Valdir Ricardo, Dayana Trindade, Ellen de Lourdes Pelliciari e Micheli Finali: Grande exposição de artistas plásticos de Mato Grosso 📍

Em um encontro em Cuiabá-MT marcado por arte, diálogo e compromisso com a valorização da cultura regional, representantes da Associação dos Artistas Plásticos de Mato Grosso (ARTEMAT) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) se reuniram na sexta-feira passada, 11/07/2025, para discutir uma importante parceria com o setor de Cultura da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

O objetivo da reunião foi articular uma exposição coletiva de artistas plásticos mato-grossenses, destacando a força criativa e a diversidade cultural do estado. A iniciativa visa não apenas dar visibilidade aos artistas locais, mas também fortalecer o desenvolvimento artístico e cultural como ferramenta de transformação social.

Durante o encontro, foram debatidas estratégias para a realização da mostra, que deve reunir obras de diferentes estilos e linguagens visuais, reforçando o papel da arte como elemento central da identidade mato-grossense.

O vice presidente da ARTEMAT, Valdir Ricardo Francisco, destacou a importância da união entre instituições acadêmicas e movimentos culturais, reforçando o que já havia dito o representante da UNEMAT o professor doutor Agnaldo e também a professora Ellen de Lourdes Pelliciari e a artista e curadora Dayana Trindade.

“Acreditamos que essa aproximação entre as universidades e os artistas é fundamental para que a arte ganhe mais espaço e reconhecimento. Mato Grosso é um celeiro de talentos que precisam ser valorizados.”

Com o apoio da UNEMAT e o envolvimento da UFMT, o projeto da exposição coletiva promete se consolidar como um marco para os artistas visuais do estado. Além disso, o evento contribuirá para ampliar o acesso à arte e à cultura em diferentes regiões, reforçando o papel das universidades públicas na promoção do bem comum.

Ao final do encontro, os participantes demonstraram entusiasmo com os próximos passos e reafirmaram o compromisso com o fortalecimento da arte mato-grossense.

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Menina Ilza

Show do Hermeto Pascoal no Sesc Vila Mariana, onde recebi esse impresso.

a)

Agora eu sei
Que você voltou
Porque foi ele
Quem lhe convocou

Agora eu sei
Que você voltou
Porque foi Deus
Quem lhe convocou.

O meu coração
Vibra emoção
Cheio de saudade
Fiz esta canção

Não vou sorrir
E nem vou chorar
Eu sei que agora
É que vou te amar

E pensando em ti
Que o som vai rolar
Com panela e tudo
Pra você quebrar.

b)

Menina Ilza
Foi passear
E com certeza
Ela vai voltar.

Quando ele chama
Não tem jeito não
Nem a fé segura
A sua razão. (volta ao a …)

Menina Ilza
Foi passear
E com certeza
Ela vai voltar.

Hermeto Pascoal era carinhosamente conhecido pelo apelido de “Bruxo” ou “Bruxo dos Sons”. Ele morava há muitos anos em Bangu, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde recebia frequentemente outros músicos em sua casa. Inclusive, uma areninha cultural na região foi batizada em sua homenagem: a Areninha Cultural Hermeto Pascoal.

Hermeto Pascoal (Lagoa da Canoa, Alagoas – 22 de junho de 1936) é um compositor, arranjador e multi-instrumentista brasileiro. Fui em 09/04/1998 ao Sesc Vila Mariana ver o show do Hermeto, onde recebi impresso essa canção acima, e fiquei bastante bem impressionado. Achei que o show do Hermeto foi massa. Tocou quase duas horas e meia o melhor do seu jazz e de suas experimentações musicais

Mambo da Cantareira

Só vendo como é que dói
Só mesmo vendo como é que dói
Trabalhar em Madureira
Viajar na Cantareira
E morar em Niterói
Eh, Cantareira
Eh, Cantareira
Eh, Cantareira
Vou aprender a nadar
Eh, Cantareira
Eh, Cantareira
Eh, Cantareira

Eu não quero me afogar.

Jards Macalé – Jards Anet da Silva, conhecido como Macalé, é um ator, cantor e compositor brasileiro

Tenho frescas memórias de grandes apresentações de Macalé que vi por aí (Clique na foto):

Morre Jards Macalé, artista transgressor que marcou a MPB, aos 82 anos. Gênio!

Jards Anet da Silva (Rio de Janeiro, 3 de março de 1943 – 17 de novembro de 2025)

Figura dolorosa

Nitrem centauros no palor da boscagem boreal…

De onde os gritos lancinantes das ninfas que fogem?

O fogo em crescentes línguas do inferno célere consome o bosque,
O bosque e as ninfas em chamas, o bosque de onde elas gritam, e

Águias crocitam, irosas, os peitos estourando de força e raiva,
as patas em seus séculos de músculos hipertrofiados, a ira das
rapinantes, com garras a cuspir veneno, e, empunhadas por elas
cimitarras as mais terríveis que poderia um armeiro huno forjar,
entregues às delícias do banquete dos lobos…

e estes aguardam, vorazes, os caninos quentes como lava.

Ninfas correm do útero do bosque às suas extremidades,
e os lobos, as presas de prata cintilando terrivelmente, nelas
bebem o vinho o mais viscoso da vida…

as ninfas e o bosque em chamas, o bosque urbano em chamas

as águias em seu ódio aos humanos, garras vermelhas de guerra
a guerra, a festa das aquilinas rapinantes, contra os humanos e,

mas as ninfas correndo, as águias em seu flanar mesmo encouraçadas
mas as ninfas morrendo, desmembradas quase todas pelos lobos, os lobos

e as águias na disputa com os lobos

garras vermelhas em combate contra presas de prata

as águias em sua festa, orgasmos enquanto espadas quebram ossos,
as águias deliciando-se, fêmeas em seu vigor ejaculando, rasgando

águias rasgando lobos que outrora rasgaram ninfas
ninfas nas mandíbulas dos lobos e os lobos dilacerados nas garras das águias

esta esfera de águias, corvos, lobos e ninfas nada mais do que um imenso entrelaço de rapina

Léo – Foi estagiário no Dieese no final dos anos 90 e me entregou impresso esse seu poema

O sol nas noites e o luar nos dias

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natália Correia (Fajã de Baixo, Ponta Delgada, Portugal, 13 de setembro de 1923 — Lisboa, Portugal, 16 de março de 1993). In “Poesia completa – Natália Correia”. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1999