Valdir Sarubbi – Pinturas – Projecta Galeria de Arte

Exposição Individual: 1978 – São Paulo/ SP – Individual, na Galeria Projecta

Valdir Evandro Sarubbi de Medeiros (Bragança, Pará, 1939 – São Paulo, São Paulo, 2000)

Pintor, desenhista, gravador, professor, graduou-se em Direito em Belém (1962). Em 1969, ingressa na Faculdade de Arquitetura, que abandona no segundo ano, quando se muda para São Paulo, onde desenvolve uma obra profundamente ligada a suas origens. “Nasci em uma pequena cidade do interior da Amazônia, onde convivi com rios, animais, florestas e costumes indígenas de uma Amazônia intocada, que deixaram em mim conteúdos afetivos que seriam importantes para a minha expressão artística anos depois”, afirmou o artista.
Sarubbi começou a desenhar e pintar no início dos anos 1970, quando desenvolveu uma série que ele chamou de Meditação Labiríntica, constituída por trabalhos com formas de labirintos à semelhança dos desenhos das cerâmicas marajoaras. Essas formas, com o tempo, transformaram-se em linhas sinuosas que lembram o trajeto de rios nos mapas. A vontade explícita de representar o grande rio e seus afluentes leva-o a trabalhar a partir de levantamentos aerofotogramétricos da região amazônica.
Em São Paulo, Valdir Sarubbi desenvolveu carreira consistente. Já em 1971, quando se transfere para a capital paulista, participa da XI Bienal Internacional de São Paulo, do Salão de Arte Contemporânea de Campinas, da Bienal Nacional de Santos e do Salão Paulista de Arte Contemporânea, no qual é distinguido com uma Referência Especial do Júri. No ano seguinte, na Bienal Nacional, conquista o prêmio Brasil Plástica, que o distingue como um dos cinco expositores mais representativos. As participações e os prêmios se sucedem. Em 1974, recebe o Prêmio APCA na categoria Melhor Objeto, láurea que volta a conquistar em 1988 na categoria Pesquisa. Em 1981, conquista o Prêmio Governador do Estado, o mais importante do Salão Paulista de Artes Visuais; e, em 1992, lhe é atribuído o prêmio de Viagem ao Japão, no Salão Brasileiro de Arte da Fundação Mokiti Okada. Em 2000, é distinguido com bolsa de estudos da Pollock-Krasner Foundation, de NYC.
Nas três décadas de sua produção artística, Valdir Sarubbi realizou mais de 40 individuais no Brasil e uma na Alemanha. Obras de sua autoria integram numerosas coleções públicas no Brasil, estando presentes também nos acervos da Casa de las Américas, em Cuba e no Museo Del Grabado Latino-Americano, em Porto Rico.
Em 1990, mediante concorrência, Sarubbi realizou um painel de 14 metros quadrados para a Estação Palmeiras/Barra Funda do Metrô de São Paulo. “Para realizar este painel, resolvi retomar o início do meu trabalho (Meditação Labiríntica) como forma de perenizar minhas raízes amazônicas por meio dessa obra, que ficará no mínimo cem anos num espaço público da maior cidade brasileira”, declarou o artista. O painel, que foi produzido nas madrugadas, “entre o último trem da noite e o primeiro da manhã”, remete não apenas ao curso dos rios amazônicos, mas também à malha urbana de uma metrópole como São Paulo.

Fonte: Enock Sacramento: “Arte no Metrô”
Edição A&A Comunicação Ltda.
São Paulo, 2012 / 2014 atualização

Gravura em metal do artista paraense Valdir Sarubbi – acervo família Sarubbi – edição póstuma

Três hai-cais para o final de semana — com leveza

Primavera

Jabuticabeira:
Corpo embrulhado em colares
De pérolas negras.

Verão

Videntes da esquina:
As margaridas sem pétalas
Já leram destinos.

Outono

Morre um louva-a-deus –
Deu-se inteiro à descendência
Num tímido êxtase.

Mariana Machado (Pelotas, 1982) é mestre em Poéticas Visuais pela UFRGS e escritora de poesia, prosa e literatura infantil. In “Revista Sombra”, 2ª edição, revista literária que acompanha mensalmente os livros da Pessôa Editora

Gilberto Mansur e Américo Vermelho, dos bons tempos da revista “Status”…

Fotografias da histórica entrevista feita com o poeta maior Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987). Essa entrevista foi feita pelo também mineiro, o escritor e jornalista Gilberto Mansur, nascido em 1942, diretor de redação da revista “Status” durante quase uma década (concorrente da “Playboy”). Mansur, sendo escritor, fez da “Status” uma publicação com apelo também literário. E o fotógrafo (que aparece nas também nas imagens, assim como o jornalista Mansur) foi Américo Vermelho (1954–2026), renomado profissional, paranaense de Bom Sucesso, que se destacou no cenário carioca e nacional. Ele faleceu em fevereiro de 2026, no Rio de Janeiro, de causas naturais.

