[Falando do] artista plástico bragantino Valdir Sarubbi e as fases artisticas de um amazônida, a partir das memórias afetivas e culturais. Para isso, explorar-se-á os dados de suas produções, lembranças do artista no período em que ele ainda vivia em Bragança e em Belém. Para isso, foram utilizados os depoimentos do próprio artista que aparecem no livro de Bitar (2002); e, a carta escrita pelo artista a seus primos após a morte de sua tia Sabazinha.
Faces de Sarubbi: entre o homem, a arte e a crítica Valdir Evandro Sarubbi de Medeiros, desenhista, ator, roteirista e diretor de teatro, pintor, gravador, artista plástico e arte-educador, além de advogado, foi um artista de projeção nacional e internacional nas artes visuais do Brasil. Bitar (2002, p. 15) o identifica como uma pessoa “doce, simples e cativante, de fala mansa e tranquila, intuitivamente didático e que sabia ouvir como poucos; que a imagem do artista incansável, pesquisador incessante era quase incompatível com uma saúde frágil que não se deixava vencer”; e ela ainda acrescenta, “como um homem extremamente erudito”.
No prefácio do livro de Bitar, o filósofo Benedito Nunes corrobora com essa visão: “Sarubbi é íntegro porque acrescenta à atividade artística a que se entregou às dimensões do escritor, do leitor, do ouvinte de música e do pensador que dele são inseparáveis” (Bitar, 2002, p. 9). Aqueles que acompanharam de perto sua trajetória na arte podem testemunhar que ele nunca se interessou pelos “modismos” ou “pelas solicitações da mídia ou mercado”, ele foi “fiel a seus princípios” e aos valores que julgava corretos (BITAR, 2002, p. 73) Sarubbi buscava conhecer-se e transformou a arte em um instrumento de autoconhecimento, uma maneira de conviver com suas memórias pessoais e suas saudades: “Tudo o que fiz, nesses quase trinta anos de carreira, veio de minha memória sensível” (Bitar, 2002, p. 73). O artista levou sua vida para a arte, além de memórias pessoais e culturais, incluiu valores transparentes em sua postura. No site Art-Bonobo, onde está hospedada sua página oficial, há um texto do crítico Olívio Tavares de Araújo, que bem o define.
Valdir é um ser humano pacato, cuja simplicidade no convívio esconde uma rica vida intelectual diversificada e abrangente, com interesses que vão de Thomas Mann e Yukio Mishima à música de Mozart, que ele conhece como poucos. (Art-Bonobo, 2014). Ele não foi apenas talentoso e apaixonado por sua cidade natal, foi, principalmente, um grande ser humano, amado e respeitado por seus alunos. No site da Galeria Pontes, Renato Rezende, ex-aluno do Atelier Livre, fala sobre o professor e amigo: Acima de tudo, Sarubbi possuía uma profunda capacidade de amar: amava generosamente, com profundo respeito pela individualidade de cada aluno ou amigo, permitindo o florescimento de cada relacionamento com a mesma sensibilidade e esmero que percebemos em suas obras plásticas. (Galeria Pontes, 2014).
Sarrubbi manifestou o interesse pelas artes de um modo geral muito cedo. Desde criança, gostava de ler, diferente dos primos e irmãos que só queriam bola na rua como todos os outros meninos da sua idade. Valdir gostava de ouvir as conversas da tia Sabazinha sobre a família, os avós e a casa. Ele gostava de literatura e de disputar com a prima e escritora, Maria Lúcia Medeiros, quem lia “mais e maiores livros” que ele se deliciava se embalando na rede no horário da sesta.
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Francisco Smith – Professor da Universidade Federal do Pará desde 2005. doutor em ciências pelo PPGDSTU, mestre em letras pelo PPGL/ UFPA, especialista em História do Brasil pela PUC/MG, especialista em língua portuguesa pela UFPA. Graduado em Letras pela UFPA.
E-mail: fransmithj@gmail.com
Mariana Tereza Athayde Bordallo da Silva – Graduada em letras e artes, licenciada em Inglês pela UFPA, especializada em informática educativa pela UFRGS/ PROINFO/ UFPA/S EDUC), formada em sociologia e educação ambiental pela UEPA, professora ad-4 da SEDUC/ PA, atualmente, URE 01 Bragança/ PA e mestre em linguagens e saberes na Amazônia pela Universidade Federal do Pará.
E-mail: bordallo@globo.com
Referências:
Bitar, Rosana. Sarubbi. Belém, 2002.
Galeria Pontes. A força de uma ausência. Por Renato Rezende. Disponível em: http://www.galeriapontes.com.br/valdir_sarubbi.html
In: “Sarubbi: Faces e fases de um artista amazônida”. Revista da FUNDARTE. Montenegro, v.62, nº 62, p. 1-27, e1524, 2024. Disponível em https://seer.fundarte.rs.gov.br
A maioria desses trabalhos mostrados acima foram expostos na Galeria Pontes dentro da exposição individual e póstuma desse artista amazônico intitulada “Valdir Sarubbi – Desenhos, pinturas e relevos”, ocorrida de 30 de novembro de 2010 a 15 de janeiro de 2011 e com a curadoria de Alex Cerveny.
Nela a galeria uniu-se a um grupo de alunos e admiradores de Valdir Sarubbi para celebrar a produção deste sensível artista paraense que produziu e ensinou em São Paulo.
Valdir Sarubbi (Bragança, Pará, 10 de outubro de 1939 – São Paulo, 8 de novembro de 2000)
