Postais
Ideia de filme
para lembrar
figuras
caligrafia remota
desvão de viagem
entrelaço
agudo
ou o
dizer
mesmo
saudade
Manoel Ricardo de Lima (Parnaíba, Piauí, 1970). Finalista ao Prêmio Jabuti 2025 com seu livro de poesia “O lado esquerdo”, Editoras Mórula Editorial, Cultura e Barbárie e a cerimônia de premiação está marcada para acontecer em 27 de outubro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
10/10: Centenário de Poteiro
“Neste ano comemora-se o centenário de nascimento de Antônio Poteiro, artista nascido em Portugal em 1925, que chegou ainda bebê no Brasil e tornou-se um dos mais importantes artistas brasileiros. Radicou-se em Goiânia em 1955. Foi lá que montou a sua oficina onde fazia potes de cerâmica, profissão aprendida com seu pai. Seus potes, à princípio objetos utilitários, assumiriam a condição de autênticas esculturas em cerâmica, produtos da sua fértil imaginação e de um saber fazer primoroso e único. Mais tarde, por influência de artistas goianos, tornou-se pintor. Produziu quadros lindos, lúdicos. Eles têm uma euforia de cores e traço marcante, inconfundível.
Viva Antônio Poteiro que tornou nossas vidas mais alegres e mais leves!”
Edna Matosinho de Pontes
Poteiro (Santa Cristina de Pousa – Portugal, 1925 – Goiânia – GO, 2010) – Antônio Batista de Sousa faleceu aos 84 anos e na data de hoje comemora-se o seu centenário. Chegou ao Brasil ainda bebê. Morou em São Paulo, em Minas Gerais e numa aldeia carajá na ilha do Bananal – TO. Desde 1955 radicou-se em Goiânia, onde montou seu ateliê. Foi padeiro, cozinheiro e faxineiro antes de ser poteiro, ofício que aprendeu com o pai e que iniciou sua relação com a escultura. Ganhando a vida como fabricante de cerâmica utilitária (de onde lhe adveio o epíteto de Poteiro), aos poucos foi imprimindo qualidade artística a seus potes. Com o passar dos anos muitos de seus potes assumiriam a condição de autênticas esculturas em cerâmica, superando pela carga estética sua condição primeira de simples recipientes caseiros para revelar, na forma cada vez mais complexa e na elaborada ornamentação, uma imaginação dominada pelo insólito e o fantástico, antes de que apreendida diretamente da realidade concreta. A pintura viria mais tarde e levou para ela os mesmos elementos utilizados em suas cerâmicas, priorizando uma temática nascida do sonho e do pesadelo.
“Galeria Pontes apresenta seu acervo de Antônio Poteiro” em vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=0mq4PbDML8g&t=56s
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Toalha 2
Artes
Evito rimas, recuso acrobacias
apenas do frugal me ocupo inteira:
tomo como medida o arame do varal
e entremeio nele (sensual, promíscua)
toalha de mesa com lençol.
A casa deságua no quintal,
alta se amolda aos ramos das mangueiras.
De quando em vez faz rumo, sai pra rua
(sem pelo) presa pela lua cheia
ou terna atrás de longe realejo.
Fica tudo quarando enquanto
cozinho ou vasculho a cumeeira
(esteio onde é mais vivo o espírito do meu pai)
e escapa das molduras uma aura, um certo enleio
com que apanho luz para as candeias,
com que canto funcionando este tear.
Maria Lúcia Dal Farra (Botucatu, São Paulo, 14 de outubro de 1944). Finalista ao Prêmio Jabuti 2025 com seu livro de poesia “Livro de erros”, Editora Iluminuras, e a cerimônia de premiação está marcada para acontecer em 27 de outubro no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Os dez poetas americanos mais influentes e notáveis, segundo consulta que fiz
Perguntando ao Google ele apontou esses entre os poetas norte-americanos mais acessados na rede:
- Walt Whitman (1819-1892): Considerado um dos fundadores da poesia americana, com sua obra Folhas de Relva (1855) e seu estilo inovador que celebra a individualidade e a democracia.
- Emily Dickinson (1830-1886): Uma poetisa introvertida e excêntrica, cujos poemas, descobertos após sua morte, foram fundamentais para o desafio das convenções poéticas da época.
- T. S. Eliot (1888-1965): Embora também associado ao modernismo britânico, Eliot foi um dos mais influentes poetas e críticos literários americanos do século XX.
- Ezra Pound (1885-1972): Um poeta influente e um dos principais mentores do modernismo, com um estilo que muitas vezes era experimental e desafiador.
- Sylvia Plath (1932-1963): Uma das vozes mais potentes e reconhecidas da poesia americana, conhecida por seu estilo pessoal e introspectivo.
- Maya Angelou (1928-2014): Uma figura proeminente da literatura americana, cujos poemas abordaram temas como identidade, raça e injustiça social.
