Carijós, Canindés, Taperaguases,
Caboclo Tupy, Tapirapés,
Caboclinhos Tabajaras,
É ela a mulher, Senhora das Águas,
É ela a mulher, Ôô ô Iara…
Vem lá do Norte
O negro dos olhos
Cabelos e lábios de mulher
Deusa tão forte
Nas águas escuras
Caboclo se entrega aos seus pés
É guardiã
Dos rios, da mata,
Se enfeita com a flor do mururé
Ela é irmã
Do fogo que arde
No sangue da presa que lhe quer
Sirena chamou
Marujo sumiu
Sereia cantou
Iara levou
O tapuio pro rio
O canto que essa mulher detém
Toda floresta não será capaz
De suportar, de tanta magia,
Aracuã vadia, já não canta mais
Quando ela sai, leva mil reféns
No igarapé, sobressalta a paz,
Céu escurece e o vento esfria
Jassanã se avia, capiuara atrás
Iara é lenda que do povo vem
Mora na fé de todo rapaz
De se perder nessa febre estranha
Da pele castanha que a morena traz
Dalva Torres, conhecida como a “diva do choro” (Pernambuco, por volta de 1941 ou 1942) e João Araújo ou João Poeta (Recife, Pernambuco, 13 de março de 1975). Esta música é um caboclinho (gênero musical e folguedo carnavalesco de Pernambuco). Foi premiada em festivais de frevo e cultura carnavalesca de Recife (como o Recifrevo). Este gênero musical evoca a cultura indígena brasileira, o rufar dos taréis/ curimbas e o som característico da preaca (arco e flecha usados como instrumento percussivo). A letra faz referência direta a tribos e nações indígenas — como Carijós, Canindés, Taperaguases e Tabajaras — e mescla essa ancestralidade com a figura mitológica da Iara (a mãe-d’água, a deusa dos rios e igarapés da região norte/ amazônica que também habita o imaginário popular nordestino). A canção descreve a força mágica da natureza, os encantos das matas e das águas escuras dos rios