Autor: ematosinho
Relógio
A loja (de relógios)
I
O relógio
horologium
a hora
o logos.
II
Os peixes estão
no aquário
o touro está
na balança
e a virgem
parindo
os gêmeos.
III
Os relógios estão
na eternidade.
Orides Fontela (São João da Boa Vista, São Paulo, 1940 — Campos do Jordão, São Paulo, 1998)
Vivas à primavera em 4 línguas
Viva la primavera brasileña en este bendito año del Señor 2025
Vive le printemps brésilien en cette année bénie du Seigneur 2025
Long live the brazilian spring in this blessed year of the Lord 2025
Viva a primavera brasileira neste abençoado ano do Senhor 2025
(Fotos tiradas no Jardim Botânico de São Paulo)
Verdes em tom
Sol de primavera
Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar
Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim, não custa inventar
Uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim, não custa inventar
Uma nova canção que venha trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Beto Guedes (Montes Claros, Minas Geris, 13 de agosto de 1951) / Ronaldo Bastos (Niterói, Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 1948). Três Pontas Edições Musicais, Canção de 1979
Cenas de Luiza e João num sítio distante
Sonhado em Ibiúna
Soneterapia
“desta vez acabo a obra”
gregório de matos
drummond perdeu a pedra: é drummundano
joão cabral entrou pra academia
custou mas descobriram que caetano
era o poeta (como eu já dizia)
o concretismo é frio e desumano
dizem todos (tirando uma fatia)
e enquanto nós entramos pelo cano
os humanos entregam a poesia
na geleia geral da nossa história
sousândrade kilkerry oswald vaiados
estão comendo as pedras da vitória
quem não se comunica dá a dica:
tó pra vocês chupins desmemoriados
só o incomunicável comunica
Augusto de Campos (São Paulo, 14 de fevereiro de 1931). Notas: Referências ao primeiro verso da “Dedicatória extravagante que o poeta faz destas obras ao mesmo governador satirizado”, do baiano Gregório de Matos Guerra (1636/ 1696); à outros poetas modernistas mais conhecidos como Carlos Drummond de Andrade (1902/ 1987) e João Cabral de Melo Neto (1920/ 1999) e ao compositor Caetano Veloso (1942); à Joaquim de Sousândrade (1833/ 1902), poeta romântico, autor de “O Guesa”, à Pedro Kilkerry (1885/ 1917), poeta simbolista baiano e à Oswald de Andrade (1890/ 1954), que são autores divulgados e revistos criticamente pelos concretistas, após longo silêncio e esquecimento sobre suas obras
Da biblioteca de Carmita
Lembrando em conversa recente que tive em Ourinhos com o primo Alexandre Araujo Silva resgatei nos guardados do sítio um dos livros compartilhados entre seu avô Ângelo Silva e minha mãe Carmita, ambos leitores dedicados. Acima mostro uma singela “arte” que fiz com um dos exemplares que encontrei lá, acrescida com a inscrição de outros três livros, juntamente com duas fotos das formaturas de mãezinha, dado que ela foi professora e se diplomou também como especialista em farmácia.
Maria do Carmo Ferreira Matosinho, * Motuca SP, 25 de março de 1926 – + Ourinhos SP, 5 de abril de 1966