Um poema de Mar Becker

1

estudar o pássaro
estudar o desenho de mãos que vem ao caso quando penso na palavra “fragilidade”

a altura
a origem da ideia de linhas
tênues

2

estudar a terminologia com a qual os homens de uma cidade perdida se referiam à movimentação de suas cortinas em manhãs de vento

(a atenção com que as observavam, especialmente no instante em que depois de serem abatidas pelo vento elas caíam
e caíam assumindo uma angulação muito própria em relação à luz)

3

estudar todo e qualquer vestígio

e por que penso em homens que falam muito baixo uns com os outros, como se a palavra fosse um excesso

como se em seus íntimos eles estivessem trabalhando na elaboração de uma outra teoria do fogo

Mar Becker, pseudônimo de Marceli Andresa Becker (Passo Fundo, Rio Grande do Sul, 1986) é formada em filosofia (Universidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul) e tem especialização em epistemologia e metafísica (Universidade Federal da Fronteira Sul, Chapecó – Santa Catarina). Mora atualmente em São Paulo. Faz bonecas e bichinhos de crochê. Como diz Leonardo Neiva no “Bloco de notas – 10 livros curtos para ler em um dia na praia”, ela foi finalista do Prêmio Jabuti em 2021, na categoria poesia, e já é uma das maiores vozes da poesia brasileira contemporânea. E sua obra mais recente, “Noite devorada” (Círculo de Poemas, 2025), a ajuda a firmar sua reputação dentro da literatura nacional. O tema aqui é o amor. O amor que é dito pela boca, que é sentido e expresso pelo corpo. E desse corpo também fazem parte sentimentos como medos e saudades, desejos e enganos. Um convite para “amar como a estrada ama os que se perdem”, nas palavras da própria autora, este livro breve prova que a dimensão de um sentimento infinito pode estar contida em algumas poucas páginas

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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