Agitação e náusea

Tem momentos em que a vida
É agitação e ansiedade
Três noites sem dormir
Pensando o pensado
Criando um círculo vicioso
Na qual o corpo – espírito
Se afundam numa névoa
A natureza é bem mais simples
Que a mente urbana conturbada
Dá-me natureza lições de vida e
De simplicidade.

Bosque da Biologia – USP, 21/Mar/1988. Escrito ao longo de uma caminhada solitária e, na falta de papel, escrevi nas costas do xerox de meu RG. Estava sem casa na época…

Pela memória do mestre Sarubbi

Em 1999, um ano e sete meses antes de sua morte, Valdir Sarubbi concluiu o seu livro de memórias intitulado “Estórias Paralelas”. Dessa obra de 140 páginas seleciono dois trechos do conto “Outras Memórias”, que encerra o livro e onde Quelé, alter-ego do autor, relembra, segundo palavras do próprio Sarubbi, “sua primeira infância no sítio ao levar o filho adolescente para conhecer o lugar. Tem uma vivência muito forte junto com o filho ao banhar-se em um igarapé onde se esquece do relógio que o acompanhou durante muitos anos”.

“Escrevi estas memórias numa tarde de Outubro quase trinta anos depois que fui pela ultima vez à Lontra. Voltei lá quando senti necessidade de mostrar a meu filho aquele pedaço de terra onde vivi minha infância. Mostrei para ele coisa por coisa do que ainda existia lá. A mangueira de perto da casa envelheceu e se tornou uma árvore imensa. A casa onde morávamos está aos pedaços, mais parece uma tapera. Os bacurizeiros permanecem ainda lá, também encanecidos, mas bastante altaneiros. Contei estórias para ele. Eu dizia: aqui fiz isso, ali fiz aquilo. Ele sorria e parecia reconhecer tudo. Porque quando ele era pequeno eu costumava me sentar ao lado de sua cama na hora de dormir e lhe contava esses e outros fatos que acabei contando neste relato.”

(…)

“Ao escrever essas memórias fico tentando imaginar aquele relógio que me acompanhou durante uma boa parte de minha vida certamente com seus ponteiros parados, misturado com os pedregulhos, escondido na areia fininha. E naquele silêncio molhado as piabinhas darão voltas e revoltas por cima do local onde ele está adormecido. Talvez um dia alguém o encontre e o coloque no braço, sem ter a mínima idéia que ele já esteve no meu. Mas é possível também que ele permaneça lá, solitário enterrado, imune ao encontro, pelos séculos dos séculos, amém.”

Gravura em metal do artista paraense Valdir Sarubbi e seu livro inédito – acervo família Sarubbi – edição póstuma

Valdir Sarubbi (Bragança, Pará, 10 de outubro de 1939 – São Paulo, 8 de novembro de 2000)

Foto: Sonia Zveibil

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Ryan Hyrz: Asken – Noruega (“Feeling blue”. Acrílica sobre tela)

Artista norueguês de 33 anos, Ryan Hyrz é representado no Brasil pela Sérgio Gonçalves Galeria desde março de 2018 e já tem chamado a atenção do mercado com suas obras em que explora toda a fluidez das tintas e pigmentos, inspirado pelos tons e movimentos da música erudita, que dão títulos às suas obras e que sempre impactaram seu processo criativo.

Contatos:
www.instagram.com/ryanhyrz
www.instagram.com/sergiogoncalvesgaleria
ryanhyrz@gmail.com
https://www.sergiogoncalvesgaleria.com/ryan-hyrz

Desenhos recentes de Laércio Moraes

Laércio Moraes (Lalá) está com 55 anos, cursou desenho artístico e publicitário na década dos anos 80, hoje reutiliza várias técnicas, já participou em exposições no grande ABC e estudou na Fundação das Artes de São Caetano do Sul-SP em 2018.

Contatos:
www.facebook.com/laercio.moraes.1614
www.instagram.com/laercioamoraes
lalaalexandre@hotmail.com

Uiraí Fusccaldo – Desenho sobre o papel

Em memória do artista paulista Uiraí Fusccaldo, nascido em 19 de novembro de 1980, em São Bernardo do Campo-SP e apaixonado por desenho, publico acima esse trabalho de sua autoria que tenho comigo. Apesar da sua curta trajetória artística, pois ele faleceu em 2002, um mês antes de completar 22 anos, Uiraí demonstra em suas telas talento e ânsia criativa dos grandes experimentadores, recebendo elogios merecidos do crítico de arte Oscar D’Ambrósio em um texto do convite do evento “Mostra de pinturas, desenhos e gravuras do artista plástico Uiraí Fusccaldo (em memória)” que aconteceu na Casa de Cultura da UEL (Universidade Estadual de Londrina) em 2005.

