Destaque

Gravura Quimérica I obras de Natali Tubenchlak

Galeria Gravura Brasileira
Convida para a abertura da exposição

Gravura Quimérica
Gravuras de Natali Tubenchlak
Curadoria de Ana Carla Soler e Talita Trizoli

Abertura:
15 de agosto, sábado, 13-17h
De 15 de agosto a 26 de setembro de 2026

Natali Tubenchlak 1975, Rio de Janeiro
Vive e trabalha entre Niterói e Rio de Janeiro Com uma produção híbrida por natureza, a prática artística de Natali Tubenchlak, em uma perspectiva feminista, evidencia que o corpo feminino nunca é apenas um corpo, supostamente neutro, mas sim um espaço de tensionamentos de linguagens e desejos, e que muitas vezes sequer chega a ser humano. São imagens em que mulheres se tornam plantas, animais e mesmo órgãos paralelos à sua corporeidade, e que materializam possibilidades outras de vivenciar a existência feminina no mundo. “É um desejo talvez de fazer mais parte da natureza do que das questões humanas”, conta a artista em entrevista no livro “Natali Tubenchlak: Ecofeminismo e pornopolítica”. Não à toa, é pela gravura, técnica pela qual a artista demonstra plena familiaridade e domínio, que é possível compreender a operação compositiva e lógica que rege a formação desses híbridos, essas quimeras contemporâneas em que o corpo feminino é matriz, eixo central, mas também terreno de mutações, desdobramentos e subversões. A justaposição necessária de diferentes matrizes para a obtenção de uma imagem, ou quando não as diversas camadas de intervenção em uma única matriz de gravura, permitem uma correlação com a interpolação de partes animais, vegetais e humanas na construção dessas entidades quase monstruosas nas gravuras da artista. A exposição percorre diferentes técnicas da gravura em metal. Da água-tinta e da água-forte, ponto de partida quando Natali retorna à Oficina de Gravura do Museu do Ingá, em Niterói, onde havia tido seus primeiros contatos com a linguagem ainda nos anos 1990, passando pela ponta seca e pela cologravura, técnica à qual tem se dedicado com mais afinco recentemente. Donna Haraway retoma e aprofunda a pergunta espinosana sobre os corpos a partir de um lugar mais situado, em “Ficar com o Problema – Fazer Parentes no Chthuluceno”, a autora desenvolve a noção de devir-com, que prolonga o devir-animal de Deleuze e Guattari ao levar a sério não apenas a potência abstrata da transformação, mas as relações singulares e específicas entre espécies reais e seus encontros, suas histórias, suas interdependências cotidianas. Ela propõe que o individualismo delimitado, a ideia de um ser humano autossuficiente e separado do mundo natural, se tornou verdadeiramente impensável. O que Haraway chama de simpoiese (fazer-com), em oposição à autopoiese (fazer-sozinho), descreve a condição fundamental de todos os seres vivos, na qual nada existe nem se constitui isoladamente. Os corpos, em Haraway, são sempre resultado de encontros, emaranhamentos e contágios entre espécies. Nesse vocabulário, as figuras de Natali Tubenchlak se tornam reconhecíveis. As mulheres na obra da artista crescem para fora de si mesmas e se infundem com o que não são, construindo parentescos com o vegetal e o animal. Entre as séries apresentadas estão, Dá-se assim desde menina, que aprofunda esse território, somando ao corpo a memória acumulada do que o mundo impõe às mulheres desde a infância. Já a série Montaria coloca em cena a longa história de representações do corpo feminino oscilando entre objeto e sujeito, em obras que transitam entre o erótico e o político, registradas com olho clínico e sarcástico. Nos trabalhos mais recentes, como as cologravuras das séries Desvairada e Mata Atlântica Dramática, a artista radicaliza a síntese entre corpo e mundo natural. As figuras se tornam mais densas e entregues à fusão. O dilema de onde termina o humano e onde começa o vegetal deixa de ser formulado, pois os corpos encontraram finalmente sua forma. Identificar-se com o animal, com a planta, com aquilo que excede a forma humana dita hegemônica é uma forma de escapar e de tornar visível as normatizações de poder impostas aos corpos – e os corpos híbridos de Natali Tubenchlak não são meras metáforas de um pensamento sobre a natureza, mas sim um pensamento propriamente matérico, encarnado e impresso. A curadoria de Ana Carla Soler e Talita Trizoli apresenta um percurso histórico e temático sobre a produção da artista, ampliando a pergunta que move o seu corpo de obra: o que é e pode ser um corpo?
Ana Carla Soler e Talita Trizoli / curadoras
Agosto 2026

