Cachorrada do Morro Doce, e em memória de Duby.
Il Guarany
A ópera “Il Guarany” (O Guarani), de Antônio Carlos Gomes (Campinas, São Paulo, 11 de julho de 1836 – Belém, Pará, 16 de setembro de 1896), foi composta originalmente em italiano com libreto de Antonio Scalvini (1835-1881) e Carlo D’Ormeville (1840-1924), não possuindo uma “letra de canção” popular no sentido tradicional. Sua parte mais famosa é a “Protofonia” (a abertura instrumental), frequentemente associada a versos patrióticos adaptados posteriormente, como o canto escolar “Do sol aos raios fúlgidos…”. Estreada em Milão em 1870, baseia-se na obra “O Guarani”, romance homônimo de José de Alencar (Fortaleza, Ceará, 1.º de maio de 1829 — Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 1877).
No dizer de Leonardo Marques, nascido em 1979 e formado em letras, em um longo artigo publicado no site “Notas Musicais” e intitulado “Na tempestade ‘Guarani’, trovejou e não choveu”, ele afirma que uma das produções dessa ópera, ocorrida no Theatro Municipal de São Paulo de 12 e 14 de maio 2023, com direção musical de Roberto Minczuk e direção cênica de Cibele Forjaz (com base em concepção de Ailton Krenak), “paira em alto grau no imaginário brasileiro: guarda certa mística, talvez pela enorme popularidade dos acordes iniciais da sua abertura, conhecida no país inteiro por meio do programa radiofônico “A voz do Brasil”; talvez pela dimensão alcançada em sua estreia mundial (1870) no mítico Teatro alla Scala, de Milão, onde obteve grande sucesso. Por quaisquer que sejam os motivos, “Il Guarany” é um grande marco para a música brasileira.” E acrescenta que “A literatura teve um papel fundamental na elaboração e na circulação de uma mítica atrelada às origens do Brasil, nas décadas subsequentes à sua independência, assim como a ópera italiana cooperou no esforço de unidade nacional daquele país. No Brasil, as diretrizes formuladas pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro foram seguidas com afinco pedagógico por José de Alencar na elaboração do romance indigenista “O Guarani” (1857).
A história se passa num rincão do Rio de Janeiro no princípio do século XVII. Seus protagonistas são Peri, um indígena do povo Goitacás (que, a propósito, não pertencia à etnia Guarani), e Cecília (ou Ceci), mocinha cândida filha de um dos próceres da nação, Dom Antônio de Mariz, fidalgo português que participara da fundação do Rio de Janeiro. Peri salva Ceci dos Aimorés e se apaixona por ela tal e qual um cavaleiro medieval. A tópica e os traços dos personagens remetem a esse modelo anterior de abnegação e entrega, que culmina, no livro de Alencar, na cristianização de Peri e na fuga de ambos, no interior de um frágil bote em meio a ondas bravias – a mítica da fundação da nacionalidade segundo Alencar constrói-se aí, entre esse indígena europeizado e a brasileirinha filha de europeus, tendo como lume o Deus do cristianismo.
Outro par romântico da história, que também coloca em movimento o ideário de nação defendido por Alencar, é a mestiça Isabel, filha bastarda de Dom Antônio, e Álvaro de Sá, antigo apaixonado de Ceci, cavaleiro e capataz do fidalgo – casal este que sucumbe tragicamente também segundo a tópica dos romances de cavalaria: ele morre em combate, o que a leva ao suicídio. Na economia da obra, esta jovem descrita como amorenada e sensual, filha de uma indígena, também não poderia restar para compor o ideário de nação almejado. Pregava-se, então, o completo apagamento do elemento negro, e mesmo o mestiço era repudiado: naquela época, vigorava um pseudo-cientificismo segundo o qual o branco ocupava o topo da escala evolutiva; o preto, a sua base; e a mestiçagem levava invariavelmente à degenerescência. Por isso Peri é um indígena com tantos traços físicos e psicológicos europeus.”
E conclui dizendo “Sucesso europeu, essa ópera de Carlos Gomes participa de uma tradição operística vicejante, que desenha os caracteres de forma tipificada – Ceci é a mocinha frágil, e Peri, o seu herói –, impregnando-lhes da substância mais fluida e profunda que existe, a música (e de sua contraparte, o canto). Nós, o público, somos levados de roldão por essa tempestade de música de moldes italianos (embora composta por um brasileiro) que dilui a personagem de Peri de forma ainda mais contundente do que fizera José de Alencar.”