Sobre a sua exposição citada acima, comenta seu pai, Wladimir César Fuscaldo, que “Desde o seu falecimento, a exposição (em Londrina) era um desejo de toda família como forma de resgatar e manter a sua presença e estou redescobrindo a intensidade do trabalho do meu filho”.

Os seus trabalhos também foram expostos de 19 a 26 de março de 2005 no Instituto de Artes da UNESP (Universidade Estadual Paulista), em São Paulo, com curadoria do seu irmão gêmeo Iraçu, estudante do terceiro ano de educação artística, e nela, segundo Oscar D’Ambrósio, é possível vislumbrar um artista de energia vital a toda prova.

Uiraí iniciou seus estudos de forma autodidata. Aos 12 anos, com uma técnica de desenho já consideravelmente desenvolvida, passa a fazer aulas, principalmente de pintura a óleo, com Rubens A. Sacho, que surpreendido com os trabalhos do aluno, sugere que ele participe do I Salão de Desenho da Associação Paulista de Belas Artes, de 1995, com 14 anos. Essa foi sua primeira exposição. Com 17 anos conhece o artista que viria a considerar como mestre, Valdir Sarubbi, com quem passa a estudar. As influências deste mestre foram decisivas para a elaboração do processo de criação que possibilita e revela a singularidade do artista.

O convívio com Sarubbi o leva a ingressar, em 2000, no curso de bacharelado em artes plásticas da ECA-USP. Em 8 de novembro de 2000 morre seu mestre Valdir Sarubbi. Outras importantes referências no seu percurso artístico foram Enzo Wenk, com quem Uiraí pôde aperfeiçoar seus trabalhos de abordagem do corpo humano nu. E Selma Daffrè, com quem aprendeu técnicas de gravura.

Fez auto-retratos, nus femininos (que em alguns trabalhos lembram telas de Klint), pinturas abstratas e desenhos que remetem à cultura africana. E também foi membro do grupo de somaterapia de São Paulo, processo terapêutico criada no Brasil pelo escritor e terapeuta Roberto Freire, a partir da obra de Wilhelm Reich e sua psicologia corporal e política, utilizando os conceitos de organização vital da gestalterapia, os estudos sobre a comunicação humana da antipsiquiatria e a arte-luta da capoeira de Angola.

Henrique Uirai Amaral Fuscaldo – Breve currículo

Cursou o ensino médio completo na Escola Senai Tatuapé – São Paulo e iniciou o curso superior em artes plásticas na Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP). Trabalhou em 2001 como impressor de gravuras no atelier de Selma Daffrè . Durante o ano de 1999 trabalhou como professor de pintura no Espaço Cultural Piá, localizado no Bairro da Barra Funda, São Paulo e este trabalho consistiu em ensinar artes plásticas à crianças do bairro. Em meados de 1999 trabalhou como impressor de gravuras no Atelier da artista plástica Selma Daffrè . No final do ano de 1998 trabalhou como assistente de pintura no Atelier do artista plástico Valdir Sarubbi. Entre suas qualificações constam o curso de gravura em metal e cologravura no Atelier de Selma Daffrè , em 1999, o curso de artes plásticas no Atelier de Valdir Sarubbi, de 1998 a 2000, o curso sobre os processos de criação com os professores Roberto Freire e Valdir Sarubbi, em 1999, a pesquisa da figura humana e modelo vivo (desenho e pintura) no Atelier de Enzio Wenk, de 1998 a 1999, a oficina de teatro no Instituto Brasileiro de Pesquisas de Soma com o ator Plínio Gouveia, em 1997 e o curso de desenho e pintura no Atelier de Rubens Sacho, no período de 1994 a 1996. Participou da Exposição de pinturas (óleo e acrílica sobre tela) no Instituto Popular de Música (IPM), de 11 a 20 de dezembro de 1999, da Exposição de desenhos e pinturas (técnicas mistas) no Shopping Jardim Sul, de 14 a 30 de outubro de 1999, da Exposição de pinturas (óleo e acrílica sobre tela) no Instituto Popular de Música (IPM), de 7 a 30 de agosto de 1999.

Adquiri essa obra do saudoso Uiraí através de uma rifa da qual participei nessa exposição.