A superfície está em
branco.
Eu também.
Se com um gesto eu a toco,
sou tocado.
Aí é quando tem início o
gesto
e eu sou a única testemunha
que jamais poderá mentir.
Amilcar de Castro (Paraisópolis, Minas Gerais,1920 – Belo Horizonte, Minas Gerais, 2002) foi escultor, gravador, desenhista, diagramador, cenógrafo, professor. A poesia como dobra do pensamento: o gesto que vira palavra. Além de atuae como artista plástico ele também escrevia poemas. Suas palavras, assim como suas formas, nascem do essencial, do corte, do espaço e do silêncio. Em seus poemas Amilcar revela esse mesmo impulso de síntese e clareza que move toda a sua obra: Cada verso é uma escultura invisível: o espaço da página se torna matéria, e o gesto, linguagem. A poesia, em Amilcar, é mais uma forma de construir o mundo com precisão e silêncio