- Edgar Allan Poe (1809-1849): Famoso por seus poemas góticos e sua contribuição para o desenvolvimento do conto e da poesia nos Estados Unidos.
- Robert Frost (1874-1963): Um dos poetas mais populares dos Estados Unidos, conhecido por sua poesia lírica que celebrava a vida rural, mas também abordava temas filosóficos.
- Langston Hughes (1902-1967): Um poeta fundamental do Renascimento do Harlem, cujos versos celebravam a cultura e a experiência afro-americana.
- E. E. Cummings (1894-1962): Conhecido por suas experimentações com a linguagem, a tipografia e a forma poética, desafiando as normas estabelecidas.
Conclui hoje a publicação de poemas deles no blog, tarefa iniciada em 27 de setembro de 2025.
Consultem e boa leitura!
Seta em ondas do além
Poemas
amor é mais mais denso do que olvido
mais mais fino do que recordo
mais raro que uma onda tonta
mais frequente do que a míngua
é o mais mais louco e lunar
e menos não será ser
do que tanto mar que só
é maior do que o mar
amor é menos sempre que vencer
menos nunca do que viver
menos maior que o menor grão
menos mínimo que perdão
é o mais mais são e solar
e mais não será não ser
do que tanto céu que só
é maior do que o céu
II.
quincas abomina
todas as meninas (as
tímidas zinhas, as atrevidas
zinhas; as meigas
ciosas melosas formosas)
todas elas excetuando as
frígidas
pedro despreza todas
as meninas (as
sabidas zinhas, as burras
zinhas; as gostosas
fofas magrelas fininhas)
todas elas excetuando
as chatas
nando ama todas as
meninas (as
tortas zinhas, as mancas
zinhas; as loucas
retardadas lesadas)
todas elas
excetuando as mortas
miro admira todas as meninas
(as
gorduchas zinhas, as secas
zinhas; as largadonas
doces porcas limpas)
todas
elas excetuando as novinhas
III.
numa forma verdadeiramente
em curva
minha alma
adentra
pressente toda a
miudeza dissolvida
pela obscena suposição
da fabulosa imensidade
o céu gritou
o sol morreu)
o navio paira
sobre mares de ferro
respirando altura comendo
precipícios o
navio transpõe
murmurantes montanhas de prata
que
somem (e
só
era noite
e por só esta noite uma
forma prodigiosa se move
tripulada e pilotada
por espírito que o meu é
IV.
esta pessoinha de
olhos escan-
caradíssimos (qua
-se a ex-
elodir de tanta
in
-exprimív-
el
inu
-merabilid-
ade de si
mesmos) não pode
e
-ntende-
r meu ú
-nico-
e mesmo eu
V.
morrer é lindo) mas a Morte
?oh
benzinho
não
me faria bem
a Morte se a Morte
fosse
boa: pois
quando (em lugar de parar para pensar) você
começar a sentí-la, o
miraculoso por quê
de morrer? por-
que morrer é
perfeitamente natural; perfeitamente
suavizando os
termos vivo (mas
a Morte
é rigorosamente
científica
& artificial &
má & oficial)
agradecemos a ti
deus
todo-poderoso por morrer
(perdoai-nos,oh vida! o pecado da Morte
VI.
um político é um bundão sobre
o qual se sentou tudo exceto um homem
VII.
meu velho e doce etcetera
tia lucy na última
guerra podia e chegou
mesmo a te contar de que
todo mundo lutava em
prol,
minha irmã
isabel deu cria a centenas
(e
centenas) de meias sem
falar camisetas orelheiras à prova de pulgas
etcetera munhequeiras etcetera, minha
mãe esperava que
eu morresse etcetera
como um herói é claro meu pai ficava
rouco de repetir que imenso privilégio
era e se só dependesse
dele nesse ínterim a mim
mesmo etcetera estendia na paz
da lama em que afundo et
cetera
(sonhando,
et
cetera, com
Teu sorriso
olhos joelhos e com tua Etcetera)
VIII.
eu quero meu corpo quando é teu meu
corpo. É tanto tão moço que coisa.
Os músculos bem mais, os nervos demais.
eu quero teu corpo. quero-porque-quero,
quero os teus como-o-que. quero roçar a espinha
de teu corpo e os ossos, e o receio
sempre-suave-mente e aí eu
irei e irei e irei
abraçar, quero beijar aqui lá, você,
quero, afagar lento pulsar, cintilante pelo
de tua pele radiante, o-que-é-isso a vir-me
carne a carne . . . . Pupilas grandes de amor-migalhas,
e possivelmente quero o tremor
de sob mim você tanto tão moça
E. E. Cummings (Cambridge, Massachusetts, Estados Unidos, 14 de outubro de 1894 — North Conway, Nova Hampshire, Estados Unidos, 3 de setembro de 1962). Publicado na Revista Piauí, edição 16, janeiro de 2008