Relato de coisa muito antiga
“Foi no tempo em que as ruas de nossa cidade ainda tinham nomes de santos. A travessa Cônego Miguel, por exemplo, chamava-se Santo Antônio; a Serzedelo Corrêa era São Mateus; a Cipriano Santos, São João. A Senador Pinheiro não tinha nome de santo, mas chamava-se romanticamente Rua do Sol porque descia exatamente na direção onde, durante um certo tempo do ano, o sol nascia. Quem olhasse, manhãzinha, daqui de cima, tinha a exata impressão que a bola enorme do sol, durante alguns momentos, pousava sobre o leito da rua, lá em baixo. Era um quadro bonito, mas ninguém prestava atenção. Rua era para andar.
Foi no tempo em que essas ruas não tinham ainda a luz elétrica que têm hoje, mas toscos lampiões de querosene que quase nada iluminavam, quase nada clareavam. Tardinha, mal começava a escurecer, os empregados da Intendência percorriam as poucas ruas que tinham este privilégio. Abasteciam e depois acendiam. A criançada que morava por perto acompanhava a tarefa com um sorriso nos lábios, entre pulos e gritos, cada vez que uma luz aparecia. Os lampiões tinham uma luz mortiça e amarelada…”
Em 1999, um ano e sete meses antes de sua morte, Valdir Sarubbi concluiu o seu livro de memórias intitulado “Estórias Paralelas”. Dessa obra de 140 páginas seleciono o trecho acima do conto intitulado “Relato de coisa muito antiga”.

Valdir Sarubbi (Bragança, Pará, 10 de outubro de 1939 – São Paulo, 8 de novembro de 2000)
Chinês 1
Sinfonia noturna de Miró

Vi Miró
E Gaudi
Fiz me só
Só com ti
Nesse quadro
Dó ré mi
26/08/1988
Flavio Ribeiro de Oliveira, in 26/08/1988 – Possui graduação em Filosofia pela USP (1989), mestrado em Letras (Letras Clássicas) pela USP (1994) e doutorado em Letras (Letras Clássicas) pela USP (2001). Realizou pós-doutorado no Centre Léon Robin (Université Paris IV-Sorbonne / École Normale Supérieure / CNRS) (2008). Atualmente é professor doutor da Unicamp e coordenador de Centro de Estudos Clássicos do Instituto de Estudos da Linguagem dessa universidade.
Gato
Entreato 1
Escorrego entre o desejo e a verdade
na cidade exausta.
Ecos de sofrimento reverberam inaudíveis
nesta Terra de unguentos perdidos
e homens plausíveis.
Atravesso a velha praça decadente
onde gente natimorta aguarda:
olhos entreabertos como pus ou raiva,
jamais encontrarão a janela de seu quarto,
transparente e inviolável mansarda.
Como posso acalentar o pranto
enquanto um canto paulatino
ensurdece os sentidos?
Espasmos de volúpia degeneram o meu corpo,
cárcere da luta entre o prazer retido
e um furor exposto.
Tarda derradeiro um entreato frente ao espelho:
fazer fogo do que arde em segredo.
Luiz Ribeiro – Jornalista graduado pela Faculdade Cásper Líbero e mestre em Ciências pelo Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Unifesp. Escritor e editor, autor de livros infanto-juvenis e didáticos de educação emocional e social para ensino fundamental, ensino médio, EJA e famílias.
Palestino
E bem, e o resto?
(…)
E bem, qualquer que seja a solução, uma cousa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me… A terra lhes seja leve! Vamos à “História dos Subúrbios”.
Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 – Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908). In “Dom Casmurro”
Catálogo da Exposição “Entreolhares: Poéticas d’alma brasileira”
Está disponível para venda o Catálogo da Exposição “Entreolhares: Poéticas d’alma brasileira” (De 18 de junho a 7 de agosto de 2016) realizada no no Museu Afro Brasil – Parque Ibirapuera – Portão 10 – São Paulo/ SP.
A Galeria Pontes inaugurou a mostra “Entreolhares: Poéticas d’alma brasileira”. Essa exposição foi voltada para a arte do povo brasileiro, e abarca um longo período, desde as décadas de 1940 e 1950 até a contemporaneidade. Procurou reunir um conjunto abrangente e diversificado da expressão autoral de criatividade popular, das carrancas do mestre Guarany e das cerâmicas do mestre Vitalino aos grandes mestres atuais, muitos deles ainda ativos nas diversas regiões do Brasil. Foram incluídos alguns artistas modernos e contemporâneos apenas para sinalizar e sublinhar poéticas que se nutrem do imaginário popular: Di Cavalcanti, Tarsila, Cícero Dias, Guignard, Volpi, Rubem Valentim, Cláudio Tozzi, Rubens Gerchman, Nelson Leirner, entre outros.
Curadoria: Edna Matosinho de Pontes e Fabio Magalhães
Vídeo do lançamento Catálogo “Entreolhares” e Mesa-redonda: https://www.youtube.com/watch?v=GRzHQLCf7yo
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Preço: R$ 110,00
Esse livro pode ser adquirido através da Galeria Pontes (galeria@galeriapontes.com.br, (11) 3237-0436 ou 11 9 9781-4370 – WhatsApp).