Ocorreu um famoso engano poético cometido pelo cantor Alceu Valença (São Bento do Una, Pernambuco, 1 de julho de 1946), que acabou dando origem a um dos maiores clássicos da MPB: a música “La Belle de Jour”. A história por trás dessa confusão é curiosa. Houve um encontro em Paris ocorrido no final dos anos 1980, e nele Alceu estava em um café no bairro de Saint-Germain-des-Prés, capital francesa, quando conversou com uma mulher belíssima de olhos azuis. O cantor acreditou piamente ter conhecido a lendária atriz francesa Catherine Deneuve (Paris, França, 22 de outubro de 1943), que protagonizou o clássico filme “Belle de Jour” (1967), dirigido por Luis Buñuel. Inspirado por esse encontro, ele escreveu a famosa canção sobre a “moça bonita da praia de Boa Viagem”, misturando o cenário de Recife com a musa do cinema francês. Algum tempo depois, houve a revelação, quando ele, ao relatar o encontro para o seu amigo e cineasta Walter Salles, descobriu que a mulher com quem conversara no café não era Catherine Deneuve, mas sim outra grande estrela do cinema francês, Isabelle Adjani (Paris, França, 27 de junho de 1955). Embora o título da música tenha permanecido como “La Belle de Jour” (em alusão ao filme de Deneuve), a verdadeira musa que inspirou o encontro físico e os “olhos azuis como a tarde” descritos na letra foi, na verdade, Adjani. Por essa razão, Isabelle ficou eternizada nos bastidores da MPB como “a outra Belle de Jour”.
Acima a impressão original da foto feita pelo amigo Edney Cielici Dias quando, lá pelos idos de 1996, usou pela primeira vez a impressora que acabara de adquirir.