
O compositor de Pernambuco, Capiba (1904-1997) foi homenageado nesse musical que mostra a sua trajetória, ele que é um dos artistas mais talentosos e mais reverenciados desse estado. E apresenta as milhares de facetas desse mestre do frevo que cantou e encantou Recife e Olinda e animou o primeiro voo do Galo da Madrugada.
Eu ando pelo Recife, noites sem fim
Percorro bairros distantes sempre a escutar
Luanda, luanda, onde está?
É alma de preto a penar
Recife, cidade lendária
De pretas de engenho cheirando a banguê
Recife de velhos sobrados, compridos, escuros
Faz gosto se ver
Recife, teus lindos jardins
Recebem a brisa que vem do alto mar
Recife, teu céu tão bonito
Tem noites de Lua pra gente cantar
Recife de cantadores
Vivendo da glória, em pleno terreiro
Recife dos maracatus
Dos tempos distantes de Pedro primeiro
Responde ao que eu vou perguntar
Que é feito dos teus lampiões?
Onde outrora os boêmios cantavam
Suas lindas canções
Lourenço da Fonseca Barbosa, mais conhecido como Capiba (Surubim, Pernambuco, 28 de outubro de 1904 — Recife, Pernambuco, 31 de dezembro de 1997). Essa música é uma homenagem ao Recife, capital de Pernambuco. Capiba foi o maior compositor de frevos de lá e essa letra retrata o Recife antigo com uma forte carga poética e sentimental, trazendo também referências diretas à diáspora negra e à marca da escravidão na formação cultural local. Fala de velhos sobrados escuros e compridos da cidade e evoca imagens do tempo antigo e a alma que resiste no presente recifense. Ouvi essa música ontem sendo interpretada pelo cantor Will durante o espetáculo musical “Capiba, pelas ruas eu vou”, uma bela homenagem à esse grande músico compositor pernambucano, pianista do cinema mudo, que já lia partituras antes de aprender a ler, com sua genialidade, compôs mais de duzentas canções, frevos, sambas, maracatus, valsas, canções e até músicas eruditas. Em cena estavam 43 bailarinos-cantores e uma orquestra de câmara executando sua música ao vivo e a peça teve a direção geral de Cecilia Brennand
Excelente, meu caro!!! Tudo a ver com minhas origens: O pai do meu pai tornou-se, enfim, proprietário de um pequeno engenho (Banguê), em Porto Calvo, Alagoas.
Durante uma festa, fugiu com Ismênia Holanda Cavalcanti, minha vó, criada em Recife, normalista, que tocava piano e arranhava o francês, sendo por isso deserdada da família.
O engenho faliu em fogo morto: Ele, muito cioso de sua independência, não quisera vendê-lo, quando a Usina chegou, perdendo uma safra em fogo morto e se desfazendo do engenho, na bacia-das-almas.
A família se dispersou na transição para Recife, onde Seu Napoleão Quintino Pereira, graças à minha vó, encontrou um emprego de padeiro.
Graças à minha vó também, todos os filhos (menos 1) estudaram e alcançaram profissões.
Meu avô se aposentou gerente da padaria e os filhos lhe compraram uma pequena fazenda.
Meu pai, filho de classe média rural arruinada (assim como Lênin) virou líder estudantil, revolucionário, vereador, cassado e clandestino, mudando-se para São Paulo com minha mãe, que fora demitida da Sudene, depois do Golpe.
O resto, o amigo conhece…