Bordados de Antonieta Tognato

Antonieta de Barros Tognato, nascida em São Paulo, formada em Administração de empresa, Design de jóias e acessórios e Pedagogia. Ministra experimentação artística em atelier livre para crianças a partir de 6 anos e adultos. Tem um gosto especial por trabalhos manuais, bordados e artesanato desde sempre.

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atognato@gmail.com
WhatsApp: (11) 9 9831-0833

Do Facebook de Rogério Marcondes Machado

(na livraria)
“Seja como flor”,
novo livro do Roberto Schwarz,
me enganei, é simplesmente,
“Seja como for”

Rogério Marcondes Machado nasceu em 21 de outubro de 1963, é arquiteto formado pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) e trabalha na empresa Amado e Marcondes Arquitetos Associados. Estudou no Colégio Palmares (colegial) e mora em São Paulo.

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Psicologia da composição: Hoje, dia em que o poeta completaria 100 anos

I

Saio de meu poema
como quem lava as mãos.

Algumas conchas tornaram-se,
que o sol da atenção
cristalizou; alguma palavra
que desabrochei, como a um pássaro.

Talvez alguma concha
dessas (ou pássaro) lembre,
côncava, o corpo do gesto
extinto que o ar preencheu;

talvez, como a camisa
vazia, que despi.

II

Esta folha branca
me proscreve o sonho,
me inicia ao verso
nítido e preciso.

Eu me refugio
nesta praia pura
onde nada existe
em que a noite pouse.

Como não há noite
cessa toda fonte;
como não há fonte
cessa toda fuga;

como não há fuga
nada lembra o fluir
de meu tempo, ao vento
que nele sopra o tempo.

III

Neste papel
pode teu sal
virar cinza;

pode o limão
virar pedra;
o sol da pele,
o trigo do corpo
virar cinza

(Teme, por isso,
a jovem manhã
sobre as flores
da véspera.)

Neste papel
logo fenecem
as roxas, mornas
flores morais;
todas as fluidas
flores da pressa;
todas as úmidas
flores do sonho.

(Espera, por isso,
que a jovem manhã
te venha revelar
as flores da véspera.)

IV

O poema, com seus cavalos,
quer explodir
teu tempo claro; romper
seu branco fio, seu cimento
mudo e fresco.

(O descuido ficara aberto
de par em par;
um sonho passou, deixando
fiapos, logo árvores instantâneas
coagulando a preguiça.)

V

Vivo com certas palavras,
abelhas domésticas.

Do dia aberto
(branco guarda-sol)
esses lúcidos fusos retiram
o fio de mel
(do dia que abriu
também como flor)

que na noite
(poço onde vai tombar
a aérea flor)
persistirá: louro
sabor, e ácido,
contra o açúcar do podre.

VI

Não a forma encontrada
como uma concha, perdida
nos frouxos areais
como cabelos;

não a forma obtida
em lance santo ou raro,
tiro nas lebres de vidro
do invisível;

mas a forma atingida
como o ponto do novelo
que a atenção, lenta,
desenrola,

aranha; como o mais extremo
desse fio frágil, que se rompe
ao peso, sempre, das mãos
enormes.

VII

É mineral o papel
onde escrever
o verso; o verso
que é possível não fazer.

São minerais
as flores e as plantas,
as frutas, os bichos
quando em estado de palavra.

É mineral
a linha do horizonte,
nossos nomes, essas coisas
feitas de palavras.

É mineral, por fim,
qualquer livro:
que é mineral a palavra
escrita, a fria natureza

da palavra escrita.

VIII

Cultivar o deserto
como um pomar às avessas.

(A árvore destila
a terra, gota a gota;
a terra completa
cai fruto!

Enquanto na ordem
de outro pomar
a atenção destila
palavras maduras.)

Cultivar o deserto
como um pomar às avessas:

então, nada mais
destila; evapora;
onde foi maça
resta uma fome;

onde foi palavra
(potros ou touros
contidos) resta a severa
forma do vazio.

João Cabral de Melo Neto (Recife, Pernambuco, 9 de janeiro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999). In “Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século”. Editora Objetiva, 2001

Viagens recentes de Rossana Araújo

Fotos: Catedral de Roskilde, na Dinamarca; Pôr do sol em Düsseldorf, na Alemanha e Pôr do sol em Atins, nos Lençóis Maranhenses.

Graduada em engenharia química, mestre e doutora em ciências farmacêuticas, tudo na Universidade de São Paulo – USP. Atualmente trabalha na Receita Federal em São Paulo, capital.

Contato:
rossanaaraujo@gmail.com

Banho solidário

“Hoje fizemos o nosso 5º Banho e Almoço de Natal dos Moradores em Situação de Rua, numa parceria entre a Comunidade Santo Egidio, o pessoal da Receita Federal e Amigos.

Avalio que foi um sucesso, um evento muito gratificante, onde tivemos a oportunidade de promover um pouco de dignidade, solidariedade e alegria a mais de 150 amigos necessitados.

E tudo, sempre, só acontece por conta da boa vontade, do esforço e da dedicação de todos nós, voluntários, incentivadores e doadores… todos que, de alguma forma, torceram e contribuíram com o projeto.

Muito grato e parabéns a todos vocês!!!

Até o próximo evento.

Abração”

Edmundo Spolzino

Fotos: Rossana Araújo, Edmundo Spolzino e Stela Oliveira

Por isso somos quem somos

Por isso somos quem somos,
Estrelas de um só momento,
Mas cujo brilho ameaça
A ordem do firmamento

Volto armado de amor
Para trabalhar cantando
Na construção da manhã.
Reparto minha esperança
E canto a clara certeza
Da vida nova que vem.

Um dia, a cordilheira em fogo,
Quase calaram para sempre
O meu coração de
companheiro.
Mas atravessei o incêndio
E continuo a cantar.

Ganhei sofrendo a certeza
De que o mundo não é só
meu.
Mais que viver, o que importa
É trabalhar na mudança
(antes que a vida apodreça)
do que é preciso mudar.

Cada um na sua vez,
Cada qual no seu lugar.

Thiago de Mello (Barreirinha, Amazonas, 30 de março de 1926 – Manaus, Amazonas, 14 de janeiro de 2022)

Poema enviado pela amiga Maria Isabel Pellegrini Vergueiro