Alcides Ladislau Acosta (Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, 27 de junho de 1943), fundador e vice-presidente da ABAL Campinas (Associação Brasileira Carlos Gomes de Artistas Líricos), entidade que divulga a obra desse artista, comenta que assistiu no Municipal de São Paulo a ópera e que teve, inclusive, no palco uma tribo Guarani que habita o Pico do Jaraguá. Eles dançaram e cantaram. E acrescenta: “Parabéns pelas postagens do seu apreciado blog. E melhor ainda quando homenageia esse grande Maestro Carlos Gomes, que destemidamente navegou para a Europa e lá fez história em Milão. Hoje entramos no Mês Carlos Gomes! Viva setembro.”
Leonardo Marques é pós-graduado em língua italiana, participou de cursos particulares sobre ópera e foi colaborador do site “movimento.com” entre 2004 e 2021

Entidade cultural do qual Alcides Ladislau Acosta é o presidente
A Pinacoteca do Centro de Ciências, Letras e Artes localiza-se em Campinas, município do interior do estado de São Paulo
Endereço: Rua Bernardino de Campos, 989 – Centro, CEP: 13010-150
Telefone: (19) 3231-2567
Importante lembrar que em setembro próximo teremos em Campinas e região o “Mês Carlos Gomes”, celebrando 190 anos de nascimento e 130 anos de morte do compositor campineiro e o legado desse maestro e visando aproximar a população de sua obra e trajetória. Essa cidade preparou uma programação especial para celebrar a trajetória de Antônio Carlos Gomes, um dos maiores nomes da música brasileira e figura de destaque na história cultural da Princesa d’Oeste. A agenda estará repleta de ações culturais, musicais e educativas e reunirá concertos, passeios turísticos, apresentações e iniciativas voltadas à preservação e à difusão da obra e da memória desse músico, reforçando a importância de Carlos Gomes para a identidade cultural dessa importante cidade do interior paulista.
Um ano sem Marco, sentida ausência de um grande cara
Amanhã, 28 de junho, fará um ano da partida de meu querido primo-irmão Marco, que se foi cedo, com 77 anos… Encomendei uma missa pela sua alma a ser realizada nesse domingo, 28/06, às 19:30 horas, na Paróquia Santa Teresinha, localizada na Rua Maranhão, 617 – Higienópolis, São Paulo – SP – Telefone: (11) 3660-1220. Nesse mesmo domingo, às 19:00 horas, haverá outra missa no Santuário Nossa Senhora Aparecida do Vagão Queimado, localizada na Av. Gastão Vidigal, 385 – Jardim Matilde, Ourinhos – SP – Telefone: (14) 3326-8890, encomendada pelo filho de meu primo Marco, de nome Rodrigo Martins Silva.
Saúdo meu primo materno Marco Aurélio da Silva (Ourinhos/ SP, * 29/09/1948 – + 28/06/2025)!
Deixou saudades em sua esposa Nanci, em seus queridos filhos Viviane, Maíra e Rodrigo, em sua neta Maria Clara, nos demais parentes e em seus muitos amigos, entre os quais o popular “Boca”.
Folhuda chapada
Marc Chagall
Voa um sonho e povoa o ar
a noiva viaja nas asas
de um galo vermelho
e ganha um beijo no céu
o bode flutua enquanto
um rabino atravessa a rua
bem perto há uma mulher nua
o dia evapora-se ao som do violino
Chagall pinta sua aldeia de memória
e revela a intimidade corriqueira
bom rabino e velho bode
a vida é refletida no espelho
ele sabe – tudo é desejo
as flores são sempre sensuais
as flores abrigam casais
na pintura tudo pode
Fabio Magalhães (São Paulo, 5 de novembro de 1942) – Fábio Luiz Pereira de Magalhães é museólogo, crítico de arte e curador. Estudou história da arte no Masp e na FAAP. Frequentou também o Instituto de Arte e Arqueologia em Paris. Foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e ex-curador chefe do Masp, secretário da Cultura do Município de São Paulo, presidente da Embrafilme, presidente da Fundação Memorial da América Latina e curador de Bienais de Artes Visuais do Mercosul em Porto Alegre
Hebert Teodoro Silva: Em viagem pelo sertão, roceiro…
Conhecido por Beto ou Mineiro, Hebert é um talentoso e sensível fotógrafo paulistano, residindo atualmente em Maceió, AL, e diz: “Viciado no clique mágico de uma foto! Nascido mineiro de BH, Brasil.”
