Fio da vida

Grande poeta de nossa Terra Brasilis… Centenário! Clique e veja as 9 postagens nesse blog com coisas dele: https://ematosinho.com.br/?s=Thiago+de+Mello

Já fiz mais do que podia
Nem sei como foi que fiz.
Muita vez nem quis a vida
a vida foi quem me quis.

Para me ter como servo?
Para acender um tição
na frágua da indiferença?
Para abrir um coração

no fosso da inteligência?
Não sei, nunca vou saber.
Sei que de tanto me ter,
acabei amando a vida.

Vida que anda por um fio,
diz quem sabe. Pode andar,
contanto (vida é milagre)
que bem cumprido o meu fio.

Thiago de Mello (Barreirinha, Amazonas, 30 de março de 1926 – Manaus, Amazonas, 14 de janeiro de 2022)

Bicicleta

Que surpresa a manhã me reserva,
a alegre scienza de tuas pernas.

És uma imagem tão concreta:
mulher passando de bicicleta.

Circulas feito jornal silencioso,
vens de um mundo novo.

Nervo exposto do movimento,
tempestade amorosa do tempo.

Texturas de ritmo e luz,
sensualidade, trobar clus.

Passas por mim e penso:
É por mim que ela passa.

Augusto Massi (São Paulo, 1959)

O fio da viagem / “Não faça piadas…”

Conselho de Kalecki aos amigos:

“Não faça piadas sobre assuntos sérios, elas sempre acabam por se mostrar verdadeiras.”

Michal Kalecki (Lodz, Polônia, 22 de junho de 1899 — Varsóvia, Polônia, 18 de abril de 1970). Economista marxista, especializado em macroeconomia. Foi considerado “um dos economistas mais ilustres do século 20” e “provavelmente o mais original”. Afirma-se frequentemente que ele desenvolveu muitas das mesmas ideias que John Maynard Keynes antes de Keynes.

O engenheiro

A Antônio B. Baltar

A luz, o sol, o ar livre
envolvem o sonho do engenheiro.
O engenheiro sonha coisas claras:
superfícies, tênis, um copo de água.

O lápis, o esquadro, o papel;
o desenho, o projeto, o número:
o engenheiro pensa o mundo justo,
mundo que nenhum véu encobre.

(Em certas tardes nós subíamos
ao edifício. A cidade diária,
como um jornal que todos liam,
ganhava um pulmão de cimento e vidro).

A água, o vento, a claridade
de um lado o rio, no alto as nuvens,
situavam na natureza o edifício
crescendo de suas forças simples.

João Cabral de Melo Neto (Recife, Pernambuco, 9 de janeiro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999). In “O engenheiro”, 1945

Nota: A expressão “machine à émouvoir”, que significa “máquina de comover”, foi usada por João Cabral de Melo Neto, especialmente na epígrafe de “O engenheiro” (1945), para descrever a sua visão da poesia como uma construção técnica e racional destinada a provocar emoção. A poesia cabralina, com o seu rigor formal e a sua linguagem concisa, funcionaria como uma máquina, onde cada elemento, tal como numa engrenagem, teria uma função específica na criação do impacto emocional desejado no leitor. Influência da arquitetura: Cabral, também conhecido como “poeta engenheiro”, via a criação poética como um ofício técnico e laborioso. A sua poesia não era um impulso inspiracional, mas um trabalho árduo sobre a estrutura da linguagem, tal como a construção de um edifício.

Recuerdo de la estación del sol – 2014

Vagão Fantasia – Ubatuba-SP

(O vagão de trem, eu e o bambuzal)

Contando um pouco…

A história de Ubatuba começa em 1563, quando o Padre Anchieta promove junto aos índios liderados por Cunhambebe, a chamada Paz de Iperoig, também conhecido como Armísticio de Iperoig que foi um tratado de paz efetuado entre os portugueses e os indígenas tamoios nesse remoto ano.

“Iperoig” é um termo derivado da língua tupi antiga: significa “rio dos tubarões”, através da junção de iperó (tubarão) e ‘y (rio). Era o nome da localidade onde Manuel da Nóbrega e José de Anchieta ficaram reféns dos tamoios em 1562-1563.

O nome Ubatuba tem origem no tupi-guarani e pode significar “lugar abundante em canoas” ou “lugar abundante em canas para fazer flechas”. A palavra é formada pela junção de “ubá” (canoa) ou “uíba” (cana) e o sufixo “tuba”, que indica abundância ou sítio onde há muito de algo.

Esse vagão de Edna é uma viagem em si e seu livro de bordo conta muitas lindas histórias como essa… Pergunte…