Amei Alexandria apaixonadamente
Foi naquela cidade que amei como ninguém,
como se ama a verdade e a ilusão quando vêm
a dar quase no mesmo: um coração consente
qualquer ambiguidade à alma quando tem,
como se diz, a vida toda pela frente…
À mais notória condição inconsequente
que um jovem coração cultiva, eu dei também
como o barco à deriva, a quilha sempre pronta
ao naufrágio ideal… Mas não foi à cidade
que eu aportei um dia, a jovem alma tonta,
o corpo amado ao lado: foi àquela metade
do eterno compartido, a joia da vaidade,
doce como um colar de dois, conta por conta…
Bruno Tolentino (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1940 – São Paulo, 27 de junho de 2007) foi um poeta, escritor e polemista brasileiro
Sobre Alexandria leia também:
Konstantinos Kaváfis
Lawrence Durrell
Valdir Sarubbi (“Memórias de Alexandria” – 1998, exposição ocorrida na Paulo Figueiredo Galeria de Arte)