As diferenças entre os ritmos coco, embolada e repente, e conhecendo um pouco mais do cordel

A principal diferença entre eles está nos instrumentos, na velocidade e nas regras dos versos: O coco é uma dança de roda coletiva com batida de pés e palmas; a embolada usa pandeiros em ritmo muito rápido e brincalhão; e o repente (ou cantoria) usa viola com regras severas de métrica.

Coco, origem e formato: Dança e ritmo de roda afro-indígena onde um puxador canta os versos e o grupo responde em coro, acompanhado pelo som de palmas e tamancos no chão. Focado na dança coletiva e festiva do litoral e do sertão, sem a obrigação do duelo verbal rápido.

Embolada (ou Coco de Embolada): Duplas que cantam usando o som acelerado do pandeiro ou ganzá. Ritmo muito rápido, jocoso e embolado, com maior liberdade nas rimas e na métrica. Os cantadores costumam tirar sarro um do outro de forma bem-humorada. A embolada é um tipo de música feita com improviso.

Repente (ou Cantoria): Cantado ao som da viola de sete cordas (ou violão). Exige rigor técnico estrito na contagem das sílabas poéticas e na métrica das estrofes. É um desafio profundo de improviso em que os violeiros discutem temas filosóficos, sociais ou amorosos com regras clássicas da poesia popular. O repente é um canto improvisado. O repente, um gênero típico do nordeste brasileiro, um tipo de música que é muito comum, muito popular naquela região, mas que hoje já é bastante conhecido pelo Brasil.

— “Já se chama ‘repente’ por ser feito de repente, né?”
— “Repente é a pessoa improvisar com rapidez.”
— “É a espontaneidade daquele momento que você está construindo.”
— “Agora, o repente se caracteriza muito por um verso rimado, mas veja bem, repente não é rima. Repente é o verso improvisado, feito na hora.”
— “Nem tudo é o que parece, A gente pode provar Às vezes um lugar verde Tem poluição no ar E o mar parece oceano Mas nunca passa de mar.”

A maior diferença entre embolada e repente é que enquanto os emboladores usam um pandeiro, os repentistas tocam a viola de sete cordas. O ritmo, como em qualquer música, também é muito importante na embolada. E, por ser um gênero improvisado, os emboladores, que geralmente se apresentam em duplas, precisam revezar a música. Ou seja, um canta enquanto o outro pensa em como vai entrar. Quando este que está cantando termina a sua frase, o outro entra logo em seguida, dando continuidade à história, à música. Desse jeito, os dois emboladores conseguem se ajudar.

Falando do cordel, do repente e da embolada a Khan Academy mostra que a gente vai ver que esse tipo de literatura tipicamente brasileira pode ser feito com uma música improvisada, com rimas em escrita ou cantada em versos. Para que a gente entenda melhor como funciona o cordel, o repente e a embolada é interessante que a gente saiba que eles têm origem no nordeste do Brasil. Esse tipo de escrita, esse tipo de música, surgiu nessa parte do país, e ali se desenvolve e é muito popular. Mas hoje ela é bastante conhecida no país inteiro.

O cordel é um tipo de escrita ou de literatura muito comum por ser contada para um público. Ou seja, quem escreve cordel, um cordelista, tem o costume de escrever em um papel e depois editar quantas vezes forem necessárias para que chegue ao resultado que ele deseja. O cordel, por ser comum na transmissão oral, ou seja, por geralmente ser contado para um público frente a frente, ele precisa ser bem escrito, bem elaborado antes de ser apresentado por uma pessoa.

Um exemplo de cordel se chama “A menina que não queria ser princesa”. Ele é bastante comprido, bastante extenso, com vários versos, estrofes e rimas. Destacam duas estrofes. Esse cordel começa desse jeito: “Era uma vez uma menina Dotada de esperteza Nascida lá no sertão Batizada de Tereza Era muito da danada, Arretada de brabeza. Ela muito curiosa Gostava de aventura Carregava bela fama De fazer muita loucura Não fazia nove horas E na queda ela era dura.” Além de ele começar contando uma historinha, a história de Tereza, a gente consegue perceber que ele é cheio de rimas, como uma música mesmo. Na primeira estrofe a gente tem as palavras “esperteza”, “Tereza” e “brabeza” rimando. Na segunda estrofe, a gente tem as palavras “aventura”, “loucura” e “dura”.

Além disso, por ser uma historinha escrita com muitas rimas, estrofes e versos, o cordel também é transmitido no formato de folhetos. O cordelista, ao escrever um cordel, pensa não só no público que vai escutá-lo, mas também no público que vai ler os seus cordéis. Geralmente o artista mostra vários cordéis pendurados em um varal. É assim que eles geralmente se apresentam nas feirinhas populares. E, por fim, uma característica muito particular dos cordéis é que eles geralmente são acompanhados, quando em um folheto, de desenhos. Esses desenhos são chamados de xilogravuras, e podem ser feitos no papel ou talhados na madeira, e depois pintados.

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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