Ao jardim, o mundo

Ao jardim, o mundo, renovado em ascensão,
Parceiros potentes, filhas, filhos, em prelúdio,
O amor, a vida de seus corpos, ser e sentido,
Curioso, contemple aqui minha ressurreição, após o sono;
Os ciclos em revolução, em seu amplo movimento, aqui me trouxeram outra vez,
Amoroso, maduro – tudo belo para mim – tudo maravilhoso;
Meus membros, e o fogo trêmulo que folga neles, pelos mais maravilhosos motivos;
Existindo, eu perscruto e penetro ainda,
Contente com o presente – contente com o passado,
Ao meu lado, ou atrás de mim, Eva me seguindo,
Ou à frente, e eu a segui-la do mesmo jeito.

Walt Whitman (Huntington, Virgínia Ocidental, Estados Unidos, 31 de maio de 1819 – Camden, Nova Jérsei, Estados Unidos, 26 de março de 1892)

Coco do trocadilho

Pra cantar comigo
Tens que traçar bem o baralho
Que é pra não se atrapalhar
Viu Zé e não cair do galho

Pra cantar comigo
Tens que traçar bem o baralho
Que é pra não se atrapalhar
Viu Zé e não cair do galho

É papa é papa-capim é papa-capo papagaio
Papelão papelaria plataforma planta e paio

É sim

Padaria pão padeiro pastoril pato pastel
Paraguaio padroeiro papa-angu vai papa-mel

Olha o retorno

Papa-angu vai papa-mel paraguaio e padroeiro
Pastoril pato e pastel padaria e pão padeiro

É sim

Plataforma planta e paio
É papa é papa-capim papelão papelaria é papa-capo e papagaio

O senhor pra cantar comigo
Tem que traçar muito bem este baralho
Que é pra não se atrapalhar
Muito cuidado seu José pra não cair do galho

Eu fiz este trocadilho
Somente pra derrubar a sua fama
Lá em casa é rede é cama
Lá no mato é pau é tábua
No caminho é toco é lama na lagoa é junco é água

É sim

Na lagoa é junco é água
No caminho é toco é lama
Lá no mato é pau é tábua
Lá em casa é rede é cama

Eu só sei pra cantar comigo
Tem que traçar muito bem este baralho
Que é pra não se atrapalhar
Muito cuidado seu José pra não cair do galho

Pra cantar comigo
Tens que traçar bem o baralho
Que é pra não se atrapalhar
Viu Zé e não cair do galho

Pra cantar comigo
Tens que traçar bem o baralho
Que é pra não se atrapalhar
Viu Zé e não cair do galho

Eu só sei que o senhor pra cantar comigo

Música composta por Buco do Pandeiro e gravada por Bezerra da Silva (Recife, Pernambuco, 23 de fevereiro de 1927 — Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 2005) e Zé Ramalho ((Brejo do Cruz, Paraíba, 3 de outubro de 1949). Foi gravada por Bezerra em 1976, no álbum “O rei do coco” – Vol. 2. Antes de virar o grande ícone do samba de malandragem carioca, o artista pernambucano gravou e divulgou muito o gênero do coco nordestino e sua conexão com Zé Ramalho ocorreu pelo fato desse músico paraibano compartilhar forte afinidade com a embolada, o repente e a viola, e incorporar o espírito dinâmico desse tipo de desafio rítmico em sua trajetória de valorização das matrizes nordestinas

20 poetas brasileiros mais acessados no blog nos últimos 12 meses

Terminei hoje a publicação de outros poemas dos 20 poetas mais lidos neste blog ao longo dos últimos 12 meses. Iniciei essas postagens em 1º de setembro de 2025 e segui a ordem dos mais para os menos pesquisados. São estes:

  1. Jorge de Lima
  2. Carlos Drummond de Andrade
  3. Edney Cielici Dias
  4. Manuel Bandeira
  5. Ricardo Domeneck
  6. José Paulo Paes
  7. João Cabral de Melo Neto
  8. Narcisa Amália
  9. Alberto de Oliveira
  10. Hilda Hilst
  11. Augusto Massi
  12. Thiago de Mello
  13. Guilherme de Almeida
  14. Fernanda Spinelli
  15. Mário Chamie
  16. Oswald de Andrade
  17. Augusto de Campos
  18. Orides Fontela
  19. Mário Quintana
  20. Raimundo Correia

Com disse no texto “Dos “Eu sou trezentos”, 25 poetas brasileiros fundamentais” (https://ematosinho.com.br/?p=8068): “…bons poetas tupiniquins são em número muito maior…”.

Feito com:

Boa leitura a todos!

As pombas

Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada…

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais…

Raimundo Correia (São Luís, Maranhão, 13 de maio de 1859 — Paris, França, 13 de setembro de 1911). In “Sinfonias”, 1883

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…

Mário Quintana (Alegrete, Rio Grande do Sul, 30 de julho de 1906 — Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 5 de maio de 1994)