Em tuas colinas rasas
não há vinhedos nem olivais.
Há — púrpura difícil — a hematita,
uva das Minas Gerais.
Uva sáfara, mineral,
fermentando uma pinga de poeira
cujo álcool — lâmina de rocha e cal —
torna triste a embriaguez mineira.
Embriaguez vertical, contida,
cujas cores explodem dentro do peito:
ocre violento, lacre e prata,
sol — e lua ferida.
Hélio Pellegrino (Belo Horizonte, Minas Gerais, 5 de janeiro de 1924 – Rio de Janeiro, 23 de março de 1988) foi um psicanalista, escritor e poeta brasileiro, célebre por sua militância de esquerda e por sua amizade com os também escritores Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Nélson Rodrigues. Este é um dos poemas mais célebres do psicanalista e escritor mineiro e nele o autor homenageia a região dos sítios geológicos e do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, comparando poeticamente a hematita, mineral abundante na região, à uva e ao vinho, marcas da terra