A alma perdida

Ilustrada por Joanna Concejo, vencedora da Menção Especial do Prêmio Bologna Ragazzi 2018, A alma perdida, selecionada no White Ravens 2019, é a nova obra-prima da escritora polonesa Olga Tokarczuk, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura. Um livro que encanta, enternece e faz pensar. Era uma vez um homem que trabalhava muito e quase não prestava atenção no tempo que passava diante de seus olhos. Não que sua vida fosse ruim. Ele apenas sentia que tudo ao seu redor estava plano, como se estivesse se movendo na folha de um caderno de matemática inteiramente coberta por quadradinhos iguais e onipresentes. Esta é uma história que leva o leitor a buscar a si mesmo, conduzindo-o a um desenlace maravilhoso e inesperado, como só os grandes contos de fadas são capazes de fazer. Uma história que se abre para o futuro ― sem respostas, mas com inúmeras e fascinantes perguntas destinadas a todas as idades

Se alguém pudesse nos olhar do alto, veria que o mundo está repleto de pessoas que andam apressadas, suadas e exaustas, e também veria suas almas, atrasadas e perdidas no caminho…

[…]

Era uma vez um homem que trabalhava com muita pressa e sem descanso, e que havia muito tempo já tinha deixado a própria alma em algum lugar distante. Sem a alma, a vida dele até que era boa — ele dormia, comia, trabalhava, dirigia um carro e ainda jogava tênis. Mas, às vezes, ele tinha a impressão de que tudo a sua volta ficara plano e sem graça, como se ele se movimentasse numa folha quadriculada e vazia de um caderno de matemática, coberta por quadradinhos iguais e onipresentes.

[…]

Desde então, eles viveram felizes para sempre, e João passou a prestar muita atenção para não fazer nada numa velocidade que sua alma não pudesse acompanhar. Ele ainda fez mais uma coisa: enterrou no quintal todos os seus relógios e suas malas de viagem.
Dos relógios nasceram belas flores coloridas, parecidas com campânulas, e das malas brotaram grandes abóboras com as quais João se alimentou durante todos os invernos tranquilos que se seguiram.

Olga Tokarczuk (Sulechów, Polônia, 29 de janeiro de 1962) e Joanna Concejo (Slupsk, Polônia, 22 de março de 1971). In “A alma perdida” (Título original: “Zgubiona dusza”). Tradução: Gabriel Borowski. São Paulo: Todavia, 1ª ed., 2020. Vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, Olga Tokarczuk é o nome mais conhecido da literatura polonesa contemporânea. Suas obras já ganharam as principais distinções de seu país e alguns dos mais importantes prêmios de tradução de língua inglesa (Booker Prize), além de edições na França, na Itália, na Espanha e na Alemanha. Nascida em 1962, e autora de roteiros e dezenas de livros, é uma voz dissonante da atual política repressiva dos países do Leste Europeu. Joanna Concejo nasceu em Slupsk, na Polônia, em 1971, e vive em Paris desde 1994. É ceramista e ilustradora. Seus livros destinados ao público infantil foram publicados em diversos países, como França, Espanha, Itália, Polônia e Coreia do Sul

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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