Natali Tubenchlak, 1975, artista visual, vive em transito entre Rio e Niterói. Trabalha com gravura, desenho e instalação. Seu trabalho investiga temas como ética, violência e sensualidade. Frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, posteriormente se graduou em design de produtos na Faculdade da Cidade, se especializou em produtos de cerâmica na escola de artes e ofícios em Barcelona-Espanha e em gravura na Oficina do Museu do Ingá-Niterói. Em seu processo de criação, é frequente a apropriação de imagens recontextualizadas que, frequentemente, assumem formas de paródia e tangenciam o grotesco. Manipula personagens e enredos que refletem tanto a melancolia da cultura ocidental quanto o desejo de reconciliação com a natureza.

Residências
2025 Residência artística Solar das Andorinhas. São Mateus-ES
2021 Intervalo, Casero Residência. Parque Nacional de Itatiaia-RJ
2018 Casa Tres Patios. Medellin-CO
2017 Residência Artística Mutuca 6. Serra do Espinhaço-MG
2017 Barda del Desierto#3. Contralmirante Cordero, Provincia de Río Negro, Patagonia-AR
2015 Programa Plataforma de Emergência “O Lugar do Gesto na arte Contemporânea’’. Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica. Rio de Janeiro-RJ
2014 “La Experiencia/La Pedagogia”. Córdoba-Ar
2014 J.A.C.A. Belo Horizonte- MG

Individuais
2025 Desvairadas e outros cultivos. Abapirá, espaço independente de arte, curadoria Ana Carla Soler. Rio de Janeiro
2019 Dá-se assim desde menina ou Perder a cabeça. Fábrica Bhering, curadoria Cláudio Oliveira. Rio de Janeiro-RJ
2017 Dá-se assim, na entrada, na fachada, no muro”. Canto da Carambola, curadoria Keyna Eleison. Rio de Janeiro-RJ
2017 Dá-se assim desde menina”. Projeto passagem, Parque das Ruínas, curadoria Gabriela Dottori. Rio de Janeiro-RJ
2017 Projeto escada. Dá-se assim venenosa. Saracura, curadoria Paula Borghi – RJ
2017 Ambientes Infláveis IED Rio. Ocupação das ruínas do teatro. RJ.
2016 Não provoque. Tato Galeria, curadoria Omar Porto. São Paulo-SP
2016 Goela abaixo. Centro Cultural Laurinda Santos Lobo. Rio de Janeiro-RJ
2016 Insolente. Studio488. Buenos Aires-AR
2013 Ambientes Infláveis. Casa Daros. Rio de Janeiro-RJ
2013 Ambientes Infláveis. Centro Cultural Paschoal Carlos Magno. Niterói-RJ
2012 Ambientes infláveis. Barracão Maravilha, exposição de encerramento do circuito no Estado do Rio de Janeiro, com participação do grupo “Active Ingredient”. Rio de Janeiro-RJ
2012 Ambientes Infláveis. Galeria Vendaval. Patagônia-AR
2003 Delírios de Dora. O Estúdio. Rio de Janeiro-RJ
2001 Dora sabia. Espaço Cultural CREA-RJ. Rio de Janeiro-RJ

Galeria Gravura Brasileira
Rua Ásia, 219, Cerqueira César, São Paulo, SP – CEP: 05413-030

Segunda a sexta: 14h00 às 18h00 ou com hora marcada

Contatos:
contato@gravurabrasileira.com
Fone: (11) 3624-0301
WhatsApp: (11) 9 1330-8411
www.gravurabrasileira.com

Tàpies e a tela

Tàpies tua mão
acaricia a tela branca
até então
virgem do teu contato

com toques rápidos
tudo se transforma
no vai e vem
de afastamentos
aproximações

de acertos e incertezas
o corpo da tela
e o corpo de Tàpies
encontram-se
o ato de amor é luta germinal

a tela revela vivências
vestígios de antigas memórias
escavadas no chão da Catalunha

Fabio Magalhães (São Paulo, 5 de novembro de 1942) – Fábio Luiz Pereira de Magalhães é museólogo, crítico de arte e curador. Estudou história da arte no Masp e na FAAP. Frequentou também o Instituto de Arte e Arqueologia em Paris. Foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e ex-curador chefe do Masp, secretário da Cultura do Município de São Paulo, presidente da Embrafilme, presidente da Fundação Memorial da América Latina e curador de Bienais de Artes Visuais do Mercosul em Porto Alegre

Sarubbi: Faces e fases de um artista amazônida

[Falando do] artista plástico bragantino Valdir Sarubbi e as fases artisticas de um amazônida, a partir das memórias afetivas e culturais. Para isso, explorar-se-á os dados de suas produções, lembranças do artista no período em que ele ainda vivia em Bragança e em Belém. Para isso, foram utilizados os depoimentos do próprio artista que aparecem no livro de Bitar (2002); e, a carta escrita pelo artista a seus primos após a morte de sua tia Sabazinha.

