Outras memórias – 1948

“O tucupi que era retirado da massa da mandioca era colhido em bacias ou alguidares e era deixado de lado para decantar. Ia descendo lentamente para o fundo um polvilho de cor muito branca. Era chamada tapioca e, depois de separada do líquido e posta para secar, servia para fazer farinha, goma de tacacá e muitas outras coisas. O líquido amarelo chamado simplesmente de tucupi serviria depois também para comidas diferentes como o tacacá e o pato no tucupi. Tem um gosto meio azedo e um ativo sabor.”

In: Estórias paralelas, 1999, 140 páginas

Gravura em metal do artista paraense Valdir Sarubbi e seu livro inédito – acervo família Sarubbi – edição póstuma

Valdir Sarubbi (Bragança, Pará, 10 de outubro de 1939 – São Paulo, 8 de novembro de 2000)

Languagem I Edney Cielici Dias

148 Páginas I 13,5 x 20,5 cm
ISBN: 978-65-5519-213-1

“[…]

Languagem é um presente, um elogio à inteligência, ao talento, à cultura, à erudição, à arte. Sou suspeito, suspeitíssimo para falar deste livro, que conheço desde a sua fecundação. Generoso, Edney volta e meia me manda densas pílulas do seu fazer poético. Aliás, “fazer poético” é, na essência, um pleonasmo, visto que “poesia” vem do latim “poesis”, que, por sua vez, vem do grego “poíesis”, que significa “fazer”, “produzir”. E Edney faz, produz. Como um Cabral, mexe e remexe até que o prazo estoure, o que o obriga a entregar os originais, do contrário ele os alteraria e alteraria e alteraria.

Essa inquietação no fazer se vê nas soluções (meta)linguísticas que Edney encontra, por exemplo, no antológico Notas Laterais, em que italiano e português se misturam em versos que metaforizam a metáfora e criam intensos focos de luz poética e linguística:

meta a poesia
cometa e remeta
o metacazzo
em meio à zoeira
ao tempo pazzo
meta de bobeira
verso na asneira

sim, meta a poesia
de fósforo, o palito
em meta de poesia
alívio paratodanoia
luz, possível infinito
aroma de metanoia

Pois é aí que está o busílis de toda a obra de Edney, que dá à velha questão forma/conteúdo forma e conteúdo ímpares. Languagem é a própria sagração da linguagem criativa, inventiva, subversiva, criativamente subversiva. Como se sabe, a subversão da linguagem não é por si só uma virtude. Subversão sem criatividade é simplesmente um equívoco, um engano, um engodo. Em Languagem, nada sobeja.

[…]

Prepare o fôlego, caro leitor!”

Pasquale Cipro Neto
Linguista e professor

“Eis um poeta. Dos que procuram o som e o senso das palavras. Dos que fazem do poema uma viagem, um desafio, um mergulho, uma graça. Dos que se aplicam à tarefa de compor a massa teimosa de ideias e palavras com a paciência, o orgulho e a humildade do artesão.

 […]

Finda a leitura, fica a percepção de que o poeta realizou neste livro seu objetivo de destilar sua poesia, considerando essa palavra como depuração: determinada, buscada, teimosa, obsessiva.”

Ivan Angelo
Escritor

Edney Cielici Dias: “Espaços brancos entre substantivos: diversos, verticais, humilíssimos, incandescentes.”. Poeta devotado ao ofício da palavra, é doutor em ciência política, economista, jornalista e editor. Autor de “Cartas da alteridade” (Selo Demônio Negro, 2020).

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Novas de Marinaldo Santos

Marinaldo Santos nasceu em Belém do Pará, em 1961. Artista plástico e admirador da vida. É também pintor e desenhista autodidata. Em 1987 começou a realizar exposições individuais e coletivas, participando de mostras em todo o país e no exterior (Alemanha, Estados Unidos, Holanda, França). Recebeu inúmeros prêmios, entre eles o Grande Prêmio do Salão de Artes do Pará.

No momento ele participa em São Paulo da exposição coletiva “A Figura como Expressão” que está em cartaz na Galeria Berenice Arvani desde 19/03/2024, das 10 às 19 horas.
Rua Oscar Freire, nº 540 – Loja 05, Jardins – São Paulo – SP
Telefones: (11) 3082-1927 | (11) 3088-2843
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Bettina Bopp: Trechinho de uma carta ao seu irmão em “Pra quando você acordar”

“Tenho uma pilha de trabalho pra fazer e hoje estou com a cabeça em você… Você morreria numa sexta-feira de setembro, oito anos atrás, no final da tarde. Era um dia comum. Comum demais pra morrer. E então foi assim. Você não morreu, está por aqui, mas ainda não é você. Não ter respostas tem sido difícil, em uns dias mais do que noutros. Você fugiu do quê? Por quê? O que estava tão pesado pra você…”

Escrito em setembro de 2013 e publicado no livro “Pra quando você acordar: Crônicas de saudade e espera” por Bettina Bopp, escritora e professora paulistana, amiga dos Colégios Palmares e Gávea. Ela escreveu também “Afetos colaterais: A busca pela poesia na despedida de minha mãe” e o infantil “A lenda das três laranjas”.

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Lucas Abreu: Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP)

Lucas Figueiredo de Abreu

Artista plástico 🎨👣 e palestrante.

Nascido em 25/04/1986 em Varginha – MG sem os braços. Começou a rabiscar papel e escrever com os pés por incentivo de sua mãe e sua irmã, que colocava o lápis no meio de seus dedos. Desde pequeno, sempre foi fascinado por pintura, desenho e música. Além de pintar, também se dedica a tocar sua gaita.

Estilo de pintura: Com o pé
Técnica: Acrílica
Título da obra: “O guardião da floresta”

APBP Brasil
Arte
A APBP é parte de uma associação internacional de artistas que, devido à sua deficiência física, pintam belas obras de arte com a boca ou os pés.

Contatos:
APBP – Rua Tuim, 426 – Moema – São Paulo/ SP – CEP: 04514-101
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