Do’je em dia

Acordei pensando em escrever no que fazer e achei que tudo que estava feito já estava escrito. O que deveria fazer era ler para aprender sobre o que estava feito e refazer para melhor.

O que ler? Algo que não fale o mesmo o que se fala, para se fazer um fato, ter algo que o faça ruim para uma face, mesmo que obscura, acontece. Lerei algo que seja eterno, fraterno, calmo… Sem finidade para o bem visto de uma face que tenta corrigir o ruim. Pô, estou escrevendo algo que me contraria, pois desejava escrever só o que ler! Parece que nada que vejo escrito em casa me satisfaz nas duas faces. Meu pai era direitista, cuidado! Como já disse quero ler algo finito para o mal.

Vou ler a religião, algo que não consigo imaginar. Achando melhor, não vou ler. Vou ler o romance dos “Meninos dos pés grandes”. Bom… Epa, pisaram na cabeça d’um. Como Do’je em dia, Malaquia! Um só vive pisando noutro e passando pra lá, escorregando na cola e subindo pra baixo. Do’je em dia não! Quero ler algo de bão pra não do’jeemdiar.

Do’je em dia tô ficando louco. Tudo se relaciona; até mesmo o gato correndo atrás do rato e o cavalo comendo sapé.

Do’je em dia posso imaginar como escapar do’je em dia. Me persegue em tudo, até no ler. No ler algo de bão. Se vou escrever nem se fala. Do’je fui escrever e a caneta escorregou. Do’je em dia é comum algo escorregar.

Em vez de ler vou pensar! Entra – sai – sai – entra, ideia não tem. Vejo uma pista muito louca e os lados do cérebro se chocando. Do’je morreu d’um desastre. Espero que seja a parte do Do’je em dia.

Merda de papel! Pooh! Aí minha mão, soquei um papel duro de ideia. SOS… Me sai da cabeça maldito progresso. Tá bom…

Do’je em dia não tem solução. Vou fazer uma lavagem cerebral. _Por favor seu moço, tire o Do’je em dia de minha cabeça. _Não dá, o aparelho mecânico quebrou! _Não! Tire ca’s mãos. Que quer me por mais do’je em dia ainda? Saí de lá sem do’je em dia e me vi no Éden. Adão estava seduzindo a Eva. Do’je em dia aconteceu isso. Do’je em dia sai de mim, peste. Quero viver no Éden numa boa. Saí do do’je em dia e entrei no hippie que é de Do’je em dia. Entrei e saí de tudo que é humano e o ser me faz pensar no Do’je em dia, ou melhor, Do’je em dia é o ser humano. _Sai-me de mim, eu! E você fique quieto! Morram todos vocês e os seus do’je em dias que os fazem pensar melhor futuro.

02/08/80

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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