Study of two pears (Trecho)

Cópia de uma tela de Cézanne feita por Laércio Moraes (Lalá), artista amador que nasceu em 7 de setembro de 1963, está com 63 anos, cursou desenho artístico e publicitário na década de 80 e hoje reutiliza várias técnicas. Ele já participou em exposições no grande ABC e estudou na Fundação das Artes de São Caetano do Sul-SP em 2018.

(…)

V
The yellow glistens.
It glistens with various yellows,
Citrons, oranges and greens
Flowering over the skin.

VI
The shadows of the pears
Are blobs on the green cloth.
The pears are not seen
As the observer wills.

V
O amarelo brilha.
Brilha com vários amarelos,
Limões, laranjas e verdes
Florescendo sobre a pele.

VI
As sombras das peras
São manchas no pano verde.
As peras não se veem
Como o espectador quer.

Wallace Stevens (Reading, Pensilvânia, Estados Unidos, 2 de outubro de 1879 — Hartford, Connecticut, Estados Unidos, 2 de agosto de 1955). In “The palm at the end of the mind. Selected poems and a play”. New York: Vintage Books, 1990, p. 159. Tradução de Olga Guerizoli Kempinska

O pintor Paul Cézanne (Aix-en-Provence, Provença, França, 19 de janeiro de 1839 – 22 de outubro de 1906) inspira versos como esse que falam sobre sobre a cor, a forma, o tempo que não foge na tela, frutas pesadas na mesa, e paisagens esculpidas pela luz. Poetas, como o norte-americano Stevens, traduzem sua pintura paciente em imagens de silêncio e cor que inspiram este poema . E no dizer de Olga Guerizoli Kempinska, em sua tese intitulada “Mallarmé e Cézanne: obras em crise”: “Mas será que é possível dizer as cores? Como dizer as cores de Cézanne, seus amarelos, verdes, azuis, pretos e vermelhos, que se modulam mutuamente em amplas gamas? Esses poucos nomes: amarelo, vermelho, azul (ou ainda o verde, branco, preto?), que apontam idealmente para as cores “puras”, “primeiras” ou “simples”, são por nós usados de maneira tateante e não correspondem à experiência das vibrações mistas e fugazes. Tal como no poema de Stevens, quando a palavra “amarelo” não basta para dar conta da multiplicidade e da complexidade compósita das cores das peras que atingem o olho do espectador, assim nós também procuramos sempre por outros nomes, por “limões” e “laranjas”, apelando para lembranças de objetos de nossas percepções.”

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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