Hermeto, cuja habilidade extraordinária de extrair música e melodias de qualquer fonte sonora, incluindo objetos do cotidiano (como chaleiras, panelas e brinquedos) e elementos da natureza, não morreu! Continua aí enchendo nossos ouvidos de bom som. Curto muito sua música “Gaio da roseira”, e não canso de ouvi-la. Interpretada por Hermeto Pascoal, é uma obra de raiz nordestina baseada em memórias de infância do artista. A faixa original possui mais de 14 minutos e conta com improvisações vocais em vez de uma letra convencional estruturada.
A gravação original foi feita em 1973 pela gravadora Universal Music (com edições também em LP e CD ao longo dos anos) no álbum “A música livre de Hermeto Paschoal” e foi composta pelo pai de Hermeto de nome Pascoal José da Costa e por Divina Eulália Oliveira. “O gaio da roseira’ teve performances musicais de Nivaldo Ornelas, Nenê, Cacau e Flora Purim e Airto Moreira gravou em 1971 “O galho da roseira (“The branches of the rose tree) no exterior no álbum “The natural sounds of Airto”, com enorme sucesso. Em 1999 foi lançado também no disco “Visão original do forró”, onde estão musicados alguns dos seus versos no repertório de 17 músicas. Entre seus maiores êxitos estão “Gaio da roseira”; “Bebê”, “Porco na festa” e “Carinhoso” (de Pixinguinha).
Viva Hermeto!
Hermeto Pascoal (Lagoa da Canoa, Alagoas – 22 de junho de 1936 – Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2025) faleceu com 89 anos e foi um importante compositor, arranjador e multi-instrumentista brasileiro, carinhosamente conhecido pelo apelido de “Bruxo” ou “Bruxo dos Sons”. Fez muito mais sucesso no exterior pois o brasileiro, como sempre, não valoriza o seu próprio suco criativo e germinal. Ele morava há muitos anos em Bangu, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde recebia frequentemente outros músicos em sua casa. Inclusive, uma areninha cultural na região foi batizada em sua homenagem: a Areninha Cultural Hermeto Pascoal
Desenho de Laércio Moraes (Lalá)