Destaque

“Daqui pra frente”: Nova temporada, imperdível!

Estreia dia 11 de abril!!!

A Bibli-ASPA tem a honra de trazer a nova temporada de “Daqui pra frente”, espetáculo com texto e direção de @danielliguerreiro que retrata, de forma leve e bem humorada, as curiosidades culturais que o elenco, formado por atrizes da Nigéria, Afeganistão, Irã, Venezuela e Congo, tiveram desde sua chegada ao Brasil.

A temporada vai até 3 de maio, sempre aos sábados às 20h e aos domingos às 18h.

A entrada é gratuita! Ingressos liberados 1h antes de cada sessão.

Garanta a sua entrada e venha se divertir – e se emocionar – com essa peça mais que especial!

Vem pro teatro! Vem pra Bibli-Aspa!

Centro Cultural Bibli-Aspa
Rua Baronesa de Itu, 639 – Santa Cecília, São Paulo – SP (Próximo ao Metrô Marechal)
Telefone: (11) 3667-6077

#nts #sp #cultura #teatro #arte #estreia #bibliaspa

“Com um elenco tão lindo assim, quem vai ter coragem de perder essa oportunidade?? 😍😍🎭🎭”

Danielli Guerreiro – Atriz. Coordenadora cultural e professora de teatro na @bibli_aspa 🎭
Figurinista 🤍
Mãe da Julia ❤️
Felinista 😻

Gilberto Mansur e Américo Vermelho, dos bons tempos da revista “Status”…

Fotografias da histórica entrevista feita com o poeta maior Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987). Essa entrevista foi feita pelo também mineiro, o escritor e jornalista Gilberto Mansur, nascido em 1942, diretor de redação da revista “Status” durante quase uma década (concorrente da “Playboy”). Mansur, sendo escritor, fez da “Status” uma publicação com apelo também literário. E o fotógrafo (que aparece nas também nas imagens, assim como o jornalista Mansur) foi Américo Vermelho (1954–2026), renomado profissional, paranaense de Bom Sucesso, que se destacou no cenário carioca e nacional. Ele faleceu em fevereiro de 2026, no Rio de Janeiro, de causas naturais.

Mansur criou a Cachaça Espírito de Minas nascida na fazenda Santa Luzia localizada na pequena São Tiago no interior de Minas Gerais próximas às cidades históricas de São João Del Rei e Tiradentes. O nome dessa tradicional cachaça criada por Mansur foi inspirado na frase “Espírito de Minas me visita” que abre o poema “Prece de Mineiro no Rio” de Carlos Drummond de Andrade em que o poeta evoca as lembranças e o estilo de vida de sua terra.

Carlos Drummond de Andrade em seu apartamento no dia da entrevista, local onde o poeta morou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro, vivendo em Copacabana. O endereço é a Rua Conselheiro Lafaiete, 60, onde residiu por décadas. O poeta também morou na Rua Joaquim Nabuco, 87, quase esquina com a Raul Pompéia, também em Copacabana. Foto: Américo Vermelho

Comenta Mansur sobre esse momento ímpar: “A foto (primeira imagem na parte superior esquerda) mostra a tristeza do poeta pela morte do amigo Pedro Nava. Essa foi considerada por muita gente como a melhor e mais triste foto do CDA. Esta fotografia foi tirada pelo grande fotógrafo Américo Vermelho (que, infelizmente, morreu este ano).”

Vidência

Se os nossos olhos te enxergassem, rosa,
E não só: “É uma rosa” nos dissessem
Na vulgar gradação que nunca esquecem,
Que epifania na manha tediosa!

Se eles vissem, ao vê-la, cada coisa
E não seu nome, se afinal pudessem
Fugir da furna abstrata onde destecem
A vida, um morto partiria a lousa

Maciça de aqui estar. Flor, nuvem, muro,
Árvore, que é uma só e não tal nome,
Se tudo entrasse o corredor escuro

Que há em nós, algo de exato se ergueria.
Algo que para o tempo ou que o consome.
Que alveja a noite e entenebrece o dia.

9.11.1998

Alexei Bueno (Rio de Janeiro, 26 de abril de 1963). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999

Soneto XXI

Eis outra vez a Primavera. A Terra
é um menino que sabe dizer versos;
tantos, oh tantos… Por aquele esforço
de longo estudo vai receber um prêmio.

Severo foi o mestre. Nós gostávamos
da brancura da barba daquele velho.
Agora podemos perguntar o nome
do verde, o azul: ela sabe, ela sabe!

Terra feliz, em férias, brinca agora
co′as crianças. Queremos agarrar-te,
Terra alegre. A mais jovial consegue-o.

Oh, o muito em que o mestre as instruiu
e o impresso nas raízes e nos longos
troncos difíceis: ela o canta, canta!

§

XXI. Sonett

Singe die Gärten, mein Herz, die du nicht kennst; wie in Glas
eingegossene Gärten, klar, unerreichbar.
Wasser und Rosen von Ispahan oder Schiras,
singe sie selig, preise sie, keinem vergleichbar.

Zeige, mein Herz, daß du sie niemals entbehrst.
Daß sie dich meinen, ihre reifenden Feigen.
Daß du mit ihren, zwischen den blühenden Zweigen
wie zum Gesicht gesteigerten Lüften verkehrst.

Meide den Irrtum, daß es Entbehrungen gebe
für den geschehnen Entschluß, diesen: zu sein!
Seidener Faden, kamst du hinein ins Gewebe.

Welchem der Bilder du auch im Innern geeint bist
(sei es selbst ein Moment aus dem Leben der Pein),
fühl, daß der ganze, der rühmliche Teppich gemeint ist.

