Autor: ematosinho
Temporais
Os que enfrentam temporais e continuam
quando tudo diz que não quando falta o céu e o chão continuam
quando o pouco se reduz
e se apaga toda a luz
ainda assim
os que querem saber mais quando faltam as respostas quando as feridas expostas não se curam.
Continuam na ausência de um sinal quando o bem se confunde com o mal e as coisas se misturam.
Aqueles que continuam
e olham pra dentro sabem
que sempre chega o momento
em que as águas se abrem.
Bruna Lombardi (Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1952)
Plastifiquei 1
Dezenove, mulher
Agora aos dezenove transbordo
Paz aos que quiserem e liberdade
aos que lutarem como eu lutei
Passei pela purgação e agora
posso dizer aos quatro cantos
que sou uma mulher feita
Cozida pela vida e pelas pessoas
amigas que me cercam como
primos – irmãos nessa jornada
Ao futuro só prometo e ao passado
brindo por ter chegado até aqui:
Mais mulher e com amor para dar
Higienópolis, 20/11/08
Pinturas de meu sobrinho querido, um talento
Ulisses Matosinho Peres de Pontes (São Paulo, 1982 – 1998), desde 14/05/2002 muito bem lembrado dando à Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental seu nome, “Ulisses Matosinho Peres de Pontes”, com sede em Ji-Paraná, município do estado de Rondônia, já passados 23 anos dessa homenagem.
A minha estrela está no oriente
Que és fonte nesta noite estrangeira
Nesta noite estrangeira,
aporto em teu leito
como quem chega de viagem
(a longa viagem da vida):
o bagaço dos músculos,
o cansaço dos séculos,
o espaço dos vínculos.
É o peso da paixão
que lança a âncora
no cais do teu ventre;
desembarco sorrateiro,
como um ladrão,
esgueiro-me nas sombras,
fujo à face da lua,
tal flauta sem som,
qual nauta sem sono.
Pulo no escuro,
feito um gato,
entre pé e areia
um abismo,
agarro-me a teus cabelos
(um salto abissal,
sem rede),
bebo um pântano sem fundo,
profundo.
Dentro de ti,
que és porto,
faz noite ainda
(o mar é mancha móvel,
teus seios, dois faróis).
A distância de léguas,
ocultas um bote
em conchas
(muito a caminhar
até os remos
de tuas pernas brancas)
Dentro de ti,
que és ilha e plana,
a mina verde
dos tesouros submersos;
e os sóis rubros
das fogueiras profanas.
Ato o massame firme
a teu travesseiro:
queimas asas de Ícaro,
derretes coração de cera.
Assim mergulho em teus lençóis
com o peito em brasa
e as mãos limpas
(lavadas dentro de ti,
que és vento e fonte).
José Nêumanne Pinto (Uiraúna, Paraíba, 18 de maio de 1951)
“Tamo junto”: Nova peça teatral na Bibli-Aspa
Bibli-Aspa e NTS apresentam:
Tropa Caramelo em “Tamo junto”!
Grupo infantil composto por alunos da Bibli-Aspa que fazem teatro, dança, música e capoeira nesse espaço.
Sábado, 6/12 às 18h00 e domingo, 7/12 às 16h00
Danielli Guerreiro – Texto e Direção (@danielliguerreiro)
Comenta Stela Oliveira Spolzino – Vice-presidente da Bibli-Aspa, onde desenvolve um lindo trabalho social em apoio a refugiados de vários países e a pessoas em situação de rua.: “… a peça das crianças das ocupações que fazem aulas na Bibli.”

Vem pro teatro! Vem pra Bibli-Aspa!
Centro Cultural Bibli-Aspa
Rua Baronesa de Itu, 639 – Santa Cecília, São Paulo – SP (Próximo ao Metrô Marechal)
Telefone: (11) 3667-6077
Estudando com Paul Cézanne
A Charles Baudelaire
Carlos também,
embora sem
flores nem aves,
vinho nem naves,
eu te remeto
este soneto
para saberes,
se acaso o leres,
que existe alguém
no mundo, cem
anos após,
que não vaiou
e nem magoou
leu albatroz
Carlos Pena Filho (Recife, Pernambuco, 17 de maio de 1929 — Recife , Pernambuco, 1 de julho de 1960)