Destaque

Naturezas mortas

Verde
O trote sonoro dos artilheiros passa sobre a geometria
Despojo-me
Em breve eu seria apenas de aço
Sem o esquadro da luz
Amarelo
Clarim de modernidade
O classificador americano
É tão seco e
Fresco
Quanto verdes os campos primaveris
Normandia
E a mesa do arquiteto
É assim rigorosamente bonita
Preto
Com um vidro de nanquim
E umas camisas azuis
Azul
Vermelho
Depois há também um litro, um litro de sensualidade
E esta grande novidade
Branco
Folhas de papel branco

Blaise Cendrars, pseudônimo de Frédéric Louis Sauser (La Chaux-de-Fonds, Suíça, 1 de setembro de 1887 — Paris, França, 21 de janeiro de 1961). A critica e curadora de arte Aracy Amaral (São Paulo, 22 de fevereiro de 1930) chama a atenção para o fato de Blaise Cendrars ser conhecido e estudado pelos modernistas já antes da Semana de Arte Moderna de 22, tendo Influenciado Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Luiz Aranha e, em particular, Oswald de Andrade, além de de ser fundamental na definição da pintura de Tarsila do Amaral

Destaque

Fio da vida

Grande poeta de nossa Terra Brasilis… Centenário! Clique e veja as 9 postagens nesse blog com coisas dele: https://ematosinho.com.br/?s=Thiago+de+Mello

Já fiz mais do que podia
Nem sei como foi que fiz.
Muita vez nem quis a vida
a vida foi quem me quis.

Para me ter como servo?
Para acender um tição
na frágua da indiferença?
Para abrir um coração

no fosso da inteligência?
Não sei, nunca vou saber.
Sei que de tanto me ter,
acabei amando a vida.

Vida que anda por um fio,
diz quem sabe. Pode andar,
contanto (vida é milagre)
que bem cumprido o meu fio.

Thiago de Mello (Barreirinha, Amazonas, 30 de março de 1926 – Manaus, Amazonas, 14 de janeiro de 2022)

Páscoa: Sempre é tempo…

A Páscoa é tempo de renascimento, reconciliação e esperança. Por isso vamos recomeçar com fé, com coragem, celebrar com nossos corações alegres e com nossos sorrisos se abrindo de felicidade. Cristo vive! Desejamos que essa seja uma época de celebração, paz e comunhão entre todos.

Equipe da Galeria Pontes

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A noite fria

“… and after many a Summer dies the suan.”
Tennyson

Fiz de mim mesmo um capital de escombros.
Dediquei-me a arruaças repentinas,

Bruno Tolentino (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1940 – São Paulo, 27 de junho de 2007). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999

Contrastes

Existe muita tristeza
Na rua da alegria
Existe muita desordem
Na rua da harmonia
Analisando essa história
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
Mais eu encontro um palhaço
Cada vez mais me embaraço
Analisando essa história
Existe muito fracasso
Dentro do largo da glória
Analisando essa historia
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
mais eu encontro um palhaço

Ismael Silva (Niterói, Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1905 – Rio de Janeiro, 14 de março de 1978). A letra desse samba reflete sobre paradoxos da vida, mencionando também desordem na rua da harmonia e palhaços longe do circo, destacando contrastes sociais e emocionais. É uma crônica sobre contradições, muitas vezes interpretada como uma crítica social leve e poética, popularizada por intérpretes como Jards Macalé e Luiz Melodia. A música é um clássico do samba brasileiro conhecido por sua melancolia reflexiva

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A festa universal divide os pares
entre oceanos, continentes, mares
As razões do mercado são mais certas
do que todas as velhas descobertas.
Por que teimar, como um menino altivo
a quem se aplica logo um corretivo?
O certo é acomodar-se na cadeira
e ouvir do mestre a preleção inteira.
Quem se rebela é um dinossauro bronco,
que merecia estar atado a um tronco
e receber as chibatadas mágicas,
que suprimem as resistências trágicas
e repõem as rodas sobre os trilhos.
como fazem os pais com os próprios filhos.

Reynaldo Valinho Alvarez (Rio de Janeiro, 1931 – 2021). De “Janeiros como rios” (inédito). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999

Este dia

Chegar, assim, a um dia
como este, quem diria?

Ninguém, que não poderia
alguém saber deste dia.

Nem eu, que me prometia
varandas de calmaria

Se a uma hora tardia
da vida chegasse um dia.

No entanto, eis-me neste dia,
o qual jamais urdiria

nem em pesadelos; dia ardendo
contra a alegria,

a paz, o amor, a poesia,
o corpo, a esperança; dia

como nenhum: pedraria
fulgurante de agonia.

Ruy Espinheira Filho (Salvador, Bahia, 12 de dezembro de 1942). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999