Mansur criou a Cachaça Espírito de Minas nascida na fazenda Santa Luzia localizada na pequena São Tiago no interior de Minas Gerais próximas às cidades históricas de São João Del Rei e Tiradentes. O nome dessa tradicional cachaça criada por Mansur foi inspirado na frase “Espírito de Minas me visita” que abre o poema “Prece de Mineiro no Rio” de Carlos Drummond de Andrade em que o poeta evoca as lembranças e o estilo de vida de sua terra.

Carlos Drummond de Andrade em seu apartamento no dia da entrevista, local onde o poeta morou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro, vivendo em Copacabana. O endereço é a Rua Conselheiro Lafaiete, 60, onde residiu por décadas. O poeta também morou na Rua Joaquim Nabuco, 87, quase esquina com a Raul Pompéia, também em Copacabana. Foto: Américo Vermelho

Comenta Mansur sobre esse momento ímpar: “A foto (primeira imagem na parte superior esquerda) mostra a tristeza do poeta pela morte do amigo Pedro Nava. Essa foi considerada por muita gente como a melhor e mais triste foto do CDA. Esta fotografia foi tirada pelo grande fotógrafo Américo Vermelho (que, infelizmente, morreu este ano).”

Vidência

Se os nossos olhos te enxergassem, rosa,
E não só: “É uma rosa” nos dissessem
Na vulgar gradação que nunca esquecem,
Que epifania na manha tediosa!

Se eles vissem, ao vê-la, cada coisa
E não seu nome, se afinal pudessem
Fugir da furna abstrata onde destecem
A vida, um morto partiria a lousa

Maciça de aqui estar. Flor, nuvem, muro,
Árvore, que é uma só e não tal nome,
Se tudo entrasse o corredor escuro

Que há em nós, algo de exato se ergueria.
Algo que para o tempo ou que o consome.
Que alveja a noite e entenebrece o dia.

9.11.1998

Alexei Bueno (Rio de Janeiro, 26 de abril de 1963). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999

Soneto XXI

Eis outra vez a Primavera. A Terra
é um menino que sabe dizer versos;
tantos, oh tantos… Por aquele esforço
de longo estudo vai receber um prêmio.

Severo foi o mestre. Nós gostávamos
da brancura da barba daquele velho.
Agora podemos perguntar o nome
do verde, o azul: ela sabe, ela sabe!

Terra feliz, em férias, brinca agora
co′as crianças. Queremos agarrar-te,
Terra alegre. A mais jovial consegue-o.

Oh, o muito em que o mestre as instruiu
e o impresso nas raízes e nos longos
troncos difíceis: ela o canta, canta!

§

XXI. Sonett

Singe die Gärten, mein Herz, die du nicht kennst; wie in Glas
eingegossene Gärten, klar, unerreichbar.
Wasser und Rosen von Ispahan oder Schiras,
singe sie selig, preise sie, keinem vergleichbar.

Zeige, mein Herz, daß du sie niemals entbehrst.
Daß sie dich meinen, ihre reifenden Feigen.
Daß du mit ihren, zwischen den blühenden Zweigen
wie zum Gesicht gesteigerten Lüften verkehrst.

Meide den Irrtum, daß es Entbehrungen gebe
für den geschehnen Entschluß, diesen: zu sein!
Seidener Faden, kamst du hinein ins Gewebe.

Welchem der Bilder du auch im Innern geeint bist
(sei es selbst ein Moment aus dem Leben der Pein),
fühl, daß der ganze, der rühmliche Teppich gemeint ist.

Rainer Maria Rilke (Praga, Império Austro-Húngaro, atual República Tcheca, 4 de dezembro de 1875 — Valmont, Suíça, 29 de dezembro de 1926). In “Sonetos a Orfeu”, 1923, Poemas, as elegias de Duíno e Sonetos a Orfeu. Tradução Paulo Quintela. Lisboa: Editora O Oiro do Dia, 1983. Em alemão: Im “Die Sonette an Orpheus, Zweiter Teil”