Há um senhor,
Um qualquer.
Macho bom,
mas suas palavras?
Há um homem que preoCUpa.
Um homem, há sim, que se preocupa,
Há um homem que se preo pa cú.
Mera afirmação. Não!
Ele o venera, limpa-o, observa-o,
realiza-se por ele.
Ele o respeita.
Até toma banho com ele!
Ele o sente como um órgão,
não apenas caga-o.
Ele se preocupa com a vida.
Não apenas limpa-o.
E olha que é um homem,
família conhecida e respeitada.
Vô e tio fazendeirocafeicultordobom.
É mesmo: Vila Cordelamma está regredindo.
Na verdade deveria usar “atualizando-se”,
mas não fica bem para a moral,
dos cafeicultoresdobom e nem pro povão.
Afinal estamos em terra certa, sertã.
Este homem come co’a boca.
Delegado, diz à repórter, disso:
De homem para mulher, mulher pra vizinha,
Vizinha pra papagaio, curió, gato, cabrito, janela.
O homem sai na rua
com seu terno de coronel branco.
Sobe no coreto, diz:
Gosto!… É preso.
Preso, diz: Pago cafeicultordollarmentemente bem!
Sai. Sai às ruas de terno e rosa no peito,
Caminha vulneravelmente.
O povo lhe lincha.
Persegue-o pelos buracos das ruas asfaltodeenxada.
Inchados de morros e atolados de valas.
Ele cai numa poça com a bunda pra cima.
O povo pula em cima.
Espancacetampaabocaebate-o.
Ele diz um “ai” de suspiro.
Seu terno mancha de sanguebarro.
Ele morre afogado na poça.
O chefe dos revoltadores, linchadores,
ergue-se ao coreto e fala em voz alta.
(O povo o observa com respeitemor).
Diz: Matamos o homem errado pois também gosto.
21/08/80 – S.P.