Caleidoscópio

Um negro,
um branco
um forte abraço mútuo,
o mesmo alvo sorriso.
O pensamento: bandeiras verdes e brancas.

Um amarelo,
um negro,
destinos que se ligam,
o mesmo rubro sangue.
O pensamento: bandeiras verdes e brancas.

Um branco,
um amarelo,
um aperto de mãos,
a mesma dor humana.
O pensamento: bandeiras verdes e brancas.

Um negro,
um amarelo,
um branco,
o mesmo homem
em cores caleidoscópicas:
o mesmo alvo sorriso,
o mesmo rubro sangue
a mesma dor humana:
O mesmo pensamento: bandeiras verdes e brancas!

1957

Vasco Cabral (Farim, Guiné Portuguesa, 23 de agosto de 1926 – Bissau, Guiné-Bissau, 24 de agosto de 2005) foi um escritor e político de Guiné-Bissau. Sobre ele escreve Luís Carvalho: Estudou em Portugal, formando-se em Ciências Econômicas e Financeiras pela Universidade Técnica de Lisboa. Foi militante do MUD juvenil, movimento unitário de oposição à ditadura fascista, fortemente influenciado pelo PCP. Foi preso político em 1953, no Aljube e em Caxias, por sua atuação contra o regime de António de Oliveira Salazar. Tornou-se um dos principais dirigentes do Partido Africano pela Independência de Guiné Bissau e Cabo Verde (PAIGC) e foi comandante político da guerrilha de libertação nacional. Com a independência da Guiné Bissau, desempenhou funções no Governo (Foi ministro da Economia e das Finanças, ministro da Justiça e vice-presidente da Guiné-Bissau). In: “Antologia poética da Guiné-Bissau”, 1990

Mabe: Além de pintar e imprimir os Poemas da lua e da manhã, escreveu textos poéticos autobiográficos

Nunca fui aluno de nenhum mestre, tão pouco pertenci a qualquer escola. Possuo um estilo de pintura que eu mesmo desenvolvi, à custa de muito esforço e perseverança, o qual é facilmente identificável. A título de brincadeira, eu o denominei de “mabismo”. Mas esse estilo também foi sofrendo modificações com o decorrer do tempo. As pessoas dizem que ele representa a fusão do oriente com o ocidente, sendo a expressão da poesia lírica, mas eu creio que a minha pintura representa a mim mesmo. Segundo as palavras de um pintor amigo, Kazuo Wakabayashi, eu sou um exemplo raro, entre os japoneses de minha geração, que não teve a experiência da guerra. Diz ele: os japoneses que estavam no Japão, durante a segunda guerra mundial, tornaram-se retraídos, devido a derrota. Mas, o Mabe, que estava no exterior, manteve a sua alegria natural, a qual consegue expressar na sua pintura.

16 de setembro de 1994

Manabu Mabe (Kumamoto, Japão, 14 de setembro de 1924 — São Paulo, 22 de setembro de 1997). In “Chove no cafezal” ou “Nihon keizai shimbun”, São Paulo, 1994. p. 86. Embora ele seja mais conhecido por suas telas e gravuras abstratas, ele deixou alguns relatos e os mais famosos expressam sua relação lírica com a arte e podem ser lidos nos sites da Galeria de Arte Lívia Doblas e a da Smart Gallery

People cannot know…

People cannot know my painting if they associate it with any kind of symbolism, whether naive or sophisticated. Then again, what I paint does not imply that the invisible is superior to the visible: the visible is rich enough to create a poetic language, evoking the mystery of the invisible and the visible.

René Magritte (Lessines, Bélgica, 21 de novembro de 1898 ― Bruxelas, Rue des Mimosas, Schaerbeek, Bélgica, 15 de agosto de 1967) was an internationally renowned belgian surrealist painter who also wrote prolifically on art and other subjects. In “Rene Magritte selected writings”, de by Kathleen Rooney and Eric Plattner, University of Minnesota Press, 2016 . Ele é famoso por afirmar que “a função da pintura é tornar a poesia visível”. Suas obras de arte são poemas visuais, mas ele também escreveu uma série de poemas escritos e textos surrealistas

Coco de Manuel, de um repentista potiguar: “O encantador de gente”

Vai tirar coco, Manuel
Vai tirar coco pr’eu dançar
Vai tirar coco, Manuel
Vai tirar coco pr’eu dançar
Vai tirar coco, Manuel
Vai tirar coco pr’eu dançar
E quando o vento bater
O coqueiro vai balançar
Quando tu tirar o coco
Todo o povo vai dançar

Manoel do Coco (Barcelona, Rio Grande do Norte, 20 de julho de 1947 – Natal, Rio Grande do Norte, 2 de janeiro de 2015). Conhecido pela sua capacidade de articular as palavras, ele conquistou a admiração de artistas como o poeta, dramaturgo e escritor Ariano Suassuna, para quem “Manoel do Coco era um artista verdadeiro”. Em 1997 lançou o CD “Emboladas”, com o qual se tornou conhecido nacionalmente, e a partir da repercussão desse disco fez apresentações nos programas “Domingão do Faustão”, “Fantástico” e “Globo Esporte”, da TV Globo, e no “Comando da madrugada”, apresentado por Goulart de Andrade, e no “Flash”, apresentado por Amaury Júnior, da TV Bandeirantes

O legado de Picasso: Mais de 45 mil obras

O jornalista Feliciano Fidalgo, do jornal espanhol “El País” sai a campo para levantar o legado do pintor e descobre que ao todo são mais de 45 mil obras

Do “El Pais” (Reproduzido pelo jornal Folha de S. Paulo – Caderno “Ilustrada”, página A – 32, sábado, 3 de janeiro de 1987)

É prudente — ou um gracejo – colocar a pergunta que segue: quantas obras realizou Pablo, Diego, José, Francisco de Paula, Juan, Nepomuceno, Crispin, Crispinrano de la Santísima Trinidad, de sobrenome Ruiz Picasso, conhecido no mundo simplesmente por Picasso, filho de José e Maria (pura casualidade), nascido em 1881, em Málaga? E onde está “isso” e até onde irá? O inventário picassiano,, “o filho do futuro”, é impossível para a Espanha? Ninguém se atreve avaliar.

(…)

O artista espanhol Pablo Picasso, que morreu aos 92 anos e pintou durante 77

(…)

Roland Dumas, profundo conhecedor da personalidade do pintor, conclui: “Picasso dizia que, como acontecia com a pintura, era preciso deixar que as coisas evoluissem por si mesmas. Ele não se enganou: seu nome é celebrado e sua pintura está no mundo todo”‘

Tradução de Marco Antonio Escobar