Oscar D’Ambrosio (@oscardambrosioinsta) sugeriu estar enviando uma frase, uma imagem, com a fichinha técnica e com o nome do pensador citado, para conversar com a frase original dele, e eu topei…:
Escritor, curador, crítico de arte, pós-doc em educação, arte e história da cultura, e jornalista (www.oscardambrosio.com.br)
Imagem 1
Pessoas e bichos, 1980
Eduardo Matosinho
Lápis grafite em papel de caderno pautado
15 x 20 cm
“…mire, veja: o mais importante e bonito do mundo é isto;
que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram
terminadas, mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.”
João Guimarães Rosa (Cordisburgo, Minas Gerais , 27 de junho de 1908 – Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967). “Grande sertão: Veredas”
In “Pessoas” (https://ematosinho.com.br/?p=5867)
O ser humano é múltiplo em suas possibilidades de existir. Em sua caminhada, se relaciona com os animais ditos irracionais por aproximações e distanciamentos, mas, muitas vezes, esquece que ele mesmo integra a natureza e precisa, de alguma maneira, ajudar a preservá-la.
Oscar D’Ambrosio
https://www.instagram.com/p/Daz1RZhJXN5/
Imagem 2
Tarcila, 1998
Eduardo Matosinho
Guache Caran d’Ache sobre papel
25 x 40 cm
“O poeta come amendoim
A Carlos Drummond de Andrade
(…)
Brasil…
Mastigado na gostosura quente do amendoim…
Falado numa língua curumim
De palavras incertas num remelexo melado melancólico…
Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons…
Molham meus beiços que dão beijos alastrados
E depois remurmuram sem malícia as rezas bem nascidas…
Brasil amado não porque seja minha pátria,
Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus der…
Brasil que eu amo porque é o ritmo do meu braço aventuroso,
O gosto dos meus descansos,
O balanço das minhas cantigas amores e danças.
Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada,
Porque é o meu sentimento pachorrento,
Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir.”
1924
Mário de Andrade (São Paulo, 9 de outubro de 1893 — São Paulo, 25 de fevereiro de 1945). “Clã do jabuti”, Literatura comentada, Nova Cultural, 1988. In “O poeta come amendoim” (https://ematosinho.com.br/?p=3495)
Uma imagem nunca é literal. Ela busca, de sua maneira, algum tipo de essência. Trata-se de uma maneira de olhar que reverbera na percepção do outro. As formas, as cores e a composição realizadas pelo criador visual são as ferramentas para que aquilo que se pensa se transforme no que se vê e no que se interpreta.
Oscar D’Ambrosio
https://www.instagram.com/p/DcGenRdp_Qp/
Imagem 3
Caca caramba, 16 de maio de 1999
Eduardo Matosinho
Tinta acrílica sobre papel
21 x 29 cm
“Naturezas mortas
Verde
O trote sonoro dos artilheiros passa sobre a geometria
Despojo-me
Em breve eu seria apenas de aço
Sem o esquadro da luz
Amarelo
Clarim de modernidade
O classificador americano
É tão seco e
Fresco
Quanto verdes os campos primaveris
Normandia
E a mesa do arquiteto
É assim rigorosamente bonita
Preto
Com um vidro de nanquim
E umas camisas azuis
Azul
Vermelho
Depois há também um litro, um litro de sensualidade
E esta grande novidade
Branco
Folhas de papel branco”
Blaise Cendrars, pseudônimo de Frédéric Louis Sauser (La Chaux-de-Fonds, Suíça, 1 de setembro de 1887 — Paris, França, 21 de janeiro de 1961). A critica e curadora de arte Aracy Amaral (São Paulo, 22 de fevereiro de 1930) chama a atenção para o fato de Blaise Cendrars ser conhecido e estudado pelos modernistas já antes da Semana de Arte Moderna de 22, tendo Influenciado Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Luiz Aranha e, em particular, Oswald de Andrade, além de de ser fundamental na definição da pintura de Tarsila do Amaral (https://ematosinho.com.br/?p=11061)
Pertencente à coleção de Carlos Alberto Mendes da Galeria Buenos Ayres, casa de leilões e comércio de obras de arte, localizada em Alphaville, Barueri – SP
(https://ematosinho.com.br/?p=8178)
Manchas são formas de falar do mundo. Transmitem um dizer que se dá muito menos pela racionalidade do planejamento e muito mais pela expressividade do fazer. O gesto se torna uma maneira de apresentar uma visualidade que traz uma percepção de existir e de interpretar o que isso significa.
Oscar D’Ambrosio
https://www.instagram.com/p/DdTnm5kJE77/
E triste saber pela manhã da partida de Aracy Amaral (São Paulo, 22 de fevereiro de 1930 – 15 de setembro de 2026), citada em meu texto sobre Blaise Cendrars e postada ontem pelo Itaú Cultural (“Aos 96 anos, morre a curadora e crítica de arte Aracy Amaral / Pesquisadora e gestora que foi homenageada pelo programa Ocupação Itaú Cultural em 2017”)…