Luís da Câmara Cascudo (Natal, Rio Grande do Norte, 30 de dezembro de 1898 – 30 de julho de 1986) foi um importante historiador, sociólogo, musicólogo, antropólogo, etnógrafo, folclorista, poeta, cronista, professor, advogado, jornalista e escritor brasileiro, que dedicou a sua vida ao estudo do folclore e da cultura brasileira. Ele definiu o coco primordialmente como um “canto-dança” das praias e dos sertões, apontando sua forte raiz ligada ao trabalho braçal e aos batuques. Esse pesquisador destacou que a manifestação possui forte base de percussão e ancestralidade ligada aos negros escravizados nos engenhos, além de conexões com poéticas indígenas.
Apontou também em seus escritos que o surgimento dos cocos está associado à atividade de homens e mulheres escravizados, remetendo aos movimentos e ritmos dos catadores e quebradores de coco. Descreveu a prática como um festejo popular dinâmico em que o corpo marca o tempo do passo e da batida coletiva. Catalogou que o acompanhamento musical se faz, em absoluta maioria, por instrumentos de percussão, como ganzás, pandeiros, bombos (ingomos) e cuícas; e pela ausência de cordas, apoiando-se na batida viva de caixotes, latas ou tambores e nas palmas dos participantes.
Descreve que o coco pode ser encontrado no litoral e no sertão nordestino e afirma que acredita-se que a introdução desta dança no Nordeste se deu através dos escravos africanos que catavam e quebravam coco em um ritmo de trabalho do qual emergiu a música.
Outros pesquisadores como Mário de Andrade (“Os cocos”) e Ridalvo Felix de Araujo (“Na batida do corpo, na pisada do cantá: inscrições poéticas no coco cearense e candombe mineiro”) mostram em seus estudos e tese que os cocos podem ser classificados em três gêneros: dançado, embolada e literatura de cordel. Dentro destes existem várias modalidades que dependem da métrica, dos instrumentos, do local e da coreografia.
Cascudo, por fim, aponta semelhanças entre a dança do coco e a construção poética dos cantos dos nossos indígenas, tendo assim uma possível influência ameríndia. E Mário de Andrade acrescenta que esse ritmo, na forma de entremear refrãos e exclamações de ligação no texto do coquista, tem um parentesco muito próximo de processos ameríndios particularmente àqueles que apareciam nas cantigas bilíngues afro-portuguesas.