Faces de Sarubbi: entre o homem, a arte e a crítica Valdir Evandro Sarubbi de Medeiros, desenhista, ator, roteirista e diretor de teatro, pintor, gravador, artista plástico e arte-educador, além de advogado, foi um artista de projeção nacional e internacional nas artes visuais do Brasil. Bitar (2002, p. 15) o identifica como uma pessoa “doce, simples e cativante, de fala mansa e tranquila, intuitivamente didático e que sabia ouvir como poucos; que a imagem do artista incansável, pesquisador incessante era quase incompatível com uma saúde frágil que não se deixava vencer”; e ela ainda acrescenta, “como um homem extremamente erudito”.

No prefácio do livro de Bitar, o filósofo Benedito Nunes corrobora com essa visão: “Sarubbi é íntegro porque acrescenta à atividade artística a que se entregou às dimensões do escritor, do leitor, do ouvinte de música e do pensador que dele são inseparáveis” (Bitar, 2002, p. 9). Aqueles que acompanharam de perto sua trajetória na arte podem testemunhar que ele nunca se interessou pelos “modismos” ou “pelas solicitações da mídia ou mercado”, ele foi “fiel a seus princípios” e aos valores que julgava corretos (BITAR, 2002, p. 73) Sarubbi buscava conhecer-se e transformou a arte em um instrumento de autoconhecimento, uma maneira de conviver com suas memórias pessoais e suas saudades: “Tudo o que fiz, nesses quase trinta anos de carreira, veio de minha memória sensível” (Bitar, 2002, p. 73). O artista levou sua vida para a arte, além de memórias pessoais e culturais, incluiu valores transparentes em sua postura. No site Art-Bonobo, onde está hospedada sua página oficial, há um texto do crítico Olívio Tavares de Araújo, que bem o define.

Valdir é um ser humano pacato, cuja simplicidade no convívio esconde uma rica vida intelectual diversificada e abrangente, com interesses que vão de Thomas Mann e Yukio Mishima à música de Mozart, que ele conhece como poucos. (Art-Bonobo, 2014). Ele não foi apenas talentoso e apaixonado por sua cidade natal, foi, principalmente, um grande ser humano, amado e respeitado por seus alunos. No site da Galeria Pontes, Renato Rezende, ex-aluno do Atelier Livre, fala sobre o professor e amigo: Acima de tudo, Sarubbi possuía uma profunda capacidade de amar: amava generosamente, com profundo respeito pela individualidade de cada aluno ou amigo, permitindo o florescimento de cada relacionamento com a mesma sensibilidade e esmero que percebemos em suas obras plásticas. (Galeria Pontes, 2014).

Sarrubbi manifestou o interesse pelas artes de um modo geral muito cedo. Desde criança, gostava de ler, diferente dos primos e irmãos que só queriam bola na rua como todos os outros meninos da sua idade. Valdir gostava de ouvir as conversas da tia Sabazinha sobre a família, os avós e a casa. Ele gostava de literatura e de disputar com a prima e escritora, Maria Lúcia Medeiros, quem lia “mais e maiores livros” que ele se deliciava se embalando na rede no horário da sesta.

(…)

Francisco Smith – Professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 2005, doutor em ciências pelo PPGDSTU, mestre em letras pelo PPGL/ UFPA, especialista em história do Brasil pela PUC/ MG, especialista em língua portuguesa pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e graduado em letras pela mesma UFPA.
E-mail: fransmithj@gmail.com

Mariana Tereza Athayde Bordallo da Silva – Graduada em letras e artes e licenciada em Inglês pela UFPA, especializada em informática educativa pela UFRGS/ PROINFO/ UFPA/ S EDUC, formada em sociologia e educação ambiental pela UEPA, professora ad-4 da SEDUC/ PA, atualmente, URE 01 Bragança/ PA e mestre em linguagens e saberes na Amazônia pela Universidade Federal do Pará ( UFPA).
E-mail: bordallo@globo.com

Referências:
Bitar, Rosana. Sarubbi. Belém, 2002.
Galeria Pontes. A força de uma ausência. Por Renato Rezende. Disponível em: https://www.galeriapontes.com.br/ciclo-de-palestras-e-debates-sobre-a-identidade-cultural-brasileira-8a-palestra-o-legado-artistico-de-valdir-sarubbi/

In: “Sarubbi: Faces e fases de um artista amazônida”. Revista da FUNDARTE. Montenegro, v.62, nº 62, p. 1-27, e1524, 2024. Disponível em https://www.seer.fundarte.rs.gov.br/RevistadaFundarte/pt_BR/article/view/1524

A maioria desses trabalhos mostrados acima foram expostos na Galeria Pontes dentro da exposição individual e póstuma desse artista amazônico intitulada “Valdir Sarubbi – Desenhos, pinturas e relevos”, ocorrida de 30 de novembro de 2010 a 15 de janeiro de 2011 e com a curadoria de Alex Cerveny.

