O conto é sobre os grafitos no tablado
onde uma letra de um metro se aboleta,
e à noite convidam das tabuletas
as pupilas dos anúncios pintalgados.
O automóvel pinta os lábios brancos
da mulher desbotada de Carrièri; (*)
dos fox-terriers em chamas arrancam
peliças dos passantes na carreira.
E assim que uma pera furtaluz
rasgou na sombra as lanças dos ataques,
sobre os ramos das frisas com flores de pelúcia
dependuraram-se pesadamente os fraques.
1913
Vladimir Maiakovski (Baghdati, Império Russo, 19 de julho de 1893 — Moscou, Rússia, 14 de abril de 1930). In “Poesia Russa Moderna”. Tradução de Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001
Nota: (*) Eugene Carrièri (1849-1906), pintor francês.