Depois de tantos anos, 60 precisamente, da partida de minha mãe para esse éden imaginado por Borges, ainda restam 27 exemplares de sua biblioteca original e a sua velha estante de livros, com o Pinóquio decalcado no vidro… Carmita era uma grande leitura e nós, meus irmãos e eu, pegamos esse gosto com ela. Em 1932, Monteiro Lobato (Taubaté, São Paulo, 18 de abril de 1882 – São Paulo, 4 de julho de 1948), em seu livro “América”, cunhou a frase que nunca esqueço: “Um país se faz com homens e livros”. E Borges, iluminou:
Nadie rebaje a lágrima o reproche
Esta declaración de la maestría
De Dios que con magnífica ironía
Me dio a la vez los libros y la noche.
[…]
Lento en mi sombra, la penumbra hueca
exploro con el báculo indeciso,
yo, que me figuraba el Paraíso
bajo la especie de una biblioteca.
Jorge Luis Borges (Buenos Aires, Argentina, 24 de agosto de 1899 — Genebra, Suíça, 14 de junho de 1986). In “Poema de los dones”, 1955, quando nomeado diretor da Biblioteca Nacional da Argentina
Maria do Carmo Ferreira Matosinho, * Motuca SP, 25 de março de 1926 – + Ourinhos SP, 5 de abril de 1966