Poema

difícil o parto
das palavras
neste momento em que falo
à ilha
(a minha mãe?
a minha filha?)
dizer-lhe o mar
o mato
o cinto que sinto
do aperto da espuma
a dor
o pudor da gente
que mente a distância
confunde a bruma
– quixote sem lança

Vasco Pereira da Costa (Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, 1948). In “Poetas dos Açores de Ruy Galvão de Carvalho”

Ana: Passeio na praia, Mulher artista e Ana coração

Ana
Artista
“Comecei na teoria e me encontrei na prática ✨”
📍 Rio de Janeiro

“Me chamo Ana, sou historiadora da arte pela EBA/ UFRJ. Tenho 27 anos, nasci e cresci no Rio. Comecei a produzir em 2018 pinturas, xilogravuras, cerâmicas e bordados. Gosto de deixar fluir e produzir sobre minhas experiências. Mas não me limito a isso, sempre busco me aventurar em novos temas, suportes e formas de arte. Durante a quarentena, por exemplo, comecei a lidar com arte digital. Bom, Ana é arte. E minha arte é para o mundo. Meu objetivo é fazer minha arte voar e que ela saia dessa caixa imaculada e elitizada. Pra mim, arte deve ser acessível e compreensível. No momento estou cursando Design Gráfico na UVA e tenho feito também muitas artes digitais voltadas para produtos de papelaria como adesivos, bloquinhos e ímãs, tem sido uma grata aventura!“

Contatos:
www.instagram.com/anarstriz
anarstriz@gmail.com
https://lnk.bio/anarstriz

Obrigado

Obrigado por ser a pedra na qual às vezes tropeço.

Para aprender que após a queda é necessário se levantar.

Obrigado por ser o espinho que às vezes me fere para mostrar-me que na vida nem tudo são flores.

Obrigado por ser o amigo que sorri comigo quando estou feliz e nas brincadeiras divide comigo momentos de alegria.

Obrigado por ser esse alguém que na hora das minhas dúvidas, percebe minha tristeza e me recebe de braços abertos.

Obrigado por ser meu exemplo, meu herói e por implantar teu caráter em mim.

Obrigado por ser essa parte de mim que me faz sentir que estais presente aqui, obrigado por ser meu pai.

Costa Paula (Várzea Grande, Rio de Janeiro, 23 de fevereiro de 1957). Poema escrito para seu pai, Abílio Antunes da Costa, e me enviado por WhatsApp pelo autor por ocasião do Dia dos Pais de 2025

Fogo sobre fogo

O meu mamilo
no teu
mamilo

Só tu
sabes sorrir
na vertical

Gotas de orvalho
ligeiramente tingidas
de batom

Nem todos os frutos vermelhos
merecem o céu
da tua boca

Mais do que uma vez
atravessei a primavera
com os olhos fechados

A borboleta que poisou
no teu mamilo perdeu
vontade de voar

Vou ao céu
e venho-
-me

Não posso
amar
mais claro

Escrevo
com os dedos ainda longos
da carícia

Ainda agora em ti entrei
e já em todos os teus poros
me achei

Não é a rosas nem a violetas
nem a jasmim o cheiro
que me põe fora de mim

Qual é a minha
ou a tua
língua?

Não conheço outra
linguagem que não seja
a do orvalho

Na espessura do bosque
o que a minha mão procurava
era um mirtilo

Basta-me
o teu umbigo de vinho
para ficar bêbedo

Este fogo
que só com fogo
se pode apagar

Jorge Sousa Braga (Cervães, Portugal, 23 de dezembro de 1957)