Foi Deus quem fez você
Foi Deus que fez o céu
O rancho das estrelas
Fez também o seresteiro
Para conversar com elas
Fez a Lua que prateia
Minha estrada de sorrisos
E a serpente que expulsou
Mais de um milhão do paraíso
Foi Deus quem fez você
Foi Deus que fez o amor
Fez nascer a eternidade
Num momento de carinho
Fez até o anonimato
Dos afetos escondidos
E a saudade dos amores
Que já foram destruídos
Foi Deus
Foi Deus que fez o vento
Que sopra os teus cabelos
Foi Deus quem fez o orvalho
Que molha o teu olhar, meu olhar
Foi Deus que fez as noites
E um violão plangente
Foi Deus que fez a gente
Somente para amar, só para amar
Só para amar
Luiz Ramalho (Povoado de Santa Fé, atual Bonito de Santa Fé, Paraíba, 1931) é compositor e um dos “Ramalhos da Paraíba” (junto com os primos Elba Ramalho e Zé Ramalho). Teve como seu maior sucesso a música “Foi Deus quem fez você”, vice-campeã do Festival MPB-80 da Rede Globo, que vendeu mais de 1 milhão de cópias. Essa canção foi a primeira no Brasil a figurar na primeira posição das paradas de sucessos tanto das emissoras de rádio AM quanto nas de FM. Interpretada lindamente por Amelinha
Minha arte acontecendo no Instagram de Oscar D’Ambrosio
Oscar D’Ambrosio (@oscardambrosioinsta) voltou a mostrar minhas contribuições (Quando sugere estar enviando uma frase, uma imagem, com a fichinha técnica e com o nome do pensador citado, para conversar com a frase original dele…):
Escritor, curador, crítico de arte, pós-doc em educação, arte e história da cultura, e jornalista (www.oscardambrosio.com.br)
Imagem 1
Oriente, 1998
Eduardo Matosinho
Guache, lápis de cor, canetinha colorida e carimbo sobre papel
23 x 32 cm
“Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”
Ernest Hemingway (Oak Park, Illinois, Estados Unidos, 21 de julho de 1899 — Ketchum, Idaho, Estados Unidos, 2 de julho de 1961).
In: Por quem os sinos dobram (Trecho) (https://ematosinho.com.br/?p=6769)
O diálogo proposto entre as cores é somado a uma pesquisa de formas. Esses dois elementos são articulados em uma composição que lida com o espaço como um lugar em que todo tipo de experimentação se torna possível para criar os mais diversos tipos de estranhamento que levam a visões e interpretações renovadas.
Oscar D’Ambrosio
https://www.instagram.com/p/DXGJ7o4gApq/
Imagem 2
O beijo na selva, s/d
Eduardo Matosinho
Massa corrida, lápis de grafite e lápis de cor sobre papel
30 x 20 cm
“Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro“.
Albert Camus (Mondovi, Argélia, 7 de novembro de 1913 – Villeblevin, França, 4 de janeiro de 1960).
In “Dez frases de Albert Camus” (https://ematosinho.com.br/?p=6322)
O ser misterioso que surge desperta empatia. Talvez isso ocorra porque toda obra de arte deseja se comunicar conosco de modo a instaurar um diálogo afetivo. Afinal, uma obra somente existe quando é vista e interpretada por alguém.
Oscar D’Ambrosio
https://www.instagram.com/p/DYih2DegT2a/
Imagem 3
Nariz de banana, s/d
Eduardo Matosinho
Nanquim diluído em água, guache Caran d’Ache e lápis grafite
26 x 17 cm
“É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente.”
In: Simone de Beauvoir em sete frases célebres (https://ematosinho.com.br/?p=12970)
Simone de Beauvoir (Paris, França, 9 de janeiro de 1908 – 14 de abril de 1986) foi uma influente filósofa existencialista e feminista francesa, conhecida por questionar papéis de gênero e defender a liberdade individual.
“Nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer”. In “A Idade da Razão”, 1945
In: Frases de Jean-Paul Sartre (https://ematosinho.com.br/?p=6646)
Jean-Paul Sartre (Paris, França, 21 de junho de 1905 – Paris, França, 15 de abril de 1980) foi um filósofo, escritor e crítico francês, conhecido como representante do existencialismo.
Um rosto é uma representação visual sempre desafiadora, pois tem como referências nós mesmos e o outro. Transformar a imagem humana constitui um exercício permanente de interpretação, pois cada mudança leva o olhar para um universo de interpretações. A imagem criada, assim, fala por si mesma e cada um a lê como acha e como consegue, utilizando a sua emoção, exigência técnica e criatividade.
Oscar D’Ambrosio
Cintia
Decifrando o escrito: “Cintia” , e assinado “Edu”
O teatro de Stanislávski e o seu sistema
Para falar das origens e da formação do teatro de Constantin Stanislávski (Moscou, Império Russo, 17 de janeiro de 1863 — 7 de agosto de 1938), antes de mais nada, temos que observar que a sua trajetória teatral começou cedo, por volta dos sete anos, para celebrar o aniversário de sua mãe, aos quatorze, seu pai lhe presenteia com um teatro que construiu na casa de campo.
