Adolfo Caboclo: Zicartola e O conselho de Baco

“Filho de mãe cearense e pai baiano, Adolfo Martins Jr. nasceu em março de 1986 no coração da cidade de São Paulo, no Hospital 9 de Julho, e passou boa parte da vida entre a capital paulista e a fluminense. Pela potência do afeto pelos avós paternos – a mineira Serafina e o paranaense Aparecido Martins Caboclo -, resolveu adotar o último nome do avô, ficando Adolfo Caboclo.

O artista sempre buscou experimentar narrativas das mais variadas formas. Nos tempos de escola, por meio do teatro e do coral. No passado, atuou com publicidades em horário comercial, enquanto nas noites livres mergulhava no mundo do circo dando vida ao seu alter ego, o palhaço Tapioca.

Adolfo Caboclo tem especialização em Crítica e Curadoria de Arte na PUC-SP e, hoje, desenvolve seus quadros, objetos e instalações no Ateliê da Rua Nilo, em São Paulo.”

Por Fernanda Miranda

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Ready-mades de Marcel Duchamp: Roda de bicicleta, Fonte e Hat rack

Ready-made é um termo é criado pelo pintor, escultor e poeta francês, cidadão dos Estados Unidos a partir de 1955, Marcel Duchamp (1887-1968) para designar um tipo de objeto, por ele inventado, que consiste em um ou mais artigos de uso cotidiano, produzidos em massa, selecionados sem critérios estéticos e expostos como obras de arte em espaços especializados (museus e galerias). Seu primeiro ready-made, de 1912, é uma roda de bicicleta montada sobre um banquinho. Posteriormente, expõe um escorredor de garrafas e, em seguida, um urinol invertido, assinado por R. Mutt, a que dá o título de Fonte, 1917. Os ready-mades de Duchamp constituem manifestação cabal de certo espírito que caracteriza o dadaísmo. Ao transformar qualquer objeto em obra de arte, o artista realiza uma crítica radical ao sistema da arte.

Marcel Duchamp (Blainville-Crevon, França – 1887 / Neuilly-sur-Seine, França – 1968)

Queria gritar uma palavra que cala

Queria gritar uma palavra que cala
Que cala quer dizer sentimento
Queria falar uma palavra somente
Propriamente dita

Além do mais queria ser ouvido
Por uma pessoa qualquer: amada
Receber uma resposta pensada
Falada para eu retrucar e seguir

No fundo queria me corresponder
E ser correspondido
Dizer o indizível, ser ouvido
E receber o respondível

Escrever é uma vida vivida
Que o papel recebe
E afaga quando lido e relido
O tempo se transforma e nos molda