
Este livro narra as peripécias do temível bandido Cabeleira, famoso pelas atrocidades cometidas em Pernambuco no século XVIII. Publicado em 1876, este é o romance que deu inicio à prosa de caráter regionalista em nossa literatura.
Ele narra as desventuras de um jovem e de uma moça que o destino separou e, ao longo da vida, uniu, depois de muito sofrimento. A personagem central, José Gomes, tinha o apelido de Cabeleira, em função de seus longos cabelos. A moça chamava-se Luísa, e José Gomes carinhosamente a chamava de Luisinha.
O Cabeleira tinha seu destino dividido entre a maldade do pai, Joaquim, e a bondade da mãe, Joana. Desde pequeno, o pai ensinava-lhe o mal e a mãe, o bem, criando confusão na cabeça da criança, que queria deixar felizes os dois. Ainda criança, o pai separou-o da mãe, levando-o para longe, e transmitiu para o menino sua maldade.
Ainda criança, conheceu Luísa, órfã, criada por Dona Florinda, que soube dar-lhe todo o amor e o fez conhecer o caminho do bem. Luísa e José Gomes (o Cabeleira) fizeram um trato: quando ele voltasse, levá-la-ia consigo para ser sua esposa. Anos se passaram e aquilo que seu pai queria acabou acontecendo: ele virou um monstro no crime.
Anos mais tarde, o destino colocou Luísa a sua frente. Ela, que o temia, mas o amava, defrontou-se com sua fúria. José Gomes reconheceu-a e lembrou-se de sua promessa. Após uma série de incidentes, entre os quais um envolvendo o pai que quis possuir Luísa e acabou brigando com o filho, o casal fugiu da Justiça, que procurava os criminosos para prendê-los.
Luísa morreu antes de o Cabeleira ser preso. Ele foi capturado e levado à forca. No momento de ser enforcado, José Gomes teve a última oportunidade de rever a boa mãe. Para ela, ele disse as últimas palavras: “Adeus, mamãezinha do meu coração!”. E foi enforcado…
Franklin Távora (Baturité, Ceará, 13 de janeiro de 1842 — Rio de Janeiro, 18 de agosto de 1888)
Dados biográficos de Franklin Távora
1842
João Franklin da Silveira Távora nasce em Baturité, Ceará, a 13 de janeiro.
Filho de Camilo Henrique da Silveira Távora e Maria de Santana da Silveira.
1859
Matricula-se na Faculdade de Direito do Recife.
1861
Publica os contos de A Trindade Maldita, seu primeiro livro.
1863
Bacharela-se em Direito pela Faculdade de Recife.
1868
Elege-se deputado provincial em Pernambuco.
1870
Criticando severamente José de Alencar (principalmente os romances Iracema e O Gaúcho) com as Cartas de Semprônio a Cincinato, passa a promover uma campanha em prol do regionalismo, identificado com a “literatura do Norte”.
1872
Funda e dirige a Verdade, um semanário de Recife.
1873
Ocupa o cargo de secretário da província do Pará.
1874
Transfere-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como funcionário da secretaria do Império.
1876
Publica O Cabeleira, romance inspirado numa passagem das Memórias da Província de Pernambuco.
1878
Publica O Matuto, com a rubrica de crônica pernambucana, romanceando episódios da Guerra dos Mascates.
1879
Dirige com Nicolau Midosi, até 1881, a Revista Brasileira, onde são publicados alguns de seus romances.
1881
Publica Lourenço, romance também inspirado na Guerra dos Mascates.
1888
Falece no Rio de Janeiro, a 18 de agosto.
É o patrono da cadeira número 14 da Academia Brasileira de Letras.
Obra
Romance
Os Índios de Jaguaribe (1852), A Casa de Palha (1866), Um Casamento no Arrabalde (1869), O Cabeleira (1876), O Matuto (1878), Sacrifício (1879) e Lourenço (1881).
Conto
A Trindade Maldita (1871) e Lendas e Tradições Populares do Norte (1878).
Teatro
Um Mistério de Família (Drama) (1861) e Três Lágrimas (Drama) (1870).
Crítica
Carta de Semprônio a Cincinato (1870).
Comenta a professora de pós-graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada da USP Aurora F. Bernardini em seu texto “Franklin Távora, na planície das mediocridades”: “Nada mais oportuno que o livro “Franklin Távora e o seu Tempo”, do cearense e bacharel em Direito pela Universidade do Recife Cláudio Aguiar [Ateliê Editorial, 380 págs.], para lembrar condignamente a vida e a obra do cearense e bacharel em Direito pela Universidade do Recife João Franklin da Silveira Távora, agora que se completam 110 anos de sua morte [em 1998]. Ensaísta, jornalista e romancista como Franklin Távora, o autor soube escrever uma biografia densa e cativante, que é, ao mesmo mesmo tempo, um painel de Recife e do Rio de Janeiro da segunda metade do século 19, época em que viveram figuras das mais conhecidas de nossas letras: José de Alencar, Machado de Assis, Castro Alves, Joaquim Manuel de Macedo, Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Tobias Barreto, Sílvio Romero, José Veríssimo, etc., e que foi marcada por mudanças de mentalidade e de estrutura: do romantismo ao realismo, do espiritualismo ao positivismo, da escravatura à abolição, da monarquia à república.”
Escrito em 5 de junho de 2000 em parceria com Luiza Maria da Silva Matosinho.