Fotos: “Y si esto fuera poco” (Citando o músico e poeta cubano Silvio Rodriguez), “Na lida…” e “Do fundo do meu coração (em referência à Emicida, rapper)”
Contatos:
www.instagram.com/hebertteodorosilva
WhatsApp: (11) 9 9166-6451
Volare, nel blu dipinto di blu
Dia a dia S/A
Dia ou Dias S/A
Dia odioso
Acharei
a paz
na boca
na pele
na chana
de uma
gata
molhada
e atormentada
de sofrimento &
amor
Jornal “Folha de Ourinhos” – 30 de agosto de 2009: Recordando…
José Carlos Neves Lopes foi bacharel em direito, historiador, jornalista, professor e criador do blog “Memórias ourinhenses”. Ele escreveu para este jornal de Ourinhos, SP, esta crônica sobre meu pai intitulada “O farmacêutico Edmundo de Oliveira Matosinho” que originalmente havia postado, tempos antes, em seu blog (Link abaixo).
Neves Lopes foi amante da música clássica, do jazz e da música popular brasileira e norte americana dos anos 1930 a 1970, e sempre zelou pela valorização e preservação da história e da natureza da cidade de Ourinhos. Nesse blog ele e se concentrou na divulgação das fotos de seu pai, o ferroviário Francisco de Almeida Lopes.
Esse jornal me foi enviado pelo correio por meu saudoso primo José Ângelo Silva (Fordinho).
Frases marotas de Bezerra da Silva e de Dicró
Esses dois sambistas da “malandragem” carioca (sendo que Bezerra é filho de Pernambuco e Dicró fluminense) souberam misturar como ninguém a sabedoria popular, o humor ácido e o retrato direto da realidade dos morros e das favelas, dizendo:
“Quando o morcego doar sangue e o saci cruzar as pernas”, ironizando a promessa de que o Brasil um dia vai se livrar da corrupção e da bagunça política, sugerindo que essa mudança está longe de acontecer.
“Otário só tem dois direitos: tomar tapa e não dizer nada!” (Trecho da música “Os direitos do otário”).
“Malandro demais vira bicho.”
“Quem defende bandido é advogado.”
“Quando tá muito ruim é porque tá perto de melhorar.”
“Nasci para sofrer, mas não nasci para ser otário.”
“Cada um na sua área, cada macaco no seu galho, cada rei no seu baralho.”
Bezerra da Silva (Recife, Pernambuco, 23 de fevereiro de 1927 – Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 2005) que usava o samba e o partido-alto como crônicas sociais para dar voz ao trabalhador e criticar com ironia as injustiças da sociedade
“Adoro a minha sogra. Se eu pudesse, eu teria 10. A minha mulher que não deixa.”
“Não tem nada pra beber aqui não? Eu tenho que beber, porque meu tipo sanguíneo é aperitivo!”
“Se eu fui pobre, eu nem me lembro.”
“Malandro é cavalo marinho, que finge que é peixe pra não puxar carroça.”
“O ponto G depende da minha conta bancária. Se estou com o bolso cheio, elas têm prazer rapidinho.”
“Se a vida fosse fácil, bebê não nascia chorando.”
“Ladrão não anda de noite porque tem medo de ser assaltado.”
Dicró, nome artístico de Carlos Roberto de Oliveira (Mesquita, Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 1946 – Magé , Rio de Janeiro, 25 de abril de 2012) em seus sambas criou frases de humor irreverente e que giravam em torno de malandragem, causos populares e, principalmente, piadas clássicas sobre sogras
Nubrado pelas frestas da janela
Emanoel escultor
Para Emanoel Araújo
A cor não cala
e tem sua fala
na fala escultórica de Emanoel
formas se agitam
e se lançam no espaço
são lanças em chamas
são golpes de espada
na madeira ou no aço
tudo é movente
Ogum abre seu caminho
e assim caminha Emanoel
de chapéu Panamá
e terno branco de linho
Oxalá é pai Oxalá é mel
Fabio Magalhães (São Paulo, 5 de novembro de 1942) – Fábio Luiz Pereira de Magalhães é museólogo, crítico de arte e curador. Estudou história da arte no Masp e na FAAP. Frequentou também o Instituto de Arte e Arqueologia em Paris. Foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e ex-curador chefe do Masp, secretário da Cultura do Município de São Paulo, presidente da Embrafilme, presidente da Fundação Memorial da América Latina e curador de Bienais de Artes Visuais do Mercosul em Porto Alegre