O poeta das montanhas mostrado no Museu Casa Guignard

o que Ouro Preto tem?
tem montanhas e luar;
tem burrinhos, pombos brancos,
nuvens vermelhas pelo ar;

tem procissões nas ladeiras,
com dois sinos a tocar;

opas de todas as cores,
anjinhos a caminhar…

Tem Rosário, São Francisco,
Sta. Ifigênia, Pilar…

Tem altares e oratórios,
cadeirinhas de arruar.

Casas de doze janelas,
estudantes e cantar…
Tem saudades e fantasmas,
ouro por todo lugar;

santos de pedra-sabão,
calçadas de escorregar…

E ali, na Rua das Flores,
na varandinha do bar,
tem a figura risonha
do grande pintor Guignard
que Deus botou neste mundo
para Ouro Preto pintar.

Cecília Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) que escreveu esses versos mostrando a sua impressão de Ouro Preto no final da década de 1940 e que citam montanhas, igrejas, estudantes e o artista Alberto da Veiga Guignard (Nova Friburgo, Rio de Janeiro, 23 de fevereiro de 1896 – Belo Horizonte, Minas Gerais, 26 de junho de 1962) que, com sua pintura, transformou a paisagem de Minas Gerais em poesia visual, pintando montanhas flutuantes, neblinas suaves e vilas mágicas repletas de silêncio e sonho, sendo que esse friburguense viveu e produziu intensamente em Ouro Preto. Esses versos fazem parte de “Improviso para Guignard”, publicado em 1949 no “Livro de dedicatórias para Guignard”

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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