“Dizem que uma artista nunca morre — ela apenas troca de tela. Irene Koga pintou desde os doze anos, como se tivesse pressa de contar ao mundo tudo que via, tudo que sentia, tudo que ainda não tinha nome. Passou pelo Impressionismo, Expressionismo, Abstrativismo — como quem experimenta roupas diferentes procurando aquela que veste a alma por inteiro. Talvez nunca tenha encontrado só uma. Talvez não precisasse.
Irene, teve uma vida inteira dedicada a transformar o instante em permanência: um gesto de luz, um rosto, um silêncio — tudo fixado para sempre numa tela, como quem diz ao tempo “espera, ainda não”. E o tempo, generoso com quem insiste, lhe deu 8 décadas de uma teimosia bonita.
Ela partiu, mas deixou mais de seiscentas provas de que esteve por aqui e tem suas obras espalhadas pelo mundo, penduradas em paredes que ela talvez nunca tenha visto. Isso é o que a arte faz: multiplica quem a fez. Irene está em cada quadro que alguém olha hoje sem saber que, naquele instante, está diante de um pedaço dela mesma.
Talvez a morte não seja o fim de uma artista — seja só o momento em que ela para de segurar o pincel e entrega sua obra de vez para quem fica. E o que fica, fica: a cor, a ousadia, a coragem de pintar a vida inteira sem pedir licença para ninguém.
Descanse, Irene. As sua telas continuam. 🙏😔🌹”
Fonte: Fotos de Ourinhos (Museu virtual) no Facebook – Reginaldo Pereira Góis (https://www.facebook.com/groups/297199200451007/)
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