Três olhando
Três tias
A primeira tia disse:
— Precisamos já pensar,
Pra Soninha, nos seus anos,
Que presente vamos dar.
Então disse a segunda:
— Minha ideia, irmãs, é esta:
Um vestido verde-ervilha.
Essa cor Sônia detesta!
A terceira diz: — Concordo!
Verde a irrita pra valer!
Ela vai ficar furiosa.
Mas terá de agradecer
Wilhelm Busch (Wiedensahl, Alemanha, 15 de abril de 1832 — Mechtshausen, Seesen, Alemanha, 9 de janeiro de 1908) foi um influente poeta, pintor e caricaturista alemão, famoso pelas suas histórias satíricas ilustradas com textos em verso. In “Di-versos e um Caldeirão de poemas: as antologias traduzidas de Tatiana Belinky” de Sandrelle Rodrigues de Azevedo
Para Duchamp no Paulo
Portuñol
línguas enroladas
dançam Tango
ao som
de buenos aires
voltas
curvas
bamboleios
eixo próprio
invertido
o Sul começa
onde surgimos
península asmática presa
no peito
o som chiante abafa
qualquer dúvida
de procedência
hecho en américa latina Portuñol
línguas enroladas
dançam Tango
ao som
de buenos aires
voltas
curvas
bamboleios
eixo próprio
invertido
o Sul começa
onde surgimos
península asmática presa
no peito
o som chiante abafa
qualquer dúvida
de procedência
hecho en américa latina
Arthur Lungov (Pelotas, Rio Grande do Sul, 1973) é poeta e editor de poesia da “Lavoura”, revista de literatura contemporânea. É autor dos livros “Luzes fortes, delírios urbanos” (Patuá, 2016) e “Corpos” (inédito)
Copilado de Picasso para efeito de arquivo
Quatro momentos poéticos de Stein
Maçã
Maçã ameixa, bife tapete, molusco caroço, vinho colorido, calmo visto, creme de beleza, tremor melhor, batata, batata e nenhuma nenhuma obra de ouro com carícia, uma vista verde é chamada assar e mudar docemente é de pão, um pedacinho um pedacinho por favor.
Um pedacinho por favor. Bastão de novo ao pressuposto e pé de eucalipto pronto, redistribuir xerez e pratos maduros e cantinhos de um tipo de pernil. Isto é uso.
*
Espargo
Espargo numa inclinação numa inclinação para aquecer. Isto faz disto arte e é tempo húmido húmido tempo húmido húmido.
*
Manteiga
Explodir em explodir em, manteiga. Deixe um grão e mostre-o, mostre-o. Eu espio.
É uma necessidade é uma necessidade que uma flor uma flor formal. É uma necessidade que uma borracha formal. É uma necessidade que uma borracha formal seja doce e vista e um trecho inchado. É uma necessidade. É uma necessidade essa borracha formal.
Madeira uma oferta. Limpar pouco manter e um estranho, torne isto estranho.
Faça um branquinho, nenhum e não com fenda, fenda sobre em dentro.
*
Cozinhar
Ai de mim, ai o puxão ai o sino ai o coche na louça, ai de mim o pequeno arremesso na lâmina ai a carne de manteiga da boda, ai de mim o recipiente, ai a forma posterior de marisco, marisco e soda.
Gertrude Stein (Allegheny, Pensilvânia, Estados Unidos, 3 de fevereiro de 1874 — Neuilly-sur-Seine, França, 27 de julho de 1946). Viveu a maior parte de sua vida na França, foi uma das maiores colecionadoras de arte do século XX, e foi figura central no desenvolvimento e na recepção do Cubismo, além de ter influenciado Dada e o Surrealismo. In “Tender buttons” (Tenros/ Suaves botões). Datado de 1914 esse livro é composto por poemas em prosa que funcionam como pequenos quadros cubistas, nos quais o olhar percorre cada elemento de maneira a formar uma (ou mais do que uma) narrativa. Compõe-se de três partes: Objetos, Alimentos e Quartos – e está escrito de uma forma muito particular: a poeta usa uma linguagem experimental, recorrendo a repetições, abstrações, onomatopeias e ao que se designou de “cubismo verbal”, ao ponto de esta ter sido classificada como uma obra-prima da literatura cubista. Poemas postados por Maria Campos
Signos em azul profundo
Singular de paisagem
Escrever-se do interior a palavra
satisfação.
Processos que decantam no corpo. Estamos
na primeira manhã do mundo. O frio é tétrico
e os dedos, que são de água,
produzem vales profundos
na pele cheia de fogo da terra. Os elementos
ainda não estão separados, nem as cores.
Nesse quadro primacial de inocência
o sol desperta a criação. Os olhos berram.
Os erros tornam-se evidentes, os choques
inevitáveis porque existem contornos.
Só agora se definem figuras
na trama lenta da qual resultam zonas
de luz e sombra. O espaço
antes nubloso e equalizado se comporta em fatias
feitas.
Leonardo Fróes (Itaperuna, Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1941 – Petrópolis, Rio de Janeiro, 21 de novembro de 2025). Poeta, tradutor, jornalista, naturalista e crítico literário brasileiro, recebeu, em 1995, o Prêmio Jabuti de Poesia com o livro “Argumentos invisíveis”. Traduziu para o português obras de William Faulkner, Malcolm Lowry, D. H. Lawrence, Tagore, George Eliot, Lawrence Ferlinghetti, etc. Desde a década de 1970 recolheu-se em Petrópolis, região serrana do Rio, onde morou em um sítio com a esposa e filhos e dedicando-se ao cultivo da terra, à poesia e à tradução
Mais da biblioteca de Carmita
Daquela conversa em Ourinhos – SP com o primo Alexandre Araujo Silva segui resgatando nos guardados do sítio outros tantos livros de minha mãe Carmita. Acima mostro outro painel que fiz com alguns dos exemplares que encontrei por lá.
Maria do Carmo Ferreira Matosinho, * Motuca SP, 25 de março de 1926 – + Ourinhos SP, 5 de abril de 1966