Os cátaros

Os cátaros
são ou não são
maniqueistas?

Se são, tiram do bem
O mel do mal
Com mão precisa.

Se não,
fazem do bemo bom,
e matam o mal
a vista.

Assim,
se são ou não
antípodas,
a fé dos cátaros
entre o bem e o mal
traz em si
sua própria esgrima:

— do lado do sim,
é o mal
a voz divina;

— do lado do não,
é o bem
a voz suicida.

Por conta
de tanta e tal
antinomia,
qualquer que seja
a voz de sua língua.
tem os cátaros
um só parâmetro
de esgrimistas:

— ou choram a cântaros
(e lânguidos)
a baba do demônio,
ou rasgam as vísceras
quando agônicos
tiram do bem
seu mal congênito.

Mário Chamie (Cajobi, São Paulo, 1 de abril de 1933 – São Paulo, 3 de julho de 2011). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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