Destaque

Debret em questão – olhares contemporâneos

🖌️ Essa mostra estabelece um diálogo entre a iconografia do Brasil Império criada por Jean-Baptiste Debret e as releituras críticas de 20 artistas contemporâneos.

Com curadoria de Jacques Leenhardt e Gabriela Longman, a exposição revisita imagens que revelam o cotidiano da sociedade escravista, apresentadas ao lado de obras atuais que retomam esse repertório como campo de disputa simbólica, reconstruindo memórias e abrindo caminhos para outras narrativas possíveis.

Essa exposição integra a temporada França–Brasil 2025, que celebra os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

Será no Museu do Ipiranga de 25/11/2025 a 17/05/2026 e acontecerá no salão de exposições temporárias

📅 Abertura: 25 de novembro
🎫 Entrada gratuita
🕐 Terça a domingo, das 10h às 17h (última entrada às 16h)

Curadorias:

Jacques Leenhardt – Nascido em 1942, ele estudou filosofia e ciências sociais em Paris, onde atua como diretor de pesquisas na École des Hautes Études en Sciences Sociales. Autor de obras de sociologia da literatura, entre as quais Lecture politique du roman: La Jalousie d’Alain Robbe-Grillet (Paris, Minuit, 1973) e Lire la lecture (Paris, Le Sycomore, 1982), dedicou-se igualmente a investigar a criação literária e plástica no Brasil e na América hispânica, assinando inúmeros ensaios, catálogos e livros, como Dans les jardins de Roberto Burle Marx (Arles, Actes Sud, 1994), traduzido para o português: Nos jardins de Roberto Burle Marx (São Paulo, Perspectiva, 1996). Membro fundador da associação Archives de la Critique d’Art, é também presidente honorário da Association Internationale des Critiques d’Art. Foi curador de diversas exposições, tanto monográficas (sobre Jean-Baptiste Debret, Frans Krajcberg, Iberê Camargo, Seydou Keïta, Antoni Tàpies e Wifredo Lam, entre outras) como coletivas (a exemplo de Villette-Amazone, Paris, 1996 e Arte Frágil, Resistências, São Paulo, 2009). Estudioso de Debret, foi responsável pelas novas edições francesa e brasileira da Viagem pitoresca e histórica ao Brasil (Imprimerie Nationale, 2014 e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2016). Nos últimos anos, vem se dedicando em particular à obra de Hercule Florence.
jacques.leenhardt@ehess.fr

Gabriela Longman – Jornalista, editora, curadora, gestora de projetos culturais e trabalho na criação e desenvolvimento de livros, exposições e festivais dentro e fora do Brasil. Ela é mestre em Arte e Linguagem pela EHESS-Paris (@ehess_officiel) e doutora em Teoria Literária pela USP (@usp.oficial). Foi repórter e editora adjunta na Ilustrada e no núcleo de revistas da Folha de S. Paulo. Já desenvolveu projetos e gerenciou equipes para Flip, Bienal de Arte de São Paulo, Instituto Inhotim, Sesc-SP, MAM-SP, entre outros. Em 2023 fundou, ao lado de Lígia Ishida, o Guia Orbit (@orbit.sp), plataforma digital dedicada à programação cultural de São Paulo.
gabriela.longman@gmail.com

Fique de olho nas redes do Museu do Ipiranga para saber mais!

Museu do Ipiranga / Museu de história

“Histórias para pensar o presente”

📍Sede do Museu Paulista da USP na cidade de São Paulo
🕙 ter-dom | 10h-17h
Rua dos Patriotas, 100, Ipiranga, São Paulo, Brazil 04207-030

#MuseudoIpiranga #Debret #agendacultural

Canto chão

Tenho pés bem no chão
E tento até sorrir
Do ruído sem par
De riacho e mar
Porém só em vão.
Sem murmúrios ouvir:
Surdo nasci

Tenho olhos só no chão
E sofro, não nego
Não sei como são
E quão belas
No céu as estrelas.
Sem poder vê-las:
Nasci cego

Há quem perdeu o chão
Pois desconheceu
Estrelas, riacho, mar
Ouvindo e vendo viveu
Desdenhando então
O que amar:
Tolo nasceu

Eder C. R. Quintão (São Paulo, 11 de outubro de 1933). In “Segredos e Sussurros: Contos, crônicas e poesias”. Capa e projeto gráfico de Sylvain Barré. 1ª edição impressa em 2018

Nota: Sylvain Barré é autor, diretor de arte, animador 2D/3D e ilustrador, que atua há 29 anos no mercado de produção visual. Francês, nascido na Normandia, desde 2004 possuí a produtora de animação Citronvache.

Chia-Syun Chang: Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP)

Chia-Syun Chang

Chia-Syun Chang, nascido em 1981 em Taichung, Taiwan, é um artista que pinta com a boca após um acidente de trabalho em 2004 que causou paralisia em seus braços e pernas. Ele começou a pintar com a boca em 2006, após se inspirar ao ver um artista que utilizava a mesma técnica. O trabalho de Chang destaca a capacidade de superação e a persistência, transformando desafios físicos em arte. Chang é membro da APBP (Associação dos Pintores com a Boca e os Pés).

👨🎨 Artista plástico da APBP
Estilo de pintura: Com a boca
Técnica: Acrílica
Título da obra: “Folhas de outono”

APBP Brasil
Arte
A APBP é parte de uma associação internacional de artistas que, devido à sua deficiência física, pintam belas obras de arte com a boca ou os pés. Contatos:
APBP – Rua Tuim, 426 – Moema – São Paulo/ SP – CEP: 04514-101
(11) 5053-5100
apbp@apbp.com.br
https://www.vdmfk.com/es/artistas/chang-chia-syun/
https://apbp.com.br/home

Borboleta

Mal saíra do casulo
para mostrar ao sol
o esplendor de suas asas
um pé distraído a pisou.

(A visão da beleza
dura um só instante
inesquecível.)

José Paulo Paes (Taquaritinga, São Paulo, 1926 — São Paulo, 9 de outubro de 1998). In “Socráticas: poemas”. São Paulo: Companhia das Letras, 2001

Uns & outros: 4 poemas escolhidos

alento

teu alento
lento e quente
eloquente

//

Vênus

suspensa no ar
Vênus parou para ver
meu filho mamar

//

muito prazer

árvore centenária
veja o que nos aconteceu
eu não sei seu nome
                              nem você o meu

//

vazio

no peito este vazio
oco como o estômago
de um cão vadio

Rodolfo Witzig Guttilla (São Paulo, 1962) é jornalista, cientista social e mestre em antropologia, pela PUCSP. In “Uns & outros: poemas 1985-2005” – São Paulo: Landy Editora, 2005

De uma carta de ‎novembro‎ de ‎2003 à amiga Tais…

“(…)
Tenho trabalhado atualmente mais com economia do que com arte, mas mesmo assim não deixei totalmente de pintar. Religiosamente pinto uma vez por semana em um espaço que consegui no lugar onde faço análise. Seria uma pintura bem mais terapêutica do que artística, mas está valendo a pena pela experiência. Tenho aprendido muito sobre mim e meu inconsciente.
(…)”