Letras que flutuam

O “Instituto Letras que Flutuam” é uma associação sem fins lucrativos fundada a partir de 15 anos de pesquisas e ações em parceria com os abridores de letras de barcos da Amazônia. Sua trajetória é feita de encontros com mestres que, com tinta, traços e ancestralidade, colorem os rios da Amazônia.

Com eles foram desenvolvidos projetos de mapeamento, oficinas de formação, exposições, geração de renda, capacitação para o mercado e dois documentários que registram esse saber em movimento.

Trabalham para que a letra decorativa amazônica seja reconhecida como patrimônio cultural imaterial, não apenas pelo valor estético, mas pelo que ela representa: um modo de existir, um ofício tradicional, um fazer ancestral profundamente ligado ao território.

De 2008 a 2022, realizaram oficinas, residências, exposições, ciclos de escuta e ações de valorização em Belém, na Ilha do Combu, no Marajó e em outras regiões ribeirinhas. O projeto cresceu e virou Instituto em 2024, mantendo seu compromisso com os mestres abridores e ampliando suas frentes de atuação. Desde 2023, desenvolveram uma linha de produtos em parceria com os abridores de letras, integrando os saberes desses mestres com outras tradições amazônicas, como o artesanato de Miriti. O objetivo é claro: fortalecer redes, ampliar renda e manter os mestres em seus territórios.

A Amazônia, rica em tradições fluviais, é marcada por milhares de embarcações adornadas com caligrafias coloridas criadas por artistas conhecidos como abridores de letras. Para fortalecer e preservar esses saberes populares, nasceu este instituto, o primeiro dedicado à cultura ribeirinha no Brasil.

A imprensa noticiou que “Região das águas, a Amazônia tem forte tradição fluvial. Milhares de embarcações cortam rios, igarapés e furos floresta adentro. Cada uma delas é marcada por belas e singulares caligrafias coloridas, criadas pelos abridores de letras. Imbuído do propósito de fortalecer os saberes desses artistas populares, nasce o “Instituto Letras que Flutuam” – um marco histórico por ser o primeiro instituto voltado à cultura ribeirinha no Brasil.” E que “A tradição, que surge na região por volta de 1930 e se estabelece em 1960 com a obrigatoriedade de identificação dos barcos, diz respeito a todo um universo que se capilariza por rios, furos e igarapés.”

E no dizer de Fernanda Martins, diretora geral e pesquisadora de lá: “O homem amazônico que vive na beira, vive um mundo que a natureza impõe o verde, marrom e azul, e para se sobrepor a este regime, ao fazer cultura ele traz o colorido, o caqueado, seja nas suas casas, que têm paredes multicoloridas, seja nas roupas e nos barcos”. E também que “A difusão desse vocabulário imagético ribeirinho o fez reconhecido em todo o Brasil. Isso se comprova pela enorme quantidade de produtos que estão utilizando as letras decorativas da Amazônia, sem contar produtos publicitários e marcas de empresas.” Porém, alerta Fernanda, “isso não se refletiu na ampliação do mercado de trabalho aos abridores de letras, que são, originalmente, os autores dessa obra singular, mas permanecem invisíveis.” E acrescenta que “Vemos com frequência designers e publicitários copiando o trabalho destes artistas, então o debate sobre direitos autorais é fundamental. Esta é a grande urgência do “Instituto Letras que Flutuam”: torna-se necessário não apenas divulgar este saber, como anteriormente foi feito, mas buscar novas formas de reconhecimento e geração de renda para os verdadeiros detentores do saber de abrir letras em barcos na Amazônia”.

Belém – PA
Tv. Rui Barbosa 257 – Sala 3 – Reduto, Belém – PA

Contatos:
www.facebook.com/letrasqueflutuam
www.instagram.com/letrasqflutuam
www.youtube.com/@letrasqflutuam
https://letrasqflutuam.org.br/
WhatsApp / Fernanda Martins: (16) 9 9311-2323

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 62 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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