ele (https://www.instagram.com/p/DYih2DegT2a/):
O beijo na selva, s/d
Eduardo Matosinho
Massa corrida, lápis de grafite e lápis de cor sobre papel
29,5 x 21 cm
“Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro“.
Albert Camus (Mondovi, Argélia, 7 de novembro de 1913 – Villeblevin, França, 4 de janeiro de 1960).
In “Dez frases de Albert Camus” (https://ematosinho.com.br/?p=6322)
O ser misterioso que surge desperta empatia. Talvez isso ocorra porque toda obra de arte deseja se comunicar conosco de modo a instaurar um diálogo afetivo. Afinal, uma obra somente existe quando é vista e interpretada por alguém.
Oscar D’Ambrosio (19/05/2026)
Todos me avaliam, mensuram, somam
os atributos e os glóbulos.
A cabeça e justamente os olhos.
A lucidez me dói
como um revés
de não ser nada disso,
de não levar o chapéu nos comícios,
o chapéu do argumento nítido
que cabe na frase ou na testa.
Medem-me, terreno
a ser comprado e arado
e se o for, o endereço
não será o do amor.
Somaram-me
na regra do sabre
ou na coronha
dos princípios nobres.
Não valho o que me pagam.
Não valho nada. Sou álamo
na praça, asno de encomenda
e para que sirvo
senão ser álamo e asno,
montado, desmontado
pelos deuses que fardo?
Não valho. E não aceito
o que me pagam
Carlos Nejar (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 11 de janeiro de 1939) é poeta, ficcionista e crítico e é o quinto ocupante da cadeira nº 4 da Academia Brasileira de Letras. É detentor de vários prêmios literários, entre os quais o Prêmio Nacional de Poesia Jorge de Lima (1971) do Instituto Nacional do Livro; Prêmio Érico Veríssimo (1981) concedido pela Câmara dos Vereadores de Porto Alegre; Prêmio Cassiano Ricardo, do Clube de Poesia de São Paulo, pela sua obra (1996); e Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos de Arte (1999), pelos 35 anos de publicação do Livro de Silbion. In “Ordenações, 1969-71
Às vezes vem a Sra. poesia
E me desperta sorrateira
Provocando frenesia
Relembrando o que sentia,
Na mente, na pele o desejo de voltar
Há um tempo de inocência,
Onde não se conta o tempo
Hoje ele corre
Junto com a poesia que foge
15.10.2026
Fernanda Eva é uma artista plástica luso-brasileira, formada em comunicação social e marketing e mestra em poéticas visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP)
A superfície está em
branco.
Eu também.
Se com um gesto eu a toco,
sou tocado.
Aí é quando tem início o
gesto
e eu sou a única testemunha
que jamais poderá mentir.
Amilcar de Castro (Paraisópolis, Minas Gerais,1920 – Belo Horizonte, Minas Gerais, 2002) foi escultor, gravador, desenhista, diagramador, cenógrafo, professor. A poesia como dobra do pensamento: o gesto que vira palavra. Além de atuae como artista plástico ele também escrevia poemas. Suas palavras, assim como suas formas, nascem do essencial, do corte, do espaço e do silêncio. Em seus poemas Amilcar revela esse mesmo impulso de síntese e clareza que move toda a sua obra: Cada verso é uma escultura invisível: o espaço da página se torna matéria, e o gesto, linguagem. A poesia, em Amilcar, é mais uma forma de construir o mundo com precisão e silêncio