Em 1877 ele debuta como ator, a primeira vez que se apresenta para uma plateia que não é somente composta por membros da família. Assim, fundando com seus irmãos seu primeiro grupo – Círculo de Alekseiev, onde destaca-se como ator e tem sua primeira direção.
Nesta fase começa com suas anotações, suas dúvidas, dificuldades e tentativas de soluções. Esta prática de registro irá perdurar por toda sua vida e com certeza foi seu grande aliado na construção de seu sistema.
O sistema Stanislávski é uma abordagem psicofísica que revolucionou as artes cênicas. Em vez de atuar de forma mecânica, o ator deve viver a verdade cênica, unindo corpo e emoção através da imaginação, das “circunstâncias dadas” e do famoso “se” mágico.
O “se” mágico
Não finjas ser quem não és,
Não vistas a máscara vã,
Pois a arte não se faz de pés,
Que pisam o palco sem amanhã.
Procura no fundo da alma o calor,
Acentua o tom, a respiração,
Não representes a dor ou o amor,
Sente a verdade em cada ação.
Cria o instante e o mundo ao redor,
Nas “circunstâncias dadas” pelo papel,
Onde o ator se transforma em autor,
E o palco se eleva ao mais puro céu.
Basta a centelha do “Se” encontrar,
Para a mentira ceder o lugar
À vida que pulsa, real e visceral.
Para entender melhor essa alquimia teatral, você pode se aprofundar através das obras fundamentais do encenador russo, como “A preparação do ator” e “A construção da personagem”. E também olhar as publicações do Teatro Escola Macunaíma, referência na formação teatral desde 1974
Leilão de Arte e Antiquariato – Junho 2026 (Com participação de quadros de nosso acervo)
Leilão 61282
Dia 26 de junho de 2026
Sexta-feira às 20h00
Leilão por telefone e online
Informações e lances prévios e agendamento de ligações em lotes de interesse:
WhatsApp: (11) 9 8136-3652 / (11) 9 9985-1902
Leiloeira
Flavia Cardoso Soares – JUCESP Nº 948
Local
Leilão online e exposição somente sob agendamento
Acesse o catálogo clicando em https://flaviacardososoaresleiloes.com.br/leilao.asp?Num=61282
Instagram: @flaviacardososoaresleiloes
Daniela Cristina Caburro: Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP) 3
Daniela Cristina Caburro
“Nasceu em São Carlos – SP em 10/06/1971. Com 8 meses de vida teve poliomielite e como consequência, ficou tetraplégica. Para Daniela, a arte sempre foi um sonho de poder colocar para fora tudo o que estava na sua cabeça e na sua alma. Desde 1995 ela vem dedicando sua vida à pintura, demonstrando um grande talento.”
👨🎨 Artista plástica da APBP
Estilo de pintura: Com a boca
Técnica: Óleo
Título da obra: “Leão”
APBP Brasil
Arte
A APBP é parte de uma associação internacional de artistas que, devido à sua deficiência física, pintam belas obras de arte com a boca ou os pés.
Contatos:
APBP – Rua Tuim, 426 – Moema – São Paulo/ SP – CEP: 04514-101
(11) 5053-5100
apbp@apbp.com.br
https://apbp.com.br/home
Georges Seurat em nanquim
Meio-dia 2
No seu auge o dia.
Sobre o mar etrusco
paira um verde pálido
como o dessepulto
bronze das estátuas.
Tudo tão tranquilo
que à roda não vibra
nem da brisa o hálito;
sequer um arbusto
se move na áspera,
solitária praia.
Bonança, calor,
em tudo silêncio.
O Verão, maduro,
cobre-me a cabeça,
como sendo um fruto
que a mim me pertença,
e colher eu deva
com a minha mão,
e sugar eu deva
com a minha boca.
Nem um só vestígio
de humana presença.
Nada que se ouça,
se me ponho à escuta.
Longe a dor dos homens.
Nem já tenho nome.
Sinto que o meu rosto
se doura de um ouro
que é meridiano;
e que a minha loura
barba já reluz
como a própria areia.
Mesmo o delicado
desenho da onda
na orla da praia
me está no palato,
na palma da mão
regendo-me o tacto.
Toda a minha força
na areia se expande,
no mar se difunde:
minha veia, o rio;
minha fronte, o monte;
o bosque, o meu púbis;
meu suor, a nuvem.
E vivo na flor
de esteva das dunas,
nas pinhas, nos bagos
dos juncos; nas algas,
na flora marinha;
nas coisas exíguas,
nas coisas imensas;
na areia contínua,
de cumes longínquos.
Só ardo e rebrilho.
E nem tenho nome.
Montanhas e ilhas,
bosques e baías
perderam os nomes
que outrora lhes dei
ou tinham outrora
em lábios humanos.
E eu próprio sem nome
nem destino humano:
já só meio-dia
agora me chamo.
Vivo em tudo, tácito,
tal e qual a Morte.
Toda a minha vida
se tornou divina.
Gabriele D’Annunzio (Pescara, Abruzos, comuna italiana, 12 de março de 1863 – Gardone Riviera, comuna italiana, 1 de março de 1938). Tradução de David Mourão-Ferreira