Este dia

Chegar, assim, a um dia
como este, quem diria?

Ninguém, que não poderia
alguém saber deste dia.

Nem eu, que me prometia
varandas de calmaria

Se a uma hora tardia
da vida chegasse um dia.

No entanto, eis-me neste dia,
o qual jamais urdiria

nem em pesadelos; dia ardendo
contra a alegria,

a paz, o amor, a poesia,
o corpo, a esperança; dia

como nenhum: pedraria
fulgurante de agonia.

Ruy Espinheira Filho (Salvador, Bahia, 12 de dezembro de 1942). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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