Quando a arte grita

Exposição “Quando a arte grita” se consolida como uma das mais visitadas de Mato Grosso

“Cuiabá / Cáceres – A exposição “Quando a arte grita” vem se destacando como uma das mostras mais impactantes e visitadas do estado de Mato Grosso, reunindo arte e denúncia em um momento histórico marcado por silenciamentos sociais. Em um cenário onde temas como pedofilia, feminicídio, crises ambientais e desigualdades sociais muitas vezes são negligenciados, a mostra surge como um grito coletivo por transformação.

Iniciada em 24 de novembro de 2025, na Casa Cuiabana, a exposição rapidamente ganhou projeção e seguiu em itinerância até o interior, com destaque para sua passagem por Cáceres. Ao longo desse percurso, recebeu a visita de estudantes de escolas públicas, acadêmicos e turistas, impactando o público com obras de 26 artistas que exploram temas urgentes por meio de formas expressivas, cores intensas e linguagem crítica.

De acordo com o vice-presidente da ARTEMAT, mais de três mil pessoas passaram pela exposição. Entre os visitantes, esteve o ator Luciano Zafir, que destacou o impacto de obras que abordam a exclusão e a estrutura desigual enfrentada por mulheres, especialmente no sistema penitenciário. A obra da artista Ita, por exemplo, trouxe reflexões sobre o encarceramento do corpo feminino e suas implicações sociais.

Outro destaque foi a artista Cida Silva, cuja obra chamou a atenção de políticos ao evidenciar o abandono de pessoas em situação de rua e a vulnerabilidade social. Para muitos visitantes, a experiência da exposição ultrapassa o campo estético e se estabelece como um convite à reflexão profunda.

Inspirado na célebre frase do artista Banksy — “a arte serve para incomodar os acomodados e confortar os inconformados” —, o artista Eduardo reforça o papel provocador da mostra.

A curadoria, assinada por Agnaldo Rodrigues, Carolina Marcorio e Isabel Araújo, organizou a exposição em diferentes eixos temáticos. No eixo meio ambiente, artistas como Albina dos Santos, Marlene Kirschch, Antônio Vieira, Bosquê e Micheli Fanalli abordam o colapso da civilização, mudanças climáticas, incêndios florestais e extinção de espécies, denunciando a ganância como motor dessas crises.

Uma das instalações centrais apresenta duas esferas simbólicas: um grande olho no salão principal e, no anexo, um globo terrestre representando um planeta adoecido. A morte é retratada como uma presença constante, denunciando realidades como genocídios, fome infantil e o contraste com investimentos bilionários em armamentos.

No eixo Guerra, três artistas se destacam: João Caramori, que alerta para o risco do retorno da bomba atômica; Traudi Hoffmann, com uma obra interativa baseada em mensagens; e Ellen Pellicuari, que apresenta um autorretrato com uma criança chorando, acompanhada por elementos simbólicos como violino e drones de flores.

A acessibilidade também é um ponto forte da exposição. As obras contam com QR Codes que oferecem audiodescrição, produzida por Micheli Fanalli, tradução em libras por Marcos Gontijo e versões em braile, ampliando o acesso a diferentes públicos.

Outro eixo relevante aborda a infância e o futuro. A artista Adaiele, professora da rede municipal, junto com Tiana de Souza e o jovem artista Robertinho, apresentam trabalhos que denunciam a infância roubada e as incertezas das novas gerações.

Durante o mês de março, a temática da violência contra a mulher ganhou destaque com obras de Danúbia, Dayana Trindade, Thelma Amém dos Olhos, Rimaro e Jéssica Bessa. As artistas alertam para o aumento dos índices de feminicídio no Brasil e criticam estruturas patriarcais presentes em discursos conservadores.

A exposição também dialoga com a história da arte como ferramenta de protesto, evocando referências como Francisco Goya, Pablo Picasso, Diego Rivera, Frida Kahlo e Candido Portinari, reafirmando a arte como instrumento de resistência e transformação social.

Com previsão de itinerância para Barra do Garças, a exposição deve ampliar sua curadoria sob liderança da artista e educadora Traudi Hoffmann. A expectativa é encerrar o ano circulando por mais cidades, estabelecendo parcerias com instituições e municípios para expandir seu alcance.

Mais do que uma mostra artística, “Quando a arte grita” se consolida como um movimento de sensibilização coletiva, convocando o público a enxergar, refletir e agir diante das dores do mundo contemporâneo.”

6ª Exposição Coletiva “Quando a arte grita” organizada pela ARTEMAT (Associação dos Artistas Plásticos de Mato Grosso)

Artistas: Albina dos Santos, Adaiele Almeida, Antônio Vieira, Bosquê, Cida Silva, Dayana Trindade, Danúbia Leão, Eduardo Martins, Ellen Pellicciari, Isabel Araujo, Ita Ceramista, Jéssica Bessa, João Caramori, Josiane Magalhães, Marcela Lopes, Luana Franco, Marlene Kirchesch, Micheli Fanalli, Rimaro, Ricardo Freitas, Roberto Lopes, Thelma Além dos Olhos, Tiana de Souza, Traudi HoƯmann, Valdir Ricardo e TONCAT.

Curadoria: Isabel Araujo, Carolina Marcório, Agnaldo Rodrigues da Silva e Bosquê.

Expografia organizada em 5 eixos temáticos: Mulher e a violência doméstica, Infância, Sociedade e humanidade, Meio ambiente e Guerra.

Acessibilidade: Textos curatoriais traduzidos para o inglês (Isabel Araujo) e braile (Kayenne Karoline Alves Pereira) e libras (Marcos Gontijo); obras com identificação por QR Code para Audiodescrição (Michei Fanalli).

Centro Cultural Casa Cuiabana, em Cuiabá-MT (24 de novembro de 2025 a 5 de janeiro de 2026), depois no Cine Teatro Cuiabá (11 de janeiro de 2026 a 31 de janeiro de 2026), seguindo para a Galeria de Arte ARTEMAT, junto à antiga sede da SEMATUR – Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, localizada no complexo da Secmatur, na Casa da Arte, em Cáceres-MT (a partir de fevereiro de 2026 até final de abril de 2026) e se encerrando em junho de 2026 no município de Barra do Garças-MT.

Mostra indicada para o blog por Valdir Ricardo.

Valdir Ricardo Francisco, é natural de São José dos quatro Marcos (MT). Morava com sua mãe e seu padrasto na zona rural. Aos 8 anos de idade foi deixado em um orfanato na cidade de Cáceres-MT, no ano de 1989 foi transferido para outro orfanato na mesma cidade, onde teve acesso a várias denominações artísticas, mediante seus conhecimentos pela arte se apaixonou por artes plásticas, e acredita que a arte é transformadora, pois aquele pequeno jovem desacreditado e julgado pela sociedade como um perdido, ou mais um sem futuro, se apoiou aos ensinamentos da arte, vencendo o pré-conceito, a tristeza e até mesmo a ausência de seus pais, tornando um cidadão com olhar visionário, para a transformação da arte e cultura de uma sociedade com perspectiva de vida. hoje é artista plástico, arte-educador. Licenciatura em artes visuais, pela Unar Araras (SP) e geografia pela UNEMAT Cáceres (MT), especialização em educação para jovens e adultos (EJA). Atualmente é professor da educação básica na disciplina de arte, Seduc, na escola São Luiz em Cáceres-MT.

Contatos:
www.instagram.com/artemat.mt
www.instagram.com/vr.artes
vr.artes1@gmail.com
WhatsApp: (65) 9 9813-0721

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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