Todo dia morremos um pouquinho:
na gaveta a camisa desbotada,
o passado não cabe mais na casa,
e o tempo andou metade do caminho.
Todo dia esquecemos nossa morte:
nas festas sem paixão de fins de tarde,
no prazer que não dura o seu alarde,
as viagens verticais sem passaporte.
Todo dia morremos uma parte.
O corpo sabe disso e quer o mar,
mas perder nos ensina a caminhar
– morrer a cada dia é uma arte.
João Filho (Bom Jesus da Lapa, Bahia, 1975). Vencedor do Prêmio Alphonsus de Guimaraens (2015), concedido pela Biblioteca Nacional pelo livro “A dimensão necessária” (2014), ele é um dos grandes nomes da poesia contemporânea. In “Revista Sombra”, 1ª edição, revista literária que acompanha mensalmente os livros da Pessôa Editora
Autor: ematosinho
Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).
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