Sereno… Sereno…
Nem vento bolindo…
Perfume de rosas, de lírios, (meu bem!)
Saudades… que chuva de mágoas caindo!
E esta alma sozinha que penas que tem!
Sereno… Sereno…
E as coisas parecem
Caladas, distantes…
— Ai Pedro, que frio!
Nem árvores! — cessem
murmúrios ondeantes
das águas do rio.
Anseios, que valem?
Serenos se calem,
Serenos, que a vida
Começa amanhã,
E as coisas, coitadas,
Quietas, caladas,
Nem deram por mim…
Não vás acordá-las,
Deixá-las, deixa-las
Que eu fico-me assim…
(E o vento a embalá-las
Serenas… e o mar…)
Oh noite, que exalas
Saudades e luar!
António Pedro (Praia, Cabo Verde, 9 de dezembro de 1909 – Praia de Moledo, Moledo, Portugal, 17 de agosto de 1966). In “Devagar”, 1929
Autor: ematosinho
Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).
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