A pintura brasileira na cultura popular: uma amostra

Trazendo um pouco de arte para nosso “Vivendocidade” apresento o novo vídeo da Galeria Pontes, onde trabalho, que apresenta três artistas de expressão na cultura artística de nosso Brasil. Desses dois são pernambucanos (Samico e Alcides Santos) e um é paraibano (Luiz Tananduba). O único que ainda pinta é Tananduba. Alcides Santos faleceu em 2007 e Samico em 2013. Falarei um pouco sobre seus trabalhos pictóricos.

Para introduzir nada como falar da Arte Popular Brasileira. Ela é bonita, criativa e cheia de vida. Tem um aspecto lúdico que mexe também com jovens e crianças. Encanta e surpreende. E, ao contrário da arte erudita, ela é uma produção espontânea, na qual não sobra espaço para a educação formal ou acadêmica. Quando algum tipo de transmissão de conhecimento existe, ocorre no máximo informalmente com outro artista/ artesão que funciona como iniciador.

Na arte popular há muito mais espaço para a inventividade e para o saber fazer pessoal do que na arte erudita. A imaginação é muito mais livre tanto na forma final do trabalho como nos meios que o artista inventa para resolver os problemas na confecção de sua obra. A arte popular é a viva expressão da criatividade do nosso povo. Através da sua fantasia o artista reinventa a realidade, estabelecendo íntima relação entre o real e o simbólico. 

Dos muitos pintores a galeria destaca em seu vídeo três deles:

Samico – Recife-PE (1928 – 2013) – tem sua produção é marcada pela recuperação do romanceiro popular nordestino, por meio da literatura de cordel e pela utilização criativa da xilogravura. Suas gravuras são povoadas por personagens mitológicos e outros, provenientes de lendas e narrativas locais, assim como por animais fantásticos e míticos.

Alcides Santos – Recife-PE (1945 – 2008) – Foi enfermeiro de Vicente do Rego Monteiro e desse contato surgiu sua vontade de ser artista. Em 1969 começa a pintar, sob o estímulo do artista Antônio Cavalcanti, que o inicia na utilização das tintas a óleo. Nos anos 70 já havia chamado a atenção do poeta Joaquim Cardozo e do escritor Hermilo Borba Filho, que lhe dedicaram textos. Foi um dos destaques da XXIII Bienal de São Paulo, tendo uma obra utilizada como o cartaz desse evento.

E Luiz Tananduba – Caiçara-PB (1972) – que começou a pintar em 1985, com orientação do artista plástico e seu pai adotivo, Alexandre Filho. Sua inspiração vem de uma visão idealizada e subjetiva do povoado de Caiçara, interior do estado, lugar onde cresceu e tomou emprestado seu sobrenome artístico “Tananduba”, um dos sítios da região.

Vídeo realizado pelo jornalista Adriano Ambrosio Nogueira de Sá.

Para maiores detalhes e informações acesse o site da galeria (http://www.galeriapontes.com.br/).

Artigo publicado originalmente no site “Vivendocidade”, de Carlos Correa Filho (21/08/2014)

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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