Rainer Maria Rilke (Praga, Império Austro-Húngaro, atual República Tcheca, 4 de dezembro de 1875 — Valmont, Suíça, 29 de dezembro de 1926). In “Sonetos a Orfeu”, 1923, Poemas, as elegias de Duíno e Sonetos a Orfeu. Tradução Paulo Quintela. Lisboa: Editora O Oiro do Dia, 1983. Em alemão: Im “Die Sonette an Orpheus, Zweiter Teil”

Sobre política 2

Questão 2

Um dos grandes livros de Tocqueville “A Democracia na América” causou um grande impacto deste a sua primeira edição, sendo que ainda hoje continua a causar grande interesse. Esse fato mostra que ela é uma obra polêmica, e que inclusive causou muitas interpretações por parte de seus leitores. Nesse sentido, a frase proposta ilustra bem a polêmica vivida em sua época, e que penso existir até hoje.

Melhor dizendo, alguns setores da intelectualidade entendem que ele de fato era um democrata, outros de que ele não o era tão claramente, devido inclusive à sua origem aristocrata e à sociedade conservadora em que vivia.

Na verdade, Tocqueville sempre foi um liberal, ou melhor, um liberal-conservador. Sua preocupação maior foi com o seu país (que vivia um quadro político bastante complexo) e na preocupação em desenvolvê-lo foi buscar na América uma inspiração que verdadeiramente o fascinou. Estudou à fundo a sociedade e a organização política norte-americana, admirando a organização e a participação dos cidadãos americanos em suas instituições. Sua obra é uma grande advertência sobre as vantagens, e sobretudo sobre os perigos que o processo democrático pode ocasionar. Talvez aí esteja a sua dificuldade interpretativa. Ele tinha uma tese de que a democracia e a tirania são as duas faces da mesma moda e que o dito cesarismo nada mais era do que a consequência da desordem provocada pelo advento da República e dos demagogos.

Em função do diverso modo de ver a relação entre Estado liberal e democracia, ocorreu entre o pensamento liberal a contraposição entre um liberalismo radical, ao mesmo tempo liberal e democrático, e um liberalismo conservador, liberal mais não democrático (contra uma proposta de alargamento do voto, vendo-o como uma ameaça à liberdade). Tocqueville representava, a ala mais conservadora do pensamento liberal do século XIX, enquanto que Sturt Mill a ala mais radical.

Para Tocqueville a democracia significa a forma de governo em que todos participam da coisa pública, ao mesmo tempo em que significa a sociedade que se inspira no ideal da igualdade. A ameaça que deriva da democracia é chamada de tirania da maioria ou seja, o perigo que a democracia corre com progressiva realização do ideal igualitário é o “nivelamento” que gera o despotismo. Tocqueville sendo não democrático porque considera a democracia como um sistema que exalta o valor da igualdade, tanto social, como política. Propõe inclusive uma igualdade de condição em prejuízo da liberdade.

Um dos grandes interesses de sua obra é a sua visão quase que profética, onde chega inclusive a afirmar que um dia a democracia irá se traduzir em seu contrário, portando em si o germe de um novo despotismo (governo centralizado e onipresente).

Artigo feito durante a minha estadia na Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, na data de 24 de maio de 1989, para o curso de Ciências Sociais, matéria Política III, ministrada pelo professor Eduardo Kugelmas.

Meu nº. USP: 5261633

Sobre política 1

Questão 1

Procurando entender essa frase sob a ótica do pensamento liberal e sobre o que ele significa a nível de uma escola de pensamento político, eu estou de acordo com a mesma. Isto porque ser liberal e encarar a problemática política sob essa ótica, sendo essa frase a essência do pensamento liberal clássico.

Torna-se complexo entender o liberalismo, quando o pensamos juntamente com a democracia. Pelo lado da formula política liberal, o liberalismo é compatível com a democracia, além da democracia poder ser considerada como o natural desenvolvimento do Estado liberal. No sentido do ideal igualitário (da ala conservadora) esse esquema de raciocínio se inverte.

Para um liberal, o poder é sempre nefasto, não importando a origem de quem o exerce, podendo ser tanto um aristocrata, como um cidadão qualquer. A grande questão política para os liberais é relativa não tanto a quem detém o poder, mas ao modo de controlá-lo e limitá-lo.

Como muito bem ressalta Bobbio, “o bom governo não se julga pelo número grande ou pequeno dos que o possuem, mas pelo número grande ou pequeno das coisas que lhe é lícito fazer”.

Os liberais classicamente defendem a manutenção de algumas liberdades individuais, como a liberdade de imprensa e a de associação. Em geral defendemos direitos dos indivíduos que os ditos Estados democráticos tendem a desconsiderar em nome de um interesse coletivo. Defendem também o respeito às formas que garantam ao menos a igualdade perante o direito e a descentralização.

O pensamento liberal teve uma origem dentro de preocupações da Ciência Econômica, onde Stuart Mill foi um de seus grandes expoentes. Nesse sentido eles são profundamente contra qualquer intervenção do Estado na vida econômica do país, preferindo deixar que o mercado resolva as questões econômicas pelos seus meios próprios.

Esse raciocínio também é válido sobre o ponto de vista do poder e da forma de conduzir o governo de um país. Mill defendeu um governo representativo como o desenvolvimento natural dos princípios liberais.

Como um seguidor do utilitarismo, Mill procurava em sua análise política delimitar a esfera privada com respeito à pública, no sentido de possibilitar ao indivíduo gozar de uma liberdade protegida contra a invasão por parte do poder do Estado.

Defende uma ampla liberdade ao individuo, para o ajustamento necessário entre o interesse privado e o coletivo.

Artigo feito durante a minha estadia na Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, na data de 24 de maio de 1989, para o curso de Ciências Sociais, matéria Política III, ministrada pelo professor Eduardo Kugelmas.

Meu nº. USP: 5261633