Breve história do Morro Doce, Jardim Britânia, Jardim Canaã e Pico do Jaraguá

Essa região que abrange o Morro Doce, o Jardim Britânia e o Jardim Canaã, localizados no distrito de Anhanguera (Zona Noroeste de São Paulo) e colados ao icônico Pico do Jaraguá, remonta aos primórdios da colonização do Brasil. A evolução dessas localidades mistura a febre do ouro colonial, grandes fazendas, agricultura e uma intensa história de luta comunitária por urbanização.

  1. Morro Doce

Considerado o bairro mais tradicional do distrito de Anhanguera, o Morro Doce teve sua certidão de nascimento oficial fixada em 1580 por conta da atividade mineradora colonial. No final do século XVI, o bandeirante Afonso Sardinha começou a explorar ouro na região. Vestígios dessa época, conhecidos como as Cavas de Ouro do Morro Doce, são patrimônios tombados que guardam o formato original de extração mineral daquela era. A origem do nome remonta ao século XX, qunado a região passou a ser ocupada por extensas plantações de cana-de-açúcar. O nome “Morro Doce” surgiu porque os antigos habitantes utilizavam essa cana para produzir cachaça em alambiques locais. O loteamento urbano começou a ganhar força a partir das décadas de 1940 e 1950, impulsionado pela inauguração da Rodovia Anhanguera. Inicialmente sem infraestrutura básica, o bairro foi construído pela união de seus moradores. Um dos episódios mais emblemáticos de sua história foi o “sequestro do ônibus” na década de 1970/1980, quando um grupo de moradoras reteve coletivos para exigir que as linhas de transporte público entrassem e atendessem adequadamente o interior do bairro.

  1. Jardim Britânia

O Jardim Britânia é um bairro vizinho, menor e estrategicamente posicionado às margens da Rodovia Anhanguera. Assim como o Morro Doce, o território do Jardim Britânia também abriga importantes registros arqueológicos da mineração colonial, abrigando a chamada Cava II de exploração de ouro a céu aberto, que já recebia a atenção de figuras históricas como José Bonifácio no século XIX. O bairro deixou o aspecto rural no final do século XX. Ele expandiu-se com pequenos comércios e tornou-se um ponto de conexão fundamental na região noroeste graças à inauguração do Terminal Jardim Britânia, que distribui as linhas de ônibus e vans que interligam os bairros do entorno e dão acesso ao centro de São Paulo.

  1. Jardim Canaã e o Pico do Jaraguá

O Jardim Canaã nasceu diretamente ligado ao crescimento demográfico do Morro Doce e às encostas do maciço do Jaraguá. Lá houve movomentos ligados à Associação dos Trabalhadores Sem Terra e o surgimento do bairro ocorreu a partir de loteamentos sucessivos divididos historicamente em quatro etapas (Canaã I, II, III e IV), ocupando áreas próximas ao Parque Anhanguera e subindo em direção ao Pico. O “Monte de Oração”: O Jardim Canaã e as áreas altas do Morro Doce ganharam forte notoriedade religiosa. O topo do morro que corta o bairro tornou-se conhecido por fiéis como Morro do Jesus ou Monte de Oração, sendo um ponto tradicional de peregrinação espiritual e vigílias católicas e evangélicas. Sua relação com o Pico do Jaraguá ocorre, pois, geograficamente, o Canaã e o Morro Doce encontram as dobras do Pico do Jaraguá (o ponto mais alto de São Paulo, com 1.135 metros). Toda essa região vive um dilema histórico constante: enquanto a população expande as moradias pelas encostas, o território faz fronteira direta com a preservação da Mata Atlântica e com as terras indígenas da comunidade Guarani (como a Tekoa Pyau e Itakupe), que resistem há séculos na base do Pico sagrado.

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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