Nela a galeria uniu-se a um grupo de alunos e admiradores de Valdir Sarubbi para celebrar a produção deste sensível artista paraense que produziu e ensinou em São Paulo.

Valdir Sarubbi (Bragança, Pará, 10 de outubro de 1939 – São Paulo, 8 de novembro de 2000)

Gravura em metal do artista paraense Valdir Sarubbi – acervo família Sarubbi – edição póstuma

Zoo de São Paulo retratado em seu verde oriundo da Mata Atlântica…

A história do Zoológico de São Paulo começou em junho de 1957, quando o governador Jânio Quadros (Campo Grande, Mato Grosso, 25 de janeiro de 1917 – São Paulo, 16 de fevereiro de 1992), em parceria com o médico veterinário e herói da 2ª Guerra Mundial como integrante das Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB) Emílio Varoli, nascido em 1912 e diretor do Departamento de Caça e Pesca na época, iniciou o projeto de sua criação.

Os primeiros “hóspedes” do Zoo foram leões, camelos, ursos e elefantes adquiridos de um pequeno circo particular que existia na cidade. Já os animais brasileiros, como onças e galos da serra, foram adquiridos em Manaus, AM.

Apesar de a inauguração estar prevista para janeiro de 1958, as chuvas intensas forçaram o adiamento para 16 de março, quando o Zoo foi oficialmente aberto ao público. Mesmo com o tempo instável, a inauguração reuniu muitas pessoas curiosas para conhecer os 482 animais, entre eles veados, onças, jaguatiricas, papagaios e a rinoceronte “Cacareco”, que se tornaria famosa ao ser simbolicamente eleita vereadora nas eleições de 1959.

Assim começava a trajetória de um espaço cheio de histórias marcantes e espécies únicas.

Em maio de 2001, a área ocupada pelo “Simba Safari” foi reincorporada à Fundação Parque Zoológico de São Paulo, sendo reaberta ao público como “Zoo Safári” em 5 de junho do mesmo ano.

Ocupando uma área de aproximadamente 900.000 m², em sua maior parte coberta por Mata Atlântica, o Parque abriga as nascentes do histórico riacho Ipiranga, cujas águas formam os lagos que acolhem exemplares de aves de várias espécies exóticas, nativas, além de aves migratórias.

Hoje, a população global da Fundação Parque Zoológico de São Paulo ultrapassa os 3.200 animais cadastrados, representando: aproximadamente 200 espécies de aves, 100 de mamíferos, 98 de répteis, além dos anfíbios e invertebrados. São encontrados exemplares de espécies bastante raras, como: rinoceronte – branco, arara-spix, arara-de-lear, micos-leão e outros.

Com uma visitação anual de aproximadamente 1.600.000 pessoas, o Zoo oferece ao seu público visitas monitoradas, cursos para professores, passeios noturnos, apresentações didáticas sobre os animais, dentre outros aspectos de preservação do meio ambiente.

https://zoologico.com.br/

Turner nos Alpes

A noite se avizinha pelos
tênues degraus do entardecer

atento Turner dá os últimos retoques de amarelo
e rápidas pinceladas de vermelho

depois contempla a explosão solar
que lança fachos de luz sobre a montanha

e sombra esverdeada
no abismo alpino

o sol parte após radiosa
e demorada despedida

só então abandona seus pincéis
ainda molhados dos tons alaranjados

a natureza agora é massa densa e escura
mas a tarde permanece na aquarela luminosa

alheia à noite que triunfa

Fabio Magalhães (São Paulo, 5 de novembro de 1942) – Fábio Luiz Pereira de Magalhães é museólogo, crítico de arte e curador. Estudou história da arte no Masp e na FAAP. Frequentou também o Instituto de Arte e Arqueologia em Paris. Foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e ex-curador chefe do Masp, secretário da Cultura do Município de São Paulo, presidente da Embrafilme, presidente da Fundação Memorial da América Latina e curador de Bienais de Artes Visuais do Mercosul em Porto Alegre