Visões de hoje do outrora

Na tenra juventude interiorana
Colecionei de cigarros a moedas
O jabuti que tive eu pintei o casco
No rio aperfeiçoei meu nado
Aprendido na piscina azul do clube

Diacuí e que guarda a memória de 32

Dessa Ourinhos dos anos 70
Guardo pouca coisa: um desenho
Um guache que resiste trazendo a cor
Desse passado que marcou
Esse Eduardo de verde escuro

De marrom de terra, mato, coqueiro

Passei de ano a ano em busca da escola
Da vida em que me procuro ainda hoje
Saltei da Rua São Paulo para a cidade
Homônima e para a origem não volto mais
A não ser nos sonhos que se repetem

E que trazem visões de minha outra casa

E que não me deixam esquecer os tempos
Em que colecionei, pintei e nadei
E que andei de bicicleta e saltei na areia
Da obra do pontilhão que perfurou
A minha rua rumo ao desconhecido

Obs.: Poesia publicada em 2008 no blog “Memórias Ourinhenses”

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Marina Rheingantz: Todo mar tem um rio

Marina Rheingantz (Araraquara, 1983) vive e trabalha em São Paulo. Ela também está atualmente em cartaz até 15 de junho na Carpintaria, Rio de Janeiro, com a exposição “Rebote”, que promove o diálogo entre suas pinturas e as fotografias de Mauro Restiffe. Outras individuais recentes incluem: “Várzea”, Bortolami Gallery (Nova York, 2018); “Galope”, Zeno X Gallery (Antuérpia, 2017); “Terra Líquida”, Galeria Fortes Vilaça (São Paulo, 2016); “Dot Line Line Dot”, Nichido Contemporary Art (Tóquio, 2016). Entre as mostras coletivas, destacam-se: “On Landscapes” – Biennial of Painting, Museum Dhondt-Dhaenens (Deurle, Bélgica, 2018); “Mínimo, múltiplo, comum”, Estação Pinacoteca (São Paulo, 2018); “Projeto Piauí”, Pivô (São Paulo, 2016); “Soft Power”, Kunsthal KAdE (Amersfoort, Holanda, 2016); “Prêmio PIPA”, MAM Rio (Rio de Janeiro, 2015). Seu trabalho está presente em importantes coleções como: Museu Serralves (Porto), Taguchi Art Collection (Tóquio), Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM Rio (Rio de Janeiro), Itaú Cultural (São Paulo), entre outras.

“Todo mar tem um rio”, a mais nova exposição de Marina Rheingantz no Galpão da Fortes D’Aloia & Gabriel, reúne quatro pinturas de grande formato, reintroduzindo o trabalho da artista sob uma escala monumental. Cada uma das telas possui 3 metros de altura, com larguras que variam entre 3 e 5,5 metros, e juntas formam uma faixa quase contínua que preenche o amplo espaço na Barra Funda.

Serviço:
Todo mar tem um rio
1 Jun – 20 Jul 2019
Abertura
1 Jun, 15h–18h
Galeria Fortes D’Aloia & Gabriel – Galpão
Rua James Holland, 71 – Barra Funda
São Paulo – SP

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Contato:
www.instagram.com/mrheingantz

Imagem perdida de mulher

Cadê meu amor? Amarelo.
Distrito de número par
De meu coração
Regrado, desregrado.
Um amor, de repente! Uno
Como um cálculo, de conta,
De pedra, empedrado no peito.
Azulejado, lapidado, riscado
Ou desenhado de sangue.
Cadê? Bateu asas, voou.
Foi-se. E o que ficou?
Sua cor colorida, seu cheiro.
Gosto seu, como almíscar.
Movimento, jeito de corpo.
Gesto de mulher com a flor.
Cor, cheiro, magnólia.
Carmim, sua boca; ondulado,
Seu cabelo: longo, cobrindo
Em suas costas o arquipélago
De sardas marrons e pretas.
Seus seios redondos como pêras,
Seu ventre maduro como fruta.
Tudo isso eu vi, mas cadê?
Foi-se como a brisa da manhã.
Perdeu-se como um barco no mar.
Ou como no dizer do navegante:
_ Me deixou a ver navios.
Todo mundo dorme, mas só eu
Sonho com você, na tardinha
Do sítio, onde repouso do trabalho
Que foi te construir nesses versos.

Torto poema sem nome e sem cor

Não escrevi nem vinte poemas de amor,
Nem uma canção desesperada,
Quanto menos uma letra de música

Não tive nem a coragem, nem o brilho de Neruda
Nem o encanto de compositores como Noel, Cartola
E os da vanguarda da Música Popular Brasileira

Sambei, mas não compus nenhum samba
Simplesmente batuquei no teclado algumas cartas
Poucas enviadas – e que falavam de amor

Minha musa se perdeu com o tempo
E o poema de amor que pretendera escrever um dia
O mar levou em ondas de uma maré que já baixou

Quanto à canção desesperada fiquei devendo
Repeti a ciência ensinada no colégio numa prosa fraca
E esta se perdeu na gaveta de algum professor

O que escrevo agora é um lamento, um choro,
Pois a fraqueza da vida me pegou e minha herança
Será apenas esse torto poema sem nome e sem cor

Eliana Engler: Carvalho alvarinho e Bosque

“Eliana Engler é uma artista brasileira que hoje mora em Cascais, motivada pela beleza, harmonia e equilíbrio.

Criativa e curiosa, com apurado senso estético e grande necessidade de expressão, transitou por diversas possibilidades artísticas como fotografia, design de produtos, design e modelagem de joias, desenho e assim, se misturando, transformando, fluíram para um novo caminho: a pintura.

Em suas obras vislumbramos múltiplas referências à natureza em fortes elementos, em especial às árvores. As copas, sempre pintadas com cores densas, ou as raízes debaixo da terra, nos envolvem em um silêncio, um equilíbrio de reconexão com as belezas simples e gratuitas da vida. Silenciamos com os horizontes e fortalecemos nossas raízes.

O mar também desliza de sua paleta e os retratos deixam impressos a riqueza e profundidade de sua percepção humana. A intensidade das cores em paralelo à graciosidade de suas pinceladas trazem à tona uma grande sensibilidade, revelando intuitivamente a alma da artista, sua natureza, seus mistérios.”

Bruna Pellegrino

Contatos:
www.facebook.com/eliana_engler-448037426031495
www.instagram.com/eliana_engler_artist
contato@elianaengler.com
www.elianaengler.com

Desejo de passagem – Segunda versão

Vi uma pomba
Na praça
Buscando
comer
Entre tantos havia
Uma menina suja
Em sua calcinha via-se
Uma roda marrom
Seus braços
Moviam-se numa
Rapidez espetacular

Eu andava por lá
Pensando em somente uma
Coisa: passar
Queria simplesmente
Olhar as coisas de lá
Via velhinhos cansados e babás
Fofocando sobre a vida alheia
Pensava em passar e passava
Alegre como quem não queria
Nada com a vida…