Exposição Individual: 1978 – São Paulo/ SP – Individual, na Galeria Projecta

Pintor, desenhista, gravador, professor, graduou-se em Direito em Belém (1962). Em 1969, ingressa na Faculdade de Arquitetura, que abandona no segundo ano, quando se muda para São Paulo, onde desenvolve uma obra profundamente ligada a suas origens. “Nasci em uma pequena cidade do interior da Amazônia, onde convivi com rios, animais, florestas e costumes indígenas de uma Amazônia intocada, que deixaram em mim conteúdos afetivos que seriam importantes para a minha expressão artística anos depois”, afirmou o artista.
Sarubbi começou a desenhar e pintar no início dos anos 1970, quando desenvolveu uma série que ele chamou de Meditação Labiríntica, constituída por trabalhos com formas de labirintos à semelhança dos desenhos das cerâmicas marajoaras. Essas formas, com o tempo, transformaram-se em linhas sinuosas que lembram o trajeto de rios nos mapas. A vontade explícita de representar o grande rio e seus afluentes leva-o a trabalhar a partir de levantamentos aerofotogramétricos da região amazônica.
Em São Paulo, Valdir Sarubbi desenvolveu carreira consistente. Já em 1971, quando se transfere para a capital paulista, participa da XI Bienal Internacional de São Paulo, do Salão de Arte Contemporânea de Campinas, da Bienal Nacional de Santos e do Salão Paulista de Arte Contemporânea, no qual é distinguido com uma Referência Especial do Júri. No ano seguinte, na Bienal Nacional, conquista o prêmio Brasil Plástica, que o distingue como um dos cinco expositores mais representativos. As participações e os prêmios se sucedem. Em 1974, recebe o Prêmio APCA na categoria Melhor Objeto, láurea que volta a conquistar em 1988 na categoria Pesquisa. Em 1981, conquista o Prêmio Governador do Estado, o mais importante do Salão Paulista de Artes Visuais; e, em 1992, lhe é atribuído o prêmio de Viagem ao Japão, no Salão Brasileiro de Arte da Fundação Mokiti Okada. Em 2000, é distinguido com bolsa de estudos da Pollock-Krasner Foundation, de NYC.
Nas três décadas de sua produção artística, Valdir Sarubbi realizou mais de 40 individuais no Brasil e uma na Alemanha. Obras de sua autoria integram numerosas coleções públicas no Brasil, estando presentes também nos acervos da Casa de las Américas, em Cuba e no Museo Del Grabado Latino-Americano, em Porto Rico.
Em 1990, mediante concorrência, Sarubbi realizou um painel de 14 metros quadrados para a Estação Palmeiras/Barra Funda do Metrô de São Paulo. “Para realizar este painel, resolvi retomar o início do meu trabalho (Meditação Labiríntica) como forma de perenizar minhas raízes amazônicas por meio dessa obra, que ficará no mínimo cem anos num espaço público da maior cidade brasileira”, declarou o artista. O painel, que foi produzido nas madrugadas, “entre o último trem da noite e o primeiro da manhã”, remete não apenas ao curso dos rios amazônicos, mas também à malha urbana de uma metrópole como São Paulo.
Fonte: Enock Sacramento: “Arte no Metrô”
Edição A&A Comunicação Ltda.
São Paulo, 2012 